sexta-feira, 30 de outubro de 2026

25ª OFICINA DE 2026

 EMPREENDEDORISMO FEMININO

O encontro do dia 24 de outubro de 2026 teve como tema o empreendedorismo, abordando aspectos relacionados ao planejamento, à formalização e às responsabilidades envolvidas na abertura e na manutenção de um negócio próprio.

Como material de apoio, foi apresentado o folder Empreendedorismo Feminino: guia rápido para formalizar e cuidar do seu pequeno negócio, elaborado pelo Projeto de Extensão Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), chamado  Direito, Inovação e Pequenos Negócios, com orientações sobre formalização, obrigações e canais de apoio ao empreendedorismo. Destacou-se a importância de compreender o empreendedorismo para além do discurso da autonomia e da liberdade de ser a própria chefe. 

A manutenção de um negócio exige planejamento, investimento, conhecimento das obrigações legais e financeiras e avaliação da viabilidade econômica, uma vez que a ausência dessas condições pode resultar em sobrecarga de trabalho, precarização e endividamento. Também foi ressaltada a necessidade de conhecer as obrigações decorrentes da formalização como Microempreendedor Individual (MEI), incluindo o pagamento das contribuições mensais e a entrega das declarações obrigatórias. Foi esclarecido que a interrupção das atividades não encerra automaticamente o registro, sendo necessário realizar a baixa formal para evitar a continuidade de obrigações e o acúmulo de pendências. Foram apresentados, ainda, canais de orientação e apoio, como o Sebrae, o Portal do Empreendedor, a Junta Comercial do Distrito Federal (JUCIS-DF) e os serviços de orientação jurídica gratuita da Defensoria Pública do DF (Disque 129). 

A discussão crítica sobre o empreendedorismo me fez lembrar da análise do sociólogo Ricardo Antunes sobre as transformações contemporâneas do mundo do trabalho, disponível no Youtube e anexado abaixo:


E também da charge abaixo, de Toni D’Agostinho, cartunista, dramaturgo e sociólogo, que também contribui para problematizar o empreendedorismo no contexto do modelo econômico vigente. 


Assim, a atividade buscou ampliar a compreensão do empreendedorismo, articulando o acesso à informação prática à necessidade de analisar as condições concretas para a construção da autonomia econômica, sem desconsiderar as desigualdades sociais e os riscos envolvidos.

Relatoria da cursista: Ana Moreira. 

Brasília, 24 de outubro de 2026.


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

24ª OFICINA DE 2026

 VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA


O encontro das PLPs, realizado no dia 17 de outubro, teve início com a apresentação da facilitadora da oficina, Carol, que conduziu as atividades com o tema Violência Obstétrica.

Inicialmente, fomos convidadas a nos levantar e interagir com uma espécie de manta que a facilitadora colocou no chão. As cursistas começaram a explorar o objeto de diferentes maneiras, utilizando-o para se cobrir, simulando uma rede e experimentando outras possibilidades de uso. Após esse momento de interação, Carol recolheu a manta e explicou que se tratava de um rebozo, instrumento muito utilizado na doulagem. Em seguida, demonstrou algumas de suas formas de utilização durante a gestação e o trabalho de parto, apresentando posições e técnicas, como as relacionadas ao Spinning Babies.

Na sequência, as cursistas foram divididas em três grupos, e cada grupo recebeu situações que deveriam ser analisadas para identificar se as atitudes descritas representavam acolhimento ou violência obstétrica. Durante a atividade, surgiram algumas dúvidas e dificuldades para distinguir determinadas situações, o que tornou a discussão ainda mais importante. Cada grupo apresentou seu caso, compartilhou seus argumentos e, após o debate, registrou sua conclusão em um cartaz coletivo.

Esse momento proporcionou uma troca muito significativa entre as participantes. Algumas mães se sentiram à vontade para compartilhar relatos e experiências de seus próprios partos, trazendo vivências pessoais que contribuíram para ampliar a compreensão sobre o tema. Também houve espaço para o esclarecimento de dúvidas e para a reflexão sobre situações que, muitas vezes, podem ser naturalizadas, embora representem formas de desrespeito à mulher. Carol explicou cada uma das situações apresentadas, esclarecendo os motivos pelos quais determinadas condutas poderiam ser consideradas acolhedoras ou caracterizadas como violência obstétrica. Além disso, aprofundou a discussão sobre as diferentes formas de manifestação dessa violência e suas consequências para as mulheres.

Posteriormente, voltamos a nos sentar em círculo, e Carol trouxe uma questão para reflexão: o que podemos fazer para prevenir a violência obstétrica? As cursistas compartilharam diversas possibilidades, destacando a importância do conhecimento e da informação sobre o assunto, da elaboração de um plano de parto e da presença de um acompanhante que esteja atento, participe ativamente e saiba questionar condutas desrespeitosas. A partir dessas contribuições, continuamos debatendo sobre a importância da preparação, da informação e do apoio durante a gestação e o parto, compreendendo que a prevenção começa antes mesmo de a violência acontecer.

Para encerrar o encontro, a facilitadora colocou uma música e convidou todas a fecharem os olhos e colocarem uma das mãos sobre o umbigo. A proposta era promover uma conexão com aquelas pessoas que nos alimentaram e cuidaram de nós, assim como com aquelas que já alimentamos e cuidamos. Fomos convidadas a pensar em cada tentante, gestante, parturiente e puérpera, refletindo sobre como nós, enquanto sociedade e, principalmente, enquanto mulheres, podemos contribuir para preservar a dignidade de cada mulher em um momento tão delicado e significativo como o parto.

A atividade de encerramento nos levou a refletir sobre as ações preventivas que podem ser adotadas para evitar que a violência aconteça, bem como sobre a responsabilidade coletiva de construir espaços mais seguros, respeitosos e acolhedores. A facilitadora nos convidou a sair daquele encontro mais reflexivas, levando conosco o compromisso de transformar nossas próprias vivências e atitudes em oportunidades de acolhimento, cuidado e respeito.

O encontro foi marcado pela troca de conhecimentos, pela partilha de experiências e pela construção coletiva de aprendizados. Mais do que reconhecer as diferentes formas de violência obstétrica, a oficina nos incentivou a pensar em como podemos atuar para preveni-la, fortalecendo o respeito à autonomia, à dignidade e aos direitos das mulheres durante todo o processo de gestação, parto e puerpério.

Relatoria da cursista: Lyvia Chrystina

Brasília, 17 de outubro de 2026.



23ª OFICINA DE 2026

 DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS DAS MULHERES


No dia  10/10 /26, tivemos como tema da oficina "Direitos sexuais e reprodutivos da mulher", e nos reunimos com a equipe de Águas lindas, e foi muito produtivo, como ajudar alguém sobre empatia e humanização. 

Ao decorrer da oficina, fizemos grupos, e cada um abordou um tema, sobre como procurar ajuda nos serviços públicos, serviços sociais, unidades de saúde etc.

Além de orientações sobre:

- Contraceptivos

- Reprodução humana

- Sobre direto de escolha

- Sexualidade

- Empoderamento

- Autonomia

- Auto cuidado 

- Como falar sobre sexualidade com os filhos ,

Foi muito produtivo!

Gratidão a todas! E a equipe de Águas lindas, muito obrigada pelo apoio!


Relatoria da cursista: Cedália Maria


Brasília, 10 de outubro de 2026.


22ª OFICINA DE 2026


 ARTE BOTÂNICA


Em nossa oficina do dia 03 de outubro, tivemos uma encontro voltado a criatividade, sobre arte botânica e sáude coletiva, ministrada pela oficineira que é artesã botânica, especialista em saúde da mulher, doula e arte educadora, Karu Peruzzo! 

Iniciamos nosso encontro com um breve momento de meditação e relaxamento, com aromatizantes de plantas naturais borrifadas pelo espaço. Ali, foi se criando um espaço acolhedor que remetia a tranquilidade da natureza. 

Posteriormente, fomos convidadas a colocar nossa criatividade em jogo, desenhando flores ou plantas, No começo, foi desafiador para mim, pois não tenho o hábito de desenhar. No entanto, a ideia não era fazer o desenho mais bonito, e sim nos reconectar com nossas crianças interiores, que desenhavam tudo que viam pela frente. 

Após a pausa para o lanche, tivemos o momento mais divertido da oficina, e eu diria que foi meu momento preferido como cursista até o momento, que foi a confecção de marcadores de página botânicos! Em um primeiro momento, a Karu nos explicou um pouco sobre o processo de dessecar flores e plantinhas, e ali percebi o quão bonito e paciente é o trabalho de quem faz isso, pois o processo de desidratar flores envolve empo, paciência e cuidado. Ela nos trouxe inúmeras flores e plantinhas lindas, no qual trabalhamos criando marca páginas. Eu cheguei a fazer três, e eles ficaram assim: 


Eu amei cada segundo da oficina. Foi um dos momentos mais criativos e relaxantes que tive no ano (até o momento). Sai de lá muito interessada por arte botânica, e pretendo começar a ter isso como um hobby :)

Relatoria da cursista: Ester Moraes

Brasília, 03 de outubro de 2026.


 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

20ª OFICINA DE 2026

SAÚDE DA MULHER

Nesse encontro, realizado dia 19 de Setembro, recebemos como oficineira a Dra. Natalia Fernandes, que é professora de Saúde Coletiva na UnB. O tema do dia era Saúde da Mulher e inicialmente, começamos com uma dinâmica de trazer à roda algum objeto importante que carregamos com a gente, muitos foram improvisados com o que tínhamos ali, como garrafinha de água, algum dispositivo eletrônico, blocos de notas, porém ressignificado e contando um pouco da gente. Em seguida, compartilhamos alguns pontos de vistas e dados sobre saúde em geral e saúde da mulher e os cuidados dos nossos corpos, sejam eles individuais ou coletivamente, em sociedade.

A parte mais intensa da oficina foi quando nos dividimos em dois grupos e tínhamos que dar vida a uma mulher-personagem: nome, idade, de onde é, o que gosta de fazer, como ocupa seu tempo, quais são suas características.

Ao apresentar as criações, o primeiro grupo tinha criado Maria Vitória, de 17 anos, estudante do Ensino Médio e que morava com a sua família, é uma menina negra, tem sonhos e expectativas com o futuro, gosta de futebol. No outro grupo, deram vida a Vitória, uma mulher negra, de 40 anos, mora na Ceilândia mas é natural do Piauí; é divorciada e tem um filho de 15 anos, Guilherme, está se redescobrindo enquanto mulher e indivíduo, vivendo coisas novas. Provocadas por Natália, conversamos sobre essas mulheres e sobre nós mesmas, em como os papéis sociais de gênero nos sobrecarregam e às vezes não temos tempo nem para o autocuidado mais básico.

Finalizamos a oficina falando sobre dignidade menstrual, direitos, desafios e possibilidades, principalmente se pensamos nas meninas e mulheres mais vulneráveis, como pessoas em situação de cárcere ou que não tem condições de comprar e manter sua autonomia menstrual. Nesse sentido, conversamos sobre as políticas públicas e as falhas em ampliar direitos e garantir a dignidade menstrual. Ao finalizar a oficina do dia ganhamos um presente de Natália, uma necessaire com material do projeto Ecos e Pro-LEME da UnB, caneta, caderneta para acompanhar nosso ciclo menstrual e absorventes. 💜

Por: Mariana Lemes


Brasília, 19 de Setembro de 2026.


sexta-feira, 18 de setembro de 2026

19ª OFICINA DE 2026

 Direitos das Famílias 

O encontro de PLPs, dia 12 de Setembro de 2026, teve como tema Direito das Famílias. 

A abordagem teve início, literalmente, com um “bate-bola” entre as participantes, no qual cada uma foi convidada a trazer uma palavra que definisse família. Em seguida, elaboramos um mural coletivo com as palavras escolhidas, dando visibilidade à diversidade de percepções e significados atribuídos à família. 

A atividade teve continuidade com a participação de uma facilitadora convidada, a Nathalia, profissional da área do Direito de Família, que promoveu importantes reflexões sobre os diferentes modelos de família — tradicional, LGBTQIAPN+, entre outros — e sobre os papéis sociais historicamente atribuídos às figuras da mãe e do pai. Uma percepção expressiva durante a discussão foi o quanto o modelo predominante de família ainda atribui à figura da mãe o papel central de cuidado, manutenção do lar e garantia do bem-estar de todos os seus integrantes. 

Discutimos como estruturas culturais e históricas contribuíram para a perpetuação desse modelo, que ainda predomina na atualidade e resulta na sobrecarga das mulheres com o trabalho reprodutivo e doméstico não remunerado. Em contrapartida, dos homens, muitas vezes, esperase que exerçam o papel de provedores, além de ocuparem o lugar do “amigão” e do conciliador no âmbito familiar. 

Outro ponto de destaque do encontro foi a discussão sobre os processos de divórcio e separação. Debatemos os conflitos que podem ocorrer e os procedimentos legais possíveis para tratar de questões como partilha de bens, pensão alimentícia e proteção das pessoas que podem ficar prejudicadas em decorrência de uma separação conflituosa. Entre as informações compartilhadas, considero importante registrar a possibilidade de requerimento judicial de alimentos compensatórios, destinados, conforme as circunstâncias do caso concreto, a compensar uma significativa redução do padrão de vida ou um desequilíbrio financeiro decorrente do fim de uma união. 

Também foram abordados os alimentos transitórios, que consistem em prestação pecuniária de natureza alimentar, por período determinado, com a finalidade de possibilitar ao cônjuge ou companheiro que se encontra desempregado, fora do mercado de trabalho ou com renda significativamente inferior à daquele que provia o sustento da família a possibilidade de se reorganizar financeiramente e buscar sua autonomia econômica. 

Esses instrumentos jurídicos dialogam com importantes desigualdades produzidas pelos papéis de gênero, especialmente considerando que, historicamente, muitas mulheres deixam de exercer ou interrompem sua trajetória profissional para se dedicar exclusivamente aos filhos e ao lar. Nesse contexto, o fim da união pode gerar dificuldades para a reinserção no mercado de trabalho e para a retomada das condições de vida e do padrão de consumo anteriormente mantidos. 

No encontro, também foi abordado que famílias que estejam vivenciando processos de separação ou divórcio, bem como aquelas que necessitem judicializar questões relacionadas à pensão alimentícia, à guarda, entre outros, podem buscar orientação e assistência jurídica por meio da Defensoria Pública, dos Núcleos de Prática Jurídica (NPJs) existentes em universidades, que oferecem atendimento gratuito à população, ou de advogado particular.

Para encerrar, penso que a música “Desconstruindo Amélia”, da cantora Pitty, dialoga de maneira significativa com os assuntos abordados no encontro. Deixo abaixo um pequeno trecho da canção como convite à reflexão: 

"Já é tarde, tudo está certo

Cada coisa posta em seu lugar

 Filho dorme ela arruma o uniforme 

Tudo pronto pra quando despertar 

O ensejo a fez tão prendada 

Ela foi educada pra cuidar e servir 

De costume esquecia-se dela 

Sempre a última a sair [...] 

A despeito de tanto mestrado

 Ganha menos que o namorado 

E não entende porque 

Tem talento de equilibrista 

Ela é muita se você quer saber 

Hoje aos 30 é melhor que aos 18 [...]"

Relatoria da cursista: Ana Moreira 


Brasília, 12 de Setembro de 2026.



sexta-feira, 11 de setembro de 2026

18ª OFICINA DE 2026

 Conscientização sobre proteção de crianças e adolecentes


A oficina do dia 05/09 iniciou-se com um exercício coletivo de concentração, em que todas participaram de um momento de meditação guiada. A abertura foi muito importante para todas se conectarem com o momento e para nos prepararmos para o tema difícil da oficina.

A oficina foi mediada pela convidada Liz, que tratou das redes de proteção para crianças e adolescentes. A facilitadora comentou sobre a responsabilidade que todos temos, enquanto sociedade, com o cuidado de crianças e adolescentes, que geralmente é atribuído exclusivamente às mães.

Comentamos sobre as barreiras institucionais que enfrentamos ao buscar ajuda para esses grupos, como o impedimento do aborto legal para meninas, a obtenção da guarda de crianças em situações de vulnerabilidade social e casos de bullying em escolas. Discutimos o papel de diferentes órgãos e agentes públicos e quem procurar em casos de violência.

Também tratamos da violência, especialmente na esfera da internet, e de como podemos proteger nossas crianças nesse ambiente. Falamos sobre os espaços considerados "seguros" que tínhamos anteriormente, como a televisão, e que já não existem da mesma forma. Discutimos também como funciona a produção desses "influencers mirins" e a exposição precoce de crianças e adolescentes na internet.

Dedicamos alguma atenção ao papel dos Conselhos Tutelares, que sofrem com uma sobrecarga de demandas exaustiva, mas que também são capazes de reproduzir violências e revitimização em alguns casos.

Um momento importante da oficina foi sobre os marcos legais e as ferramentas para a proteção de crianças e adolescentes. Falamos sobre o fluxo de atendimento em casos de violência, em todas as esferas. Fomos apresentadas ao importante papel do Ministério Público e a como ele se articula com os demais órgãos para a construção de um fluxo de proteção eficiente e para a prevenção e o combate à violência contra esses grupos tão vulneráveis.

Relatoria da cursista: Geovana Fiori

Brasília, 05 de Setembro de 2026.



sexta-feira, 4 de setembro de 2026

17ª OFICINA DE 2026

 

Planejando a ação da turma


O encontro do dia 29 de agosto teve início com a realização da acolhida das participantes, promovendo um momento inicial de integração e preparação para as atividades previstas. 
Na sequência, foi realizada uma discussão coletiva acerca da ação da turma voltada à divulgação das PLPs, com o objetivo de ampliar a visibilidade da atuação das Promotoras Legais Populares e fortalecer o conhecimento da comunidade acerca da iniciativa e de sua importância para a promoção e defesa de direitos. Durante a discussão, as participantes apresentaram sugestões de possíveis locais para a realização da ação, considerando espaços com potencial de alcance do público e de aproximação com a comunidade. 
As sugestões apresentadas serão posteriormente avaliadas quanto à viabilidade de execução, considerando aspectos como localização, público, autorização, logística e organização da atividade. Também foi discutida a proposta de elaboração da camisa da turma, contemplando elementos que representem a identidade coletiva e a trajetória das participantes ao longo do curso.
Ao final do encontro, foram estabelecidas as seguintes missões e deliberações para a turma: Definir uma mulher a ser homenageada na camisa da turma; definir a oradora da turma, que ficará responsável pela representação e fala em momento oportuno; definir uma mulher integrante da própria turma para ser homenageada, valorizando sua trajetória. As definições serão retomadas nos próximos encontros, de modo a possibilitar a participação coletiva das integrantes e a organização dos encaminhamentos necessários para a realização das ações propostas.

Relatoria da cursista: Ana Moreira

Brasília, 29 de Agosto de 2026.






16ª OFICINA DE 2026

 

Medidas Protetivas às Mulheres




O encontro das PLP's, realizado no dia 22 de agosto, apresentou uma proposta diferente das oficinas realizadas habitualmente, sendo desenvolvido por meio de uma palestra e roda de conversa com o tema “Lei Maria da Penha: 20 anos e o futuro”. O momento contou com a participação de diferentes convidadas e nomes de relevância para a discussão da temática, proporcionando às cursistas um espaço de informação, reflexão e diálogo sobre a violência contra as mulheres e os mecanismos de proteção existentes.

A atividade foi iniciada pela professora Lívia, que realizou a abertura do encontro e apresentou as palestrantes que participariam da programação. Em seguida, outra professora conduziu uma fala sobre o processo histórico percorrido até a criação da Lei Maria da Penha, contextualizando as transformações ocorridas ao longo dos anos. Durante sua apresentação, também foram compartilhadas informações sobre os atendimentos realizados anteriormente pelo Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da UnB. Foi destacado que parte dos registros desses atendimentos acabou sendo perdida e que, por esse motivo, o número de mulheres efetivamente atendidas foi significativamente maior do que aquele que consta nos registros disponíveis.

Após esse primeiro momento, as participantes se dirigiram ao salão do NPJ, onde foi realizada uma palestra com uma defensora pública do Distrito Federal. A apresentação teve como foco o reconhecimento e a identificação dos diferentes tipos de violência, sendo abordadas as violências *física, psicológica, patrimonial, sexual e moral*.

Durante a palestra, as mulheres presentes puderam realizar perguntas e esclarecer dúvidas relacionadas à temática, que foram respondidas de forma bastante esclarecedora pela defensora. Também foram discutidas as medidas protetivas e as possibilidades de atendimento e acolhimento para mulheres em situação de violência, incluindo a importância da proteção e do acolhimento de seus filhos.

Foram ainda apresentados números e contatos importantes para a realização de denúncias, tanto pela própria mulher em situação de violência quanto por terceiros que tenham conhecimento de algum caso. Essas informações contribuíram para ampliar o conhecimento das participantes sobre os canais disponíveis para buscar ajuda, orientação e proteção.

Na sequência, algumas cursistas realizaram a distribuição de materiais didáticos e informativos relacionados à temática trabalhada durante o encontro. Os materiais disponibilizados apresentaram conteúdos ricos e esclarecedores, contribuindo para o aprofundamento das informações discutidas e oferecendo recursos que podem ser consultados posteriormente pelas participantes.

Posteriormente, a palavra foi passada às professoras, que complementaram as discussões apresentadas pela defensora pública, ampliando as reflexões sobre a Lei Maria da Penha, as diferentes formas de violência e a importância da informação como instrumento de prevenção, identificação e enfrentamento da violência contra as mulheres.

O encontro foi encerrado com um agradecimento realizado pela organizadora, que ressaltou a importância da participação de todas e da realização de espaços de diálogo e formação sobre uma temática tão relevante. De modo geral, a atividade proporcionou um momento significativo de aprendizado e conscientização, possibilitando às participantes conhecer melhor seus direitos, os mecanismos de proteção previstos pela legislação e as formas de buscar apoio diante de situações de violência.

Relatoria da cursista: Lyvia Neres 

Brasília, 21 de Agosto de 2026.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

14ª OFICINA DE 2026

Conscientização sobre tráfico de pessoas


A oficina desse dia (08 de Agosto de 2026) foi realizada com as PLPs de Águas Lindas. 
Saímos às 8h30 de Ceilândia e fomos recebidas pelas companheiras do entorno no IFG, onde elas realizam suas oficinas. Na biblioteca, éramos várias mulheres, rostos conhecidos e novos. 
A primeira dinâmica foi de apresentação, formamos duplas, preferentemente entre uma mulher do núcleo de Águas Lindas e outra de Ceilândia para trocar uma ideia, se apresentar, informações como nome, idade, em qual cidade mora e algo que goste de fazer ou se sinta caracterizada por isso, logo, nos apresentamos para a grande roda, foi bonito.
As facilitadoras do tema do dia eram duas assistentes sociais, Yasmin, que trabalha na Defensoria Pública do Distrito Federal e Stephane, que está cursando residência pela Fiocruz, e ambas fazem parte do núcleo de investigação sobre tráfico de pessoas da UnB. 
O tema, sensível, pareceu ter tirado o ar da turma, que escutou em silêncio. Aprendemos sobre as características do tráfico de pessoas, como costuma acontecer, quais os respaldos jurídicos para as vítimas, e também quais as formas de prevenção. 
Para continuar aprofundando o tema, nos dividimos em seis grupos e cada um recebeu um caso para discutir e levantar hipóteses de formas de prevenção e proteção. Havia temas como trabalhadora doméstica sem nenhum tipo de direito, pessoa em situação de exploração sexual, sequestro de bebês, exploração de trabalho entre outros. 
Antes dos grupos, tivemos uma pausa para o lanche, e Águas Lindas arrasou com a variedade de frutas e comidas gostosas (queremos visitar mais vezes!).
Finalizamos a atividade do dia apresentando as discussões de caso e que cada uma falasse uma palavra que marcou aquele encontro. Entre todas as palavras, o nome de Rosa Maria, referência para as PLPs do DF e GO, encheu aquele espaço para recordar porquê lutamos.

Relatoria da cursista: Mariana Lemes 


Águas Líndas, 8 de Agosto de 2026.


13ª OFICINA DE 2026

 Oficina sobre a violência política de gênero e fake news

 
O ambiente político costuma ser extremamente violento com as mulheres, tanto com as parlamentares quanto com as eleitoras, como podemos observar nas falas de figuras “importantes” da política nacional, que proferem colocações como: “Mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras não, isso que eu tô dizendo, pode arrancar os pentelhos das calcinhas, pode fazer o que você quiser.”
Além disso, podemos observar outras formas de violência, como, por exemplo, aquelas vividas pela presidenta Dilma, que teve sua imagem submetida a uma série de depreciações, inclusive com teor sexual, de forma popularizada. Para além do aspecto político, os últimos acontecimentos envolvendo até mesmo Michelle Bolsonaro, que acusa seu partido político, o PL, de não levar em consideração suas sugestões, também evidenciam as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no ambiente político.
Sempre se busca uma forma de tirar o foco das mulheres e de suas ações políticas, além de colocá-las em determinadas “caixinhas”, como se suas contribuições não fossem importantes. É muito corriqueiro observar comparações relacionadas às roupas que as mulheres na política utilizam, algo que não costuma ocorrer da mesma forma com os parlamentares homens.
Para além dessas, que ficariam mais no campo da violência “indireta”, também conseguimos observar uma série de violências explícitas e, muitas vezes, institucionalizadas contra parlamentares. Para que fosse possível entender melhor essa questão, foi realizada uma dinâmica na qual avaliamos notícias que evidenciam tais situações. 
O assassinato da vereadora Marielle Franco aparece, infelizmente, como uma marca significativa de tal dado alarmante. Mesmo após sua morte, Marielle teve sua dignidade invadida, sendo alvo de fake news que insinuavam que seu assassinato teria acontecido em razão de um suposto relacionamento com alguém ligado ao tráfico. 
Outro exemplo de institucionalização da violência foi a inserção das fotos das deputadas Erika Hilton e Duda Salabert, pela Polícia Civil de Pernambuco, em um álbum de reconhecimento fotográfico de suspeitas. Tal inserção é completamente ilógica, pois ambas são parlamentares, não havendo o menor sentido em incluí-las em um documento com imagens de suspeitas a serem exibidas à vítima, que teria sido alvo de roubo em fevereiro de 2025. A própria Defensoria apontou que “a seleção das imagens não seguiu critérios técnicos, mas sim características identitárias, como gênero e raça”. 
Outro exemplo de violência sofrida pela deputada Erika Hilton foi o episódio em que o deputado Abílio Brunini (PL) foi acusado de violência política de gênero contra a deputada. Após um debate, em que Erika afirmou que Brunini estava “carente”, o deputado respondeu: “Por que, tá precisando de serviço?”. Tal frase remete diretamente ao estigma sexual que muitas mulheres, especialmente mulheres trans, enfrentam. 
Infelizmente, a violência política se manifesta de diversas formas, como no caso envolvendo as ex-deputadas estaduais de São Paulo Isa Penna (PCdoB), no processo contra o ex-deputado Fernando Cury (União Brasil), acusado de importunação sexual, registrada em vídeo durante uma sessão realizada na Alesp. 
Tendo em perspectiva tais situações, debatemos alguns pontos importantes, como qual seria o limite do debate político, do qual, de modo geral, concluímos que seria o respeito. Buscamos entender também onde seria possível identificar a violência de gênero, e entendo que podemos observar com atenção a forma como o discurso é transmitido e construído.
Para além disso, também debatemos como seria possível identificar uma fake news, a partir da análise da fonte da notícia, da realização de pesquisas e de outras formas de verificação. Por fim, buscamos entender quais seriam os mecanismos para evitar o engajamento em notícias falsas. De maneira geral, ficou entendido que a principal medida seria não compartilhar a notícia e realizar a denúncia ao veículo que a compartilhou.
As reflexões do dia foram de extrema importância. Somente com muita informação e percepção será possível entender onde as violências nos atingem e buscar mecanismos de combate.

Relatoria da cursista:  Letícia Alves Lopes  

Brasília, 01 de Agosto de 2026.


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

12ª OFICINA DE 2026

Três poderes e sistema eleitoral


Na oficina do dia 11 de julho, houve uma aula sobre como os discursos de partidos políticos, orientados por diferentes ideologias, valores e correntes filosóficas, são promovidos em suas campanhas eleitorais em ano eleitoral. Foram abordados a distinção entre os espectros políticos de esquerda e direita, que carregam essas ideias amplamente reproduzidas no debate público e que são decisivas para a elaboração de políticas públicas e na participação social. 
O encontro das PLPs se iniciou com uma dinâmica em que uma das facilitadoras simulou ser uma candidata apresentando propostas de campanha eleitoral. A facilitadora começou a dinâmica com um tema bastante polêmico reproduzido por figuras públicas: o punitivismo penal e o combate à criminalidade. Essa pauta que conta com apoio de grandes grupos de massas da população e transcende a polarização política, sendo uma das consequências diretas da desigualdade social em diferentes regiões brasileiras.
A partir disso, a dinâmica funcionou em rodízio, em que uma cursista simulava ser um político defendendo suas propostas e ideias de campanha, as demais “votavam” ao se deslocar para o seu lado da candidata se concordassem com a proposta ou permaneciam em seus lugares. Essa atividade nos faz refletir sobre como funciona o debate eleitoral promovido por figuras públicas na política e o seu impacto retórico com o apoio da massas e determinadas ideias de campanha. 
Para entender como funciona o debate político atual, a conjuntura política passou por acontecimentos marcantes nos últimos 12 anos no Brasil: as Jornadas de Junho, que foram uma série de protestos populares pela insatisfação com a baixa qualidade dos serviços públicos de saúde ocorridos no Brasil em junho de 2013; a eleição presidencial de 2014 no Brasil foi marcada pela disputa presidencial polarizada entre Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), com a reeleição de Dilma Rousseff no segundo turno; a Operação Lava Jato, que foi uma grande operação de investigação de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a participação do poder público e o setor privado, provocando rejeição e falta de confiança da população no governo na época; em 2016 ocorreu o impeachment presidencial de Dilma Rousseff, que aprofundou a polarização política entre direita e esquerda; a eleição presidencial de 2018 ficou marcada por uma forte guinada à direita com a ascensão do bolsonarismo, que abraçou o sentimento antipetista e antissistema orientado pelo discurso anticorrupção, com pautas conservadoras e a defesa do liberalismo econômico, e a comunicação político-eleitoral com o uso massivo de redes sociais; a polarização política continuou durante a pandemia de COVID-19, quando se passou a politizar a saúde pública ao gerar debates divididos sobre o isolamento social, questionamento da ciência e a eficácia das vacinas; por fim, a última eleição de 2022 foi marcada pela disputa presidencial que representou os espectros de esquerda e direita, assim como a divisão política provocou divergências que moldaram as relações familiares e grupos de amizade, pautadas pela dinâmica das redes sociais.  
Após a primeira dinâmica, foi ministrada uma aula sobre a divisão dos Três Poderes e o seu papel na formação do Estado. De acordo com a Constituição de 1988, o Estado brasileiro é dividido pelo Executivo, responsável pela governabilidade da administração pública e pela execução de políticas públicas que atendem às necessidades da população. Já o poder Judiciário tem como função garantir a aplicação das leis em casos concretos para resolver conflitos entre cidadãos, entidades públicas e privadas, e o próprio Estado, ao julgar causas e garantir direitos constitucionais. Por fim, o poder Legislativo é responsável por criar as leis e fiscalizar o Poder Executivo. 
A oficina contou com a participação da convidada Tetê Monteiro, ativista de direitos humanos e de movimentos sociais, dirigente do PSOL e, sobretudo, é uma PLP. Sua trajetória no partido é marcada pela luta pelos direitos sociais, especialmente de grupos marginalizados, aqui no Distrito Federal. Sua participação na oficina foi essencial para ajudar as cursistas a entender o funcionamento dos Três Poderes, do sistema eleitoral e a forma como ambos definem os rumos da política, trazendo exemplos com base na sua trajetória e militância na política. 
Após a explicação sobre os Três Poderes e o sistema federativo, houve uma segunda dinâmica em duplas com cartas, onde tínhamos que colocar no grupo de cartas qual informação estava associada aos Três Poderes do Brasil. Após cada grupo responder agrupando as cartas, foi feita uma explicação sobre relação e interação entre as instituições, competência ou função pertence a determinado Poder, ao explicar suas diferenças e semelhanças. 
Essa oficina contribuiu para o aprendizado das cursistas sobre conceitos que costumam ser complexos, auxiliando na compreensão de como funciona o Estado brasileiro a partir da lógica política da Constituição Federal de 1988. O encontro das PLPs foi participativa na troca de conhecimento e ideias, que puderam trazer suas dúvidas, e as intervenções da convidada foram fundamentais para esclarecer conceitos políticos e enriqueceu as discussões em torno do tema. 
Ao longo de todo o encontro, as discussões promoveram reflexões que ajudaram a desmistificar a ideia de que "política não se discute". Se desmontou a ideia da polarização entre os dois lados dos espectros políticos ao contrapor propondo que discutir política é uma forma legítima de exercer a nossa cidadania. Para nós mulheres, sendo PLPs enquanto movimento social, ao conhecer nossos direitos e deveres como parte da sociedade, além de ser uma força de militância política fundamental reivindicação popular de melhorias e denunciar desigualdades sociais.

Relatoria da cursista: Erika de Souza

Brasília, 11 de Julho de 2026

11ª OFICINA DE 2026

Partidos políticos, esquerda e direita


A aula do dia 04/07 começou com uma dinâmica em grupos, na qual construímos nuvens de palavras a partir dos termos política, esquerda e direita. 
A atividade mostrou que essas palavras despertam diferentes percepções e sentimentos, revelando como nossas vivências e os contextos em que estamos inseridas influenciam a forma como entendemos esses conceitos. 
Depois, discutimos o significado da política e a importância da atuação dos movimentos sociais. A conversa reforçou que política não se resume às eleições ou aos partidos, mas está presente nas decisões que afetam nosso cotidiano e na luta pela garantia de direitos. 
Na segunda parte da aula, conhecemos a origem histórica dos termos esquerda e direita, relacionados à Revolução Francesa, e conversamos sobre como esses conceitos foram sendo transformados ao longo do tempo. Foi explicado que, embora existam diferentes correntes políticas, de forma geral a esquerda costuma defender políticas voltadas para a redução das desigualdades sociais e maior atuação do Estado, enquanto a direita tende a priorizar a liberdade econômica, a iniciativa privada e uma menor intervenção estatal. Também foi ressaltado que essas definições não são absolutas e que existem diferentes posicionamentos dentro de cada campo político. 
Por fim, refletimos sobre a forma como as pautas feministas podem ser apropriadas por diferentes grupos políticos. A discussão mostrou a importância de analisar criticamente esses discursos, compreendendo que um mesmo tema pode ser defendido sob perspectivas distintas, com propostas e objetivos diferentes. Esse debate contribuiu para desenvolver um olhar mais atento sobre as relações entre política, direitos das mulheres e participação social. 
A aula foi importante para ampliar a compreensão sobre o significado da política para além do senso comum.

Relatoria da cursista: Manuela Rodrigues

Brasília, 04 de Julho de 2026.

10ª OFICINA DE 2026

DIREITO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


A oficina do dia 27/06 teve início com a exibição de um vídeo da primeira edição do Festival Funarte Acessibilidança, Depois do Silêncio. A obra, que une o teatro, a dança e as Libras, narra a trajetória de Helen Keller, uma jovem surdocega que se tornou símbolo mundial de superação, e de Anne Sullivan, uma mulher com baixa visão que dedicou sua vida a ajudá-la a se comunicar e conquistar autonomia. Ao assistir, fomos convidados a perceber como a arte pode ser mais do que expressão estética, ela pode ser ferramenta de inclusão, ponte de diálogo e motor de transformação social. 
Logo depois a turma foi dividida em dois grupos: as que usavam óculos permaneceram na sala, enquanto as demais foram para fora. Com o grupo das pessoas de óculos, surgiu um tema essencial: a autodescrição. Muitas vezes esquecemos desse recurso porque partimos da ideia de que todos enxergam da mesma forma. Mas a autodescrição é um gesto de respeito, um ato de acessibilidade que garante a participação plena de pessoas cegas ou com baixa visão. É consciência coletiva, é responsabilidade social. 
Na atividade seguinte, cada pessoa de óculos deveria guiar uma pessoa que estivesse vendada. O primeiro passo foi se apresentar e fazer sua autodescrição, usando de apoio a música cabeça, ombro, joelho e pé para lembrar a ordem. O exercício revelou uma falha cultural, não aprendemos a descrever o mundo em palavras. Dependemos tanto da visão que esquecemos de traduzir o espaço, os gestos e os detalhes para quem não vê. Foi um momento de descoberta e de desconforto, que nos fez pensar sobre o quanto ainda precisamos aprender a comunicar o invisível. 
Outro ponto marcante foi a discussão sobre a comunicação em Libras. Muitas vezes, quando uma pessoa surda se expressa, o público volta os olhos apenas para o intérprete, esquecendo de quem realmente está falando. Esse hábito invisibiliza o sujeito e reforça barreiras simbólicas. A verdadeira inclusão exige presença e escuta ativa: olhar para quem fala, reconhecer sua voz, seus sentimentos, sua humanidade. Atenção é dignidade. 
Encerramos com um vídeo sobre a história do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil. Esse momento ampliou nossa visão, mostrando que a luta por acessibilidade é coletiva e histórica. Cada conquista, como o direito à educação inclusiva, o trabalho digno, à mobilidade urbana, nasceu da resistência e da coragem de pessoas que se recusaram a aceitar a exclusão. 
Assim, a oficina não se limitou a técnicas ou conceitos. Foi um chamado à mudança de postura, compreendendo que acessibilidade não é favor, é direito. Não é detalhe, é condição para a cidadania plena. Mais do que aprender, fomos convocadas a assumir a responsabilidade de construir uma sociedade que reconhece e valoriza todas as formas de existência. 
 
Relatoria da cursista: Isabelly Cristiny Agapito Marini

sexta-feira, 10 de julho de 2026

9ª OFICINA DE 2026

Luta e direitos LGBTQIA+

Na oficina do dia 20 de Junho, a aula se iniciou com uma dinâmica de perguntar quantas pessoas de cada bandeira LGBTQIA+ estavam presentes na aula. Em seguida, a facilitadora Gabs explicou o significado de cada cor de cada bandeira da comunidade. 

A bandeira lésbica atual tem 3 diferentes cores e 5 diferentes tonalidades. A cor laranja representa a não conformidade de gênero; a cor laranja claro significa a independência de homens; o branco é o simbolismo das relações únicas com feminilidade; enquanto o rosa claro representa a seriedade e paz, e por último, o rosa escuro representa o amor, o sexo e a feminilidade. Mas a antiga bandeira lésbica, representada pelo fundo roxo, associado ao movimento feminista e lésbico, e com um machado preto centralizado, associado com a mitologia grega e simboliza as Amazonas, tem muita relevância para a comunida lésbica e até hoje tem algumas mulheres da comunidade que se sentem representadas por ela. Além das bandeiras, foi explicado também a distinção entre o que é sáfico e o que é lésbico. Sáfico é associado a poetisa Safos, que escrevia sobre histórias de amor entre mulheres, representa relacionamentos entre duas mulheres, sem necessariamente as duas, ou alguma, ser lésbica, enquanto lésbico é associado à ilha de Lesbos, e significa o relacionamento entre duas mulheres lésbicas.

A bandeira Trans é representada por 3 cores, o azul claro, que representa os homens e as identidades tradicionalmente masculinas; o rosa claro, representando as mulheres e as identidades tradicionalmente femininas, e o branco, associado às pessoas não-binárias

A bandeira bissexual é composta por magenta, roxo e azul. O magenta associa-se ao interesse entre pessoa do mesmo sexo; o roxo à intersecção do interesse em qualquer pessoa, e o azul o interesse entre pessoas do sexo oposto. 

Após a explicação da facilitadora Gabs, foi realizada uma atividade em grupos de até 5 pessoas, onde foram distribuídos o poema de Dry Neres e o poema Tempos Sombrios de Alexandre Bernardo, ambos da coletânea Volúppia: Prece Silenciosa. Corpo em fúria, lançado pela Academia Valparaisense de Letras. E conversando com o grupo, devíamos responder as perguntas “1. Que formas de preconceito, exclusão ou silenciamento aparecem no conto?” e “2. O que as situações retratadas no conto revelam sobre as lutas históricas e os desafios que a população LGBTQIAPN+ ainda enfrenta na atualidade?”. 

Em geral, os grupos apontaram formas de preconceito, exclusão e silenciamento a utilização da expressão “mimimi”, os números altos de assassinato de pessoas LGBTQIA+, as relações de poder do conforto em demonstrar ódio à populações vulneráveis, a estigmatização do HIV/Aids como “doença da culpa”, o medo em se assumir na sociedade e dentro do ambiente familiar e o sofrimento psíquico da comunidade. Ademais, foram encontrados atributos de silenciamento, dentro e fora da comunidade, que seria a imprudência da própria comunidade aos métodos de proteção à ISTs e a negligência quanto ao uso recorrente de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV), PEP (Profilaxia Pós-Exposição à HIV) e pílula do dia seguinte; 

Após a dinâmica, foi apresentado um vídeo que debate se a comunidade LGBTQIAPN+ é privilegiada. Os apresentadores apresentaram o conceito de privilégio como a situação de superioridade amparada por lei ou não ou costumes decorrentes da distribuição desigual do poder político, e os direitos como o conjunto de normas da vida em sociedade que buscam expressar e alcançar o ideal justiça, traçando as fronteiros do ilegal e do obrigatório, normas do que pode ou não fazer dentro da sociedade.

Ademais, as leis de sodomia, uma lei que define certos atos sexuais como crimes, elucidaram não só como não há privilégios, mas como há perseguição à comunidade LGBTQIAPN+. Foi trago a seguinte linha temporal:

Até 1985 a homosexualidade era tratada como doença mental;

Em 2005, a comunidade LGBTQIAPN+ ganha o direito de adoção; 

Apenas em 2011, a comunidade ganhou o direito de união estável e em 2013, o direito ao casamento.

Em 2018, pessoas trans e não-binárias tiveram o direito a alteração de nome e gênero no direito civil.

Apenas em 2019 a transexualidade foi retirada da lista de transtornos mentais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e teve a inclusão da homofobia e da transfobia no crime de racismo. 

Apesar da luta por direitos, é importante ressaltar que esses direitos não foram conseguidos pelo poder legislativo e ainda são insuficientes para a proteção à plena cidadania e dignidade. Ainda há muitas lutas para serem conquistadas, como por exemplo, o direito à vida e dignidade humana de pessoas trans, visto que,o Brasil lidera o ranking de país que mais assassina pessoas trans no mundo a 18 anos consecutivos. 

O posicionamento contra quaisquer preconceitos e formas de silenciamento que percorrem à comunidade não são opcionais, trata-se de uma questão de sobrevivência. Discursos de ódio não devem ser interpretados como liberdade de expressão e a liberdade religiosa, que é um elemento historicamente homofóbico, não deve ser utilizada para agredir a existência de outras pessoas. 

Em contrapartida, há o pink money, o ato de fingir apoiar e estar incluso em causas LGBTQIA+ para “apoio” social, sem de fato representar a causa. Isso ficou evidente com a falta de apoio de empresas na parada gay que ocorreu em 2026. 

Os direitos humanos devem ser pautas de todos os políticos, independente de partido político. Entretanto, devido não só a escassez de pautas LGBTQIAPN+ nos discursos de candidatos políticos, mas o ódio contra eles, a comunidade conquista seus direitos de forma independente.

O denominado direito achado na rua refere-se ao direito que não é igual às normas, mas age como a forma crua do direito, o fenômeno que se expressa nas lutas organizadas que as pessoas vão demandar questões e vão refletir em vida de liberdade e dignidade. O sentido das lutas são os direitos em si. Às vezes as leis podem expressar ou podem negar e retirar direitos. A prática dos direitos vai além das palavras na lei, pois não há justiça quando não há mecanismos de implementar direitos. 

Ademais, as PLPs questionaram-se do por quê as famílias LGBTs são retratadas como famílias disfuncionais e não tradicionais enquanto a heteronormatividade apresenta pais que violentam seus filhos psicologicamente e sexualmente? 

É possível ver que a educação sexual no Brasil é um tabu e alvo de críticas de pessoas conservadoras e religiosas. Entende-se que no pensamento abusador a educação sexual vai incentivar o abuso sexual e induzir crianças a serem LGBTs, enquanto o intuito é ensinar a identificar violências sexuais, psicológicas e físicas contra criancas e adolescentes, assim como ensiná-las a distinguir o que é gênero e o que é sexualidade. Essa linha de raciocínio se dá pela educação sexual ser heterocentrada, ou seja, ser voltada a falar apenas sobre relacionamentos heteronormativos, enquanto a orientação sexual para pessoas LGBTs são negligenciadas ou até inexistentes

Dessa forma, o ataque contra os poucos progressos da educação sexual impedem que haja práticas concretas e contribuem para a estigmatização de prevenção e promoção à saúde que são importantes. Como por exemplo, a vacina do HPV, que recebeu diversos nomes em sua trajetória na saúde pública do Brasil, a nomenclatura da “vacina HPV” foi vista como um método de intervenção sexual para as crianças, fazendo com que os pais não vacinarem seus filhos por nomeação; quando denominou “vacina dos 14 anos” e/ou “vacina contra câncer de colo do útero” os responsáveis estavam aptos a vacinar. 

A aula contribuiu para as cursistas PLPs através do acesso à comunicação, informação e educação em sexualidade, essas que são tão ineficientes na sociedade civil. É muito precioso e importante que tenhamos espaço para aprender as variáveis que interseccionam com os direitos as mulheres. 

Por fim, como última dinâmica da aula, cada cursista citou uma pessoa LGBT que admira, possibilitando que vejamos como parentes, amigos, companheiras, colegas e até próprias cursistas, que estão presentes ou já se foram, são admirados e amados mesmo que não saibam. 

Relatoria da Cursista: Luiza Cunha

Brasília, 20 de Junho de 2026.


quarta-feira, 24 de junho de 2026

8ª OFICINA DE 2026

 Dia 13 de Junho de 2026, as Promotoras Legais Populares deram aula sobre Diversidade Religiosa e Laicidade, com as convidadas Marga Stoher e Mara Parlow, teólogas. 

A aula iniciou com o questionamento de  por que Deus é retratado sempre como um só, no singular. Assim como a figura religiosa sempre é retratada como masculina. Após uma dinâmica em grupo onde cada mulher apresentou sua conexão com a própria religiosidade, pudemos concluir que a religião é híbrida, raiz e sentir-se abençoado quando alguém diz “Deus te abençoe” e responder “amém” mesmo não estando presente em um ambiente religioso. Por outro lado, o fanatismo religioso age por retirar a possibilidade desse hibridismo, solidificando o entendimento de uma única verdade religiosa como absoluta e deslegitimando a possibilidade de uma verdade plural. 

 A teóloga Mara explicou que o termo Religião vem do latim “religare” e representa a busca humana por restabelecer conexão. A religião é um conjunto de valores, crenças, rituais e normas que conectam a humanidade a elementos transcendentes, espirituais ou divinos, podendo ser expressados por doutrinas, textos sagrados e práticas. Para além da materialidade, é a condição inefável que não pode ser explicada.  Ela é, também,  historicamente patriarcal, e uma representação desse fenômeno é o conceito de “dar nome”. Biblicamente “dar nome” é cuidar e conviver com as criaturas, mas da perspectiva monoteísta e patriarca, interpreta-se como dominação. 

Religião é diferente de religiosidade. Enquanto a religião é a formalização institucional e coletiva da fé, a religiosidade é a vivência individual e subjetiva dessa espiritualidade, podendo existir fora dos templos ou grupos organizados. Já a espiritualidade é a busca humana por significados, propósito e conexão com algo maior do que si mesmo. Não está necessariamente ligada a uma religião institucional.  

A religiosidade foi fundamental para a criação e difusão da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) de 1948, que declara que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Mas o que significa de fato ser livre e ter liberdade? Ser digna e ter dignidade? O que é ter direito? Esses questionamentos foram apresentados pela teóloga Marga e impulsionaram o restante do debate. 

Em 1993, a campanha dos Direitos Humanos (DH) foi representada pela frase “sem as mulheres os direitos não são humanos”. Segundo as Nações Unidas, os DH são garantias jurídicas universais que protegem indivíduos e grupos contra ações ou omissões dos governos que atentem contra a dignidade humana. Os pilares da DUDH são o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à dignidade e os DH são universais, históricos, indivisíveis, interdependentes, inalienáveis, imprescritíveis e irrenunciáveis. E o Programa Nacional dos Direitos Humanos situa a dimensão religiosa na diretriz da garantia de igualdade na diversidade, a Laicidade Estatal. 

A Laicidade Estatal é um princípio jurídico-político da separação entre o Estado e a religião, garantindo a neutralidade institucional e proibindo que o governo se porte baseado em uma religião oficial, favorecendo credos específicos ou baseando leis em dogmas teológicos. Trata-se de uma forma pétrea, isto é, não passível de modificação. 

Em outro módulo da aula, a facilitadora Cíntia Breve retratou sobre a Veneração de Orixás. “Ori” retrata a ligação com a divindade através da consciência própria. Os orixás são líderes amados, que não carregam influências patriarcais tão fortes, podendo ser representados na forma de mulheres ou homens. A sensação de aproximação da divindade, de viver o orixá, é denominada como encarnação. Na umbanda, não há o entendimento dos orixás como distantes e inalcançáveis como é entendido com os Deuses. 

Baixar entidade são os guias que emanam de orixás, entidades de linhas diferenciadas que trazem mensagens. O movimento do viver é Exú. Enquanto os guias são colares que permitem o sentimento de conexão com entidade que passou a energia de quem passou a proteção. 

Infelizmente, as religiões de matrizes africanas são exemplos de como a intolerância religiosa é forte no Brasil apesar da Laicidade Estatal. As diferenciações de crenças entre o cristianismo e demais religiões causam intolerância religiosa. Por exemplo, no cristianismo compreende-se que após a vida há o céu e o inferno, na umbanda e no candomblé entende-se que o inferno está na pessoa, e o pós-morte é o umbral, um ambiente psíquico em que o espírito fica em agonia.

Tais diferenciações são utilizadas como uma forma de deslegitimação e violência contra a umbanda e o candomblé, principalmente quando falamos sobre o racismo religioso. O racismo é a desumanização e o racismo religioso é um dos braços do racismo estrutural, tratando-se da invalidação do sentimento religioso do negro. Em 2023 foi publicada uma alteração que pune e coibe o racismo religioso e o terrorismo religioso. 

Debater sobre a diversidade religiosa e a laicidade estatal permite compreender o pluralismo religioso e como ele se intersecciona com os diferentes papeis atribuídos às mulheres na sociedade. A religião tem papeis historicamente patriarcal que se repercutem até os dias atuais na autonomia das mulheres, como a heteronormatividade e a romantização da maternidade e a compreensão da reprodução como destino biológico feminino, por exemplo.   

Para  duas autoras ateias, a aula ensinou sobre religiosidade de uma forma bonita, respeitosa, esperançosa e sincera, reconhecendo a parte boa e a ruim. O sentimento que prevalece é que apesar de não acreditarmos em um Deus, sempre acreditamos que é possível que o próximo possa acreditar.

Relatoria da cursista: Eduarda Berto e Luiza Cunha


Brasília, 13 de Junho de 2026.