sexta-feira, 7 de agosto de 2026

10ª OFICINA DE 2026

DIREITO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


A oficina do dia 27/06 teve início com a exibição de um vídeo da primeira edição do Festival Funarte Acessibilidança, Depois do Silêncio. A obra, que une o teatro, a dança e as Libras, narra a trajetória de Helen Keller, uma jovem surdocega que se tornou símbolo mundial de superação, e de Anne Sullivan, uma mulher com baixa visão que dedicou sua vida a ajudá-la a se comunicar e conquistar autonomia. Ao assistir, fomos convidados a perceber como a arte pode ser mais do que expressão estética, ela pode ser ferramenta de inclusão, ponte de diálogo e motor de transformação social. 
Logo depois a turma foi dividida em dois grupos: as que usavam óculos permaneceram na sala, enquanto as demais foram para fora. Com o grupo das pessoas de óculos, surgiu um tema essencial: a autodescrição. Muitas vezes esquecemos desse recurso porque partimos da ideia de que todos enxergam da mesma forma. Mas a autodescrição é um gesto de respeito, um ato de acessibilidade que garante a participação plena de pessoas cegas ou com baixa visão. É consciência coletiva, é responsabilidade social. 
Na atividade seguinte, cada pessoa de óculos deveria guiar uma pessoa que estivesse vendada. O primeiro passo foi se apresentar e fazer sua autodescrição, usando de apoio a música cabeça, ombro, joelho e pé para lembrar a ordem. O exercício revelou uma falha cultural, não aprendemos a descrever o mundo em palavras. Dependemos tanto da visão que esquecemos de traduzir o espaço, os gestos e os detalhes para quem não vê. Foi um momento de descoberta e de desconforto, que nos fez pensar sobre o quanto ainda precisamos aprender a comunicar o invisível. 
Outro ponto marcante foi a discussão sobre a comunicação em Libras. Muitas vezes, quando uma pessoa surda se expressa, o público volta os olhos apenas para o intérprete, esquecendo de quem realmente está falando. Esse hábito invisibiliza o sujeito e reforça barreiras simbólicas. A verdadeira inclusão exige presença e escuta ativa: olhar para quem fala, reconhecer sua voz, seus sentimentos, sua humanidade. Atenção é dignidade. 
Encerramos com um vídeo sobre a história do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil. Esse momento ampliou nossa visão, mostrando que a luta por acessibilidade é coletiva e histórica. Cada conquista, como o direito à educação inclusiva, o trabalho digno, à mobilidade urbana, nasceu da resistência e da coragem de pessoas que se recusaram a aceitar a exclusão. 
Assim, a oficina não se limitou a técnicas ou conceitos. Foi um chamado à mudança de postura, compreendendo que acessibilidade não é favor, é direito. Não é detalhe, é condição para a cidadania plena. Mais do que aprender, fomos convocadas a assumir a responsabilidade de construir uma sociedade que reconhece e valoriza todas as formas de existência. 
 
Relatoria da cursista: Isabelly Cristiny Agapito Marini

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