sexta-feira, 14 de agosto de 2026

13ª OFICINA DE 2026

 Oficina sobre a violência política de gênero e fake news

 
O ambiente político costuma ser extremamente violento com as mulheres, tanto com as parlamentares quanto com as eleitoras, como podemos observar nas falas de figuras “importantes” da política nacional, que proferem colocações como: “Mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras não, isso que eu tô dizendo, pode arrancar os pentelhos das calcinhas, pode fazer o que você quiser.”
Além disso, podemos observar outras formas de violência, como, por exemplo, aquelas vividas pela presidenta Dilma, que teve sua imagem submetida a uma série de depreciações, inclusive com teor sexual, de forma popularizada. Para além do aspecto político, os últimos acontecimentos envolvendo até mesmo Michelle Bolsonaro, que acusa seu partido político, o PL, de não levar em consideração suas sugestões, também evidenciam as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no ambiente político.
Sempre se busca uma forma de tirar o foco das mulheres e de suas ações políticas, além de colocá-las em determinadas “caixinhas”, como se suas contribuições não fossem importantes. É muito corriqueiro observar comparações relacionadas às roupas que as mulheres na política utilizam, algo que não costuma ocorrer da mesma forma com os parlamentares homens.
Para além dessas, que ficariam mais no campo da violência “indireta”, também conseguimos observar uma série de violências explícitas e, muitas vezes, institucionalizadas contra parlamentares. Para que fosse possível entender melhor essa questão, foi realizada uma dinâmica na qual avaliamos notícias que evidenciam tais situações. 
O assassinato da vereadora Marielle Franco aparece, infelizmente, como uma marca significativa de tal dado alarmante. Mesmo após sua morte, Marielle teve sua dignidade invadida, sendo alvo de fake news que insinuavam que seu assassinato teria acontecido em razão de um suposto relacionamento com alguém ligado ao tráfico. 
Outro exemplo de institucionalização da violência foi a inserção das fotos das deputadas Erika Hilton e Duda Salabert, pela Polícia Civil de Pernambuco, em um álbum de reconhecimento fotográfico de suspeitas. Tal inserção é completamente ilógica, pois ambas são parlamentares, não havendo o menor sentido em incluí-las em um documento com imagens de suspeitas a serem exibidas à vítima, que teria sido alvo de roubo em fevereiro de 2025. A própria Defensoria apontou que “a seleção das imagens não seguiu critérios técnicos, mas sim características identitárias, como gênero e raça”. 
Outro exemplo de violência sofrida pela deputada Erika Hilton foi o episódio em que o deputado Abílio Brunini (PL) foi acusado de violência política de gênero contra a deputada. Após um debate, em que Erika afirmou que Brunini estava “carente”, o deputado respondeu: “Por que, tá precisando de serviço?”. Tal frase remete diretamente ao estigma sexual que muitas mulheres, especialmente mulheres trans, enfrentam. 
Infelizmente, a violência política se manifesta de diversas formas, como no caso envolvendo as ex-deputadas estaduais de São Paulo Isa Penna (PCdoB), no processo contra o ex-deputado Fernando Cury (União Brasil), acusado de importunação sexual, registrada em vídeo durante uma sessão realizada na Alesp. 
Tendo em perspectiva tais situações, debatemos alguns pontos importantes, como qual seria o limite do debate político, do qual, de modo geral, concluímos que seria o respeito. Buscamos entender também onde seria possível identificar a violência de gênero, e entendo que podemos observar com atenção a forma como o discurso é transmitido e construído.
Para além disso, também debatemos como seria possível identificar uma fake news, a partir da análise da fonte da notícia, da realização de pesquisas e de outras formas de verificação. Por fim, buscamos entender quais seriam os mecanismos para evitar o engajamento em notícias falsas. De maneira geral, ficou entendido que a principal medida seria não compartilhar a notícia e realizar a denúncia ao veículo que a compartilhou.
As reflexões do dia foram de extrema importância. Somente com muita informação e percepção será possível entender onde as violências nos atingem e buscar mecanismos de combate.

Relatoria da cursista:  Letícia Alves Lopes  

Brasília, 01 de Agosto de 2026.


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