sexta-feira, 14 de agosto de 2026

14ª OFICINA DE 2026

Conscientização sobre tráfico de pessoas


A oficina desse dia (08 de Agosto de 2026) foi realizada com as PLPs de Águas Lindas. 
Saímos às 8h30 de Ceilândia e fomos recebidas pelas companheiras do entorno no IFG, onde elas realizam suas oficinas. Na biblioteca, éramos várias mulheres, rostos conhecidos e novos. 
A primeira dinâmica foi de apresentação, formamos duplas, preferentemente entre uma mulher do núcleo de Águas Lindas e outra de Ceilândia para trocar uma ideia, se apresentar, informações como nome, idade, em qual cidade mora e algo que goste de fazer ou se sinta caracterizada por isso, logo, nos apresentamos para a grande roda, foi bonito.
As facilitadoras do tema do dia eram duas assistentes sociais, Yasmin, que trabalha na Defensoria Pública do Distrito Federal e Stephane, que está cursando residência pela Fiocruz, e ambas fazem parte do núcleo de investigação sobre tráfico de pessoas da UnB. 
O tema, sensível, pareceu ter tirado o ar da turma, que escutou em silêncio. Aprendemos sobre as características do tráfico de pessoas, como costuma acontecer, quais os respaldos jurídicos para as vítimas, e também quais as formas de prevenção. 
Para continuar aprofundando o tema, nos dividimos em seis grupos e cada um recebeu um caso para discutir e levantar hipóteses de formas de prevenção e proteção. Havia temas como trabalhadora doméstica sem nenhum tipo de direito, pessoa em situação de exploração sexual, sequestro de bebês, exploração de trabalho entre outros. 
Antes dos grupos, tivemos uma pausa para o lanche, e Águas Lindas arrasou com a variedade de frutas e comidas gostosas (queremos visitar mais vezes!).
Finalizamos a atividade do dia apresentando as discussões de caso e que cada uma falasse uma palavra que marcou aquele encontro. Entre todas as palavras, o nome de Rosa Maria, referência para as PLPs do DF e GO, encheu aquele espaço para recordar porquê lutamos.

Relatoria da cursista: Mariana Lemes 


Águas Líndas, 8 de Agosto de 2026.


13ª OFICINA DE 2026

 Oficina sobre a violência política de gênero e fake news

 
O ambiente político costuma ser extremamente violento com as mulheres, tanto com as parlamentares quanto com as eleitoras, como podemos observar nas falas de figuras “importantes” da política nacional, que proferem colocações como: “Mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras não, isso que eu tô dizendo, pode arrancar os pentelhos das calcinhas, pode fazer o que você quiser.”
Além disso, podemos observar outras formas de violência, como, por exemplo, aquelas vividas pela presidenta Dilma, que teve sua imagem submetida a uma série de depreciações, inclusive com teor sexual, de forma popularizada. Para além do aspecto político, os últimos acontecimentos envolvendo até mesmo Michelle Bolsonaro, que acusa seu partido político, o PL, de não levar em consideração suas sugestões, também evidenciam as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no ambiente político.
Sempre se busca uma forma de tirar o foco das mulheres e de suas ações políticas, além de colocá-las em determinadas “caixinhas”, como se suas contribuições não fossem importantes. É muito corriqueiro observar comparações relacionadas às roupas que as mulheres na política utilizam, algo que não costuma ocorrer da mesma forma com os parlamentares homens.
Para além dessas, que ficariam mais no campo da violência “indireta”, também conseguimos observar uma série de violências explícitas e, muitas vezes, institucionalizadas contra parlamentares. Para que fosse possível entender melhor essa questão, foi realizada uma dinâmica na qual avaliamos notícias que evidenciam tais situações. 
O assassinato da vereadora Marielle Franco aparece, infelizmente, como uma marca significativa de tal dado alarmante. Mesmo após sua morte, Marielle teve sua dignidade invadida, sendo alvo de fake news que insinuavam que seu assassinato teria acontecido em razão de um suposto relacionamento com alguém ligado ao tráfico. 
Outro exemplo de institucionalização da violência foi a inserção das fotos das deputadas Erika Hilton e Duda Salabert, pela Polícia Civil de Pernambuco, em um álbum de reconhecimento fotográfico de suspeitas. Tal inserção é completamente ilógica, pois ambas são parlamentares, não havendo o menor sentido em incluí-las em um documento com imagens de suspeitas a serem exibidas à vítima, que teria sido alvo de roubo em fevereiro de 2025. A própria Defensoria apontou que “a seleção das imagens não seguiu critérios técnicos, mas sim características identitárias, como gênero e raça”. 
Outro exemplo de violência sofrida pela deputada Erika Hilton foi o episódio em que o deputado Abílio Brunini (PL) foi acusado de violência política de gênero contra a deputada. Após um debate, em que Erika afirmou que Brunini estava “carente”, o deputado respondeu: “Por que, tá precisando de serviço?”. Tal frase remete diretamente ao estigma sexual que muitas mulheres, especialmente mulheres trans, enfrentam. 
Infelizmente, a violência política se manifesta de diversas formas, como no caso envolvendo as ex-deputadas estaduais de São Paulo Isa Penna (PCdoB), no processo contra o ex-deputado Fernando Cury (União Brasil), acusado de importunação sexual, registrada em vídeo durante uma sessão realizada na Alesp. 
Tendo em perspectiva tais situações, debatemos alguns pontos importantes, como qual seria o limite do debate político, do qual, de modo geral, concluímos que seria o respeito. Buscamos entender também onde seria possível identificar a violência de gênero, e entendo que podemos observar com atenção a forma como o discurso é transmitido e construído.
Para além disso, também debatemos como seria possível identificar uma fake news, a partir da análise da fonte da notícia, da realização de pesquisas e de outras formas de verificação. Por fim, buscamos entender quais seriam os mecanismos para evitar o engajamento em notícias falsas. De maneira geral, ficou entendido que a principal medida seria não compartilhar a notícia e realizar a denúncia ao veículo que a compartilhou.
As reflexões do dia foram de extrema importância. Somente com muita informação e percepção será possível entender onde as violências nos atingem e buscar mecanismos de combate.

Relatoria da cursista:  Letícia Alves Lopes  

Brasília, 01 de Agosto de 2026.


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

12ª OFICINA DE 2026

Três poderes e sistema eleitoral


Na oficina do dia 11 de julho, houve uma aula sobre como os discursos de partidos políticos, orientados por diferentes ideologias, valores e correntes filosóficas, são promovidos em suas campanhas eleitorais em ano eleitoral. Foram abordados a distinção entre os espectros políticos de esquerda e direita, que carregam essas ideias amplamente reproduzidas no debate público e que são decisivas para a elaboração de políticas públicas e na participação social. 
O encontro das PLPs se iniciou com uma dinâmica em que uma das facilitadoras simulou ser uma candidata apresentando propostas de campanha eleitoral. A facilitadora começou a dinâmica com um tema bastante polêmico reproduzido por figuras públicas: o punitivismo penal e o combate à criminalidade. Essa pauta que conta com apoio de grandes grupos de massas da população e transcende a polarização política, sendo uma das consequências diretas da desigualdade social em diferentes regiões brasileiras.
A partir disso, a dinâmica funcionou em rodízio, em que uma cursista simulava ser um político defendendo suas propostas e ideias de campanha, as demais “votavam” ao se deslocar para o seu lado da candidata se concordassem com a proposta ou permaneciam em seus lugares. Essa atividade nos faz refletir sobre como funciona o debate eleitoral promovido por figuras públicas na política e o seu impacto retórico com o apoio da massas e determinadas ideias de campanha. 
Para entender como funciona o debate político atual, a conjuntura política passou por acontecimentos marcantes nos últimos 12 anos no Brasil: as Jornadas de Junho, que foram uma série de protestos populares pela insatisfação com a baixa qualidade dos serviços públicos de saúde ocorridos no Brasil em junho de 2013; a eleição presidencial de 2014 no Brasil foi marcada pela disputa presidencial polarizada entre Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), com a reeleição de Dilma Rousseff no segundo turno; a Operação Lava Jato, que foi uma grande operação de investigação de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a participação do poder público e o setor privado, provocando rejeição e falta de confiança da população no governo na época; em 2016 ocorreu o impeachment presidencial de Dilma Rousseff, que aprofundou a polarização política entre direita e esquerda; a eleição presidencial de 2018 ficou marcada por uma forte guinada à direita com a ascensão do bolsonarismo, que abraçou o sentimento antipetista e antissistema orientado pelo discurso anticorrupção, com pautas conservadoras e a defesa do liberalismo econômico, e a comunicação político-eleitoral com o uso massivo de redes sociais; a polarização política continuou durante a pandemia de COVID-19, quando se passou a politizar a saúde pública ao gerar debates divididos sobre o isolamento social, questionamento da ciência e a eficácia das vacinas; por fim, a última eleição de 2022 foi marcada pela disputa presidencial que representou os espectros de esquerda e direita, assim como a divisão política provocou divergências que moldaram as relações familiares e grupos de amizade, pautadas pela dinâmica das redes sociais.  
Após a primeira dinâmica, foi ministrada uma aula sobre a divisão dos Três Poderes e o seu papel na formação do Estado. De acordo com a Constituição de 1988, o Estado brasileiro é dividido pelo Executivo, responsável pela governabilidade da administração pública e pela execução de políticas públicas que atendem às necessidades da população. Já o poder Judiciário tem como função garantir a aplicação das leis em casos concretos para resolver conflitos entre cidadãos, entidades públicas e privadas, e o próprio Estado, ao julgar causas e garantir direitos constitucionais. Por fim, o poder Legislativo é responsável por criar as leis e fiscalizar o Poder Executivo. 
A oficina contou com a participação da convidada Tetê Monteiro, ativista de direitos humanos e de movimentos sociais, dirigente do PSOL e, sobretudo, é uma PLP. Sua trajetória no partido é marcada pela luta pelos direitos sociais, especialmente de grupos marginalizados, aqui no Distrito Federal. Sua participação na oficina foi essencial para ajudar as cursistas a entender o funcionamento dos Três Poderes, do sistema eleitoral e a forma como ambos definem os rumos da política, trazendo exemplos com base na sua trajetória e militância na política. 
Após a explicação sobre os Três Poderes e o sistema federativo, houve uma segunda dinâmica em duplas com cartas, onde tínhamos que colocar no grupo de cartas qual informação estava associada aos Três Poderes do Brasil. Após cada grupo responder agrupando as cartas, foi feita uma explicação sobre relação e interação entre as instituições, competência ou função pertence a determinado Poder, ao explicar suas diferenças e semelhanças. 
Essa oficina contribuiu para o aprendizado das cursistas sobre conceitos que costumam ser complexos, auxiliando na compreensão de como funciona o Estado brasileiro a partir da lógica política da Constituição Federal de 1988. O encontro das PLPs foi participativa na troca de conhecimento e ideias, que puderam trazer suas dúvidas, e as intervenções da convidada foram fundamentais para esclarecer conceitos políticos e enriqueceu as discussões em torno do tema. 
Ao longo de todo o encontro, as discussões promoveram reflexões que ajudaram a desmistificar a ideia de que "política não se discute". Se desmontou a ideia da polarização entre os dois lados dos espectros políticos ao contrapor propondo que discutir política é uma forma legítima de exercer a nossa cidadania. Para nós mulheres, sendo PLPs enquanto movimento social, ao conhecer nossos direitos e deveres como parte da sociedade, além de ser uma força de militância política fundamental reivindicação popular de melhorias e denunciar desigualdades sociais.

Relatoria da cursista: Erika de Souza

Brasília, 11 de Julho de 2026

11ª OFICINA DE 2026

Partidos políticos, esquerda e direita


A aula do dia 04/07 começou com uma dinâmica em grupos, na qual construímos nuvens de palavras a partir dos termos política, esquerda e direita. 
A atividade mostrou que essas palavras despertam diferentes percepções e sentimentos, revelando como nossas vivências e os contextos em que estamos inseridas influenciam a forma como entendemos esses conceitos. 
Depois, discutimos o significado da política e a importância da atuação dos movimentos sociais. A conversa reforçou que política não se resume às eleições ou aos partidos, mas está presente nas decisões que afetam nosso cotidiano e na luta pela garantia de direitos. 
Na segunda parte da aula, conhecemos a origem histórica dos termos esquerda e direita, relacionados à Revolução Francesa, e conversamos sobre como esses conceitos foram sendo transformados ao longo do tempo. Foi explicado que, embora existam diferentes correntes políticas, de forma geral a esquerda costuma defender políticas voltadas para a redução das desigualdades sociais e maior atuação do Estado, enquanto a direita tende a priorizar a liberdade econômica, a iniciativa privada e uma menor intervenção estatal. Também foi ressaltado que essas definições não são absolutas e que existem diferentes posicionamentos dentro de cada campo político. 
Por fim, refletimos sobre a forma como as pautas feministas podem ser apropriadas por diferentes grupos políticos. A discussão mostrou a importância de analisar criticamente esses discursos, compreendendo que um mesmo tema pode ser defendido sob perspectivas distintas, com propostas e objetivos diferentes. Esse debate contribuiu para desenvolver um olhar mais atento sobre as relações entre política, direitos das mulheres e participação social. 
A aula foi importante para ampliar a compreensão sobre o significado da política para além do senso comum.

Relatoria da cursista: Manuela Rodrigues

Brasília, 04 de Julho de 2026.

10ª OFICINA DE 2026

DIREITO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


A oficina do dia 27/06 teve início com a exibição de um vídeo da primeira edição do Festival Funarte Acessibilidança, Depois do Silêncio. A obra, que une o teatro, a dança e as Libras, narra a trajetória de Helen Keller, uma jovem surdocega que se tornou símbolo mundial de superação, e de Anne Sullivan, uma mulher com baixa visão que dedicou sua vida a ajudá-la a se comunicar e conquistar autonomia. Ao assistir, fomos convidados a perceber como a arte pode ser mais do que expressão estética, ela pode ser ferramenta de inclusão, ponte de diálogo e motor de transformação social. 
Logo depois a turma foi dividida em dois grupos: as que usavam óculos permaneceram na sala, enquanto as demais foram para fora. Com o grupo das pessoas de óculos, surgiu um tema essencial: a autodescrição. Muitas vezes esquecemos desse recurso porque partimos da ideia de que todos enxergam da mesma forma. Mas a autodescrição é um gesto de respeito, um ato de acessibilidade que garante a participação plena de pessoas cegas ou com baixa visão. É consciência coletiva, é responsabilidade social. 
Na atividade seguinte, cada pessoa de óculos deveria guiar uma pessoa que estivesse vendada. O primeiro passo foi se apresentar e fazer sua autodescrição, usando de apoio a música cabeça, ombro, joelho e pé para lembrar a ordem. O exercício revelou uma falha cultural, não aprendemos a descrever o mundo em palavras. Dependemos tanto da visão que esquecemos de traduzir o espaço, os gestos e os detalhes para quem não vê. Foi um momento de descoberta e de desconforto, que nos fez pensar sobre o quanto ainda precisamos aprender a comunicar o invisível. 
Outro ponto marcante foi a discussão sobre a comunicação em Libras. Muitas vezes, quando uma pessoa surda se expressa, o público volta os olhos apenas para o intérprete, esquecendo de quem realmente está falando. Esse hábito invisibiliza o sujeito e reforça barreiras simbólicas. A verdadeira inclusão exige presença e escuta ativa: olhar para quem fala, reconhecer sua voz, seus sentimentos, sua humanidade. Atenção é dignidade. 
Encerramos com um vídeo sobre a história do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil. Esse momento ampliou nossa visão, mostrando que a luta por acessibilidade é coletiva e histórica. Cada conquista, como o direito à educação inclusiva, o trabalho digno, à mobilidade urbana, nasceu da resistência e da coragem de pessoas que se recusaram a aceitar a exclusão. 
Assim, a oficina não se limitou a técnicas ou conceitos. Foi um chamado à mudança de postura, compreendendo que acessibilidade não é favor, é direito. Não é detalhe, é condição para a cidadania plena. Mais do que aprender, fomos convocadas a assumir a responsabilidade de construir uma sociedade que reconhece e valoriza todas as formas de existência. 
 
Relatoria da cursista: Isabelly Cristiny Agapito Marini

sexta-feira, 10 de julho de 2026

9ª OFICINA DE 2026

Luta e direitos LGBTQIA+

Na oficina do dia 20 de Junho, a aula se iniciou com uma dinâmica de perguntar quantas pessoas de cada bandeira LGBTQIA+ estavam presentes na aula. Em seguida, a facilitadora Gabs explicou o significado de cada cor de cada bandeira da comunidade. 

A bandeira lésbica atual tem 3 diferentes cores e 5 diferentes tonalidades. A cor laranja representa a não conformidade de gênero; a cor laranja claro significa a independência de homens; o branco é o simbolismo das relações únicas com feminilidade; enquanto o rosa claro representa a seriedade e paz, e por último, o rosa escuro representa o amor, o sexo e a feminilidade. Mas a antiga bandeira lésbica, representada pelo fundo roxo, associado ao movimento feminista e lésbico, e com um machado preto centralizado, associado com a mitologia grega e simboliza as Amazonas, tem muita relevância para a comunida lésbica e até hoje tem algumas mulheres da comunidade que se sentem representadas por ela. Além das bandeiras, foi explicado também a distinção entre o que é sáfico e o que é lésbico. Sáfico é associado a poetisa Safos, que escrevia sobre histórias de amor entre mulheres, representa relacionamentos entre duas mulheres, sem necessariamente as duas, ou alguma, ser lésbica, enquanto lésbico é associado à ilha de Lesbos, e significa o relacionamento entre duas mulheres lésbicas.

A bandeira Trans é representada por 3 cores, o azul claro, que representa os homens e as identidades tradicionalmente masculinas; o rosa claro, representando as mulheres e as identidades tradicionalmente femininas, e o branco, associado às pessoas não-binárias

A bandeira bissexual é composta por magenta, roxo e azul. O magenta associa-se ao interesse entre pessoa do mesmo sexo; o roxo à intersecção do interesse em qualquer pessoa, e o azul o interesse entre pessoas do sexo oposto. 

Após a explicação da facilitadora Gabs, foi realizada uma atividade em grupos de até 5 pessoas, onde foram distribuídos o poema de Dry Neres e o poema Tempos Sombrios de Alexandre Bernardo, ambos da coletânea Volúppia: Prece Silenciosa. Corpo em fúria, lançado pela Academia Valparaisense de Letras. E conversando com o grupo, devíamos responder as perguntas “1. Que formas de preconceito, exclusão ou silenciamento aparecem no conto?” e “2. O que as situações retratadas no conto revelam sobre as lutas históricas e os desafios que a população LGBTQIAPN+ ainda enfrenta na atualidade?”. 

Em geral, os grupos apontaram formas de preconceito, exclusão e silenciamento a utilização da expressão “mimimi”, os números altos de assassinato de pessoas LGBTQIA+, as relações de poder do conforto em demonstrar ódio à populações vulneráveis, a estigmatização do HIV/Aids como “doença da culpa”, o medo em se assumir na sociedade e dentro do ambiente familiar e o sofrimento psíquico da comunidade. Ademais, foram encontrados atributos de silenciamento, dentro e fora da comunidade, que seria a imprudência da própria comunidade aos métodos de proteção à ISTs e a negligência quanto ao uso recorrente de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV), PEP (Profilaxia Pós-Exposição à HIV) e pílula do dia seguinte; 

Após a dinâmica, foi apresentado um vídeo que debate se a comunidade LGBTQIAPN+ é privilegiada. Os apresentadores apresentaram o conceito de privilégio como a situação de superioridade amparada por lei ou não ou costumes decorrentes da distribuição desigual do poder político, e os direitos como o conjunto de normas da vida em sociedade que buscam expressar e alcançar o ideal justiça, traçando as fronteiros do ilegal e do obrigatório, normas do que pode ou não fazer dentro da sociedade.

Ademais, as leis de sodomia, uma lei que define certos atos sexuais como crimes, elucidaram não só como não há privilégios, mas como há perseguição à comunidade LGBTQIAPN+. Foi trago a seguinte linha temporal:

Até 1985 a homosexualidade era tratada como doença mental;

Em 2005, a comunidade LGBTQIAPN+ ganha o direito de adoção; 

Apenas em 2011, a comunidade ganhou o direito de união estável e em 2013, o direito ao casamento.

Em 2018, pessoas trans e não-binárias tiveram o direito a alteração de nome e gênero no direito civil.

Apenas em 2019 a transexualidade foi retirada da lista de transtornos mentais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e teve a inclusão da homofobia e da transfobia no crime de racismo. 

Apesar da luta por direitos, é importante ressaltar que esses direitos não foram conseguidos pelo poder legislativo e ainda são insuficientes para a proteção à plena cidadania e dignidade. Ainda há muitas lutas para serem conquistadas, como por exemplo, o direito à vida e dignidade humana de pessoas trans, visto que,o Brasil lidera o ranking de país que mais assassina pessoas trans no mundo a 18 anos consecutivos. 

O posicionamento contra quaisquer preconceitos e formas de silenciamento que percorrem à comunidade não são opcionais, trata-se de uma questão de sobrevivência. Discursos de ódio não devem ser interpretados como liberdade de expressão e a liberdade religiosa, que é um elemento historicamente homofóbico, não deve ser utilizada para agredir a existência de outras pessoas. 

Em contrapartida, há o pink money, o ato de fingir apoiar e estar incluso em causas LGBTQIA+ para “apoio” social, sem de fato representar a causa. Isso ficou evidente com a falta de apoio de empresas na parada gay que ocorreu em 2026. 

Os direitos humanos devem ser pautas de todos os políticos, independente de partido político. Entretanto, devido não só a escassez de pautas LGBTQIAPN+ nos discursos de candidatos políticos, mas o ódio contra eles, a comunidade conquista seus direitos de forma independente.

O denominado direito achado na rua refere-se ao direito que não é igual às normas, mas age como a forma crua do direito, o fenômeno que se expressa nas lutas organizadas que as pessoas vão demandar questões e vão refletir em vida de liberdade e dignidade. O sentido das lutas são os direitos em si. Às vezes as leis podem expressar ou podem negar e retirar direitos. A prática dos direitos vai além das palavras na lei, pois não há justiça quando não há mecanismos de implementar direitos. 

Ademais, as PLPs questionaram-se do por quê as famílias LGBTs são retratadas como famílias disfuncionais e não tradicionais enquanto a heteronormatividade apresenta pais que violentam seus filhos psicologicamente e sexualmente? 

É possível ver que a educação sexual no Brasil é um tabu e alvo de críticas de pessoas conservadoras e religiosas. Entende-se que no pensamento abusador a educação sexual vai incentivar o abuso sexual e induzir crianças a serem LGBTs, enquanto o intuito é ensinar a identificar violências sexuais, psicológicas e físicas contra criancas e adolescentes, assim como ensiná-las a distinguir o que é gênero e o que é sexualidade. Essa linha de raciocínio se dá pela educação sexual ser heterocentrada, ou seja, ser voltada a falar apenas sobre relacionamentos heteronormativos, enquanto a orientação sexual para pessoas LGBTs são negligenciadas ou até inexistentes

Dessa forma, o ataque contra os poucos progressos da educação sexual impedem que haja práticas concretas e contribuem para a estigmatização de prevenção e promoção à saúde que são importantes. Como por exemplo, a vacina do HPV, que recebeu diversos nomes em sua trajetória na saúde pública do Brasil, a nomenclatura da “vacina HPV” foi vista como um método de intervenção sexual para as crianças, fazendo com que os pais não vacinarem seus filhos por nomeação; quando denominou “vacina dos 14 anos” e/ou “vacina contra câncer de colo do útero” os responsáveis estavam aptos a vacinar. 

A aula contribuiu para as cursistas PLPs através do acesso à comunicação, informação e educação em sexualidade, essas que são tão ineficientes na sociedade civil. É muito precioso e importante que tenhamos espaço para aprender as variáveis que interseccionam com os direitos as mulheres. 

Por fim, como última dinâmica da aula, cada cursista citou uma pessoa LGBT que admira, possibilitando que vejamos como parentes, amigos, companheiras, colegas e até próprias cursistas, que estão presentes ou já se foram, são admirados e amados mesmo que não saibam. 

Relatoria da Cursista: Luiza Cunha

Brasília, 20 de Junho de 2026.


quarta-feira, 24 de junho de 2026

8ª OFICINA DE 2026

 Dia 13 de Junho de 2026, as Promotoras Legais Populares deram aula sobre Diversidade Religiosa e Laicidade, com as convidadas Marga Stoher e Mara Parlow, teólogas. 

A aula iniciou com o questionamento de  por que Deus é retratado sempre como um só, no singular. Assim como a figura religiosa sempre é retratada como masculina. Após uma dinâmica em grupo onde cada mulher apresentou sua conexão com a própria religiosidade, pudemos concluir que a religião é híbrida, raiz e sentir-se abençoado quando alguém diz “Deus te abençoe” e responder “amém” mesmo não estando presente em um ambiente religioso. Por outro lado, o fanatismo religioso age por retirar a possibilidade desse hibridismo, solidificando o entendimento de uma única verdade religiosa como absoluta e deslegitimando a possibilidade de uma verdade plural. 

 A teóloga Mara explicou que o termo Religião vem do latim “religare” e representa a busca humana por restabelecer conexão. A religião é um conjunto de valores, crenças, rituais e normas que conectam a humanidade a elementos transcendentes, espirituais ou divinos, podendo ser expressados por doutrinas, textos sagrados e práticas. Para além da materialidade, é a condição inefável que não pode ser explicada.  Ela é, também,  historicamente patriarcal, e uma representação desse fenômeno é o conceito de “dar nome”. Biblicamente “dar nome” é cuidar e conviver com as criaturas, mas da perspectiva monoteísta e patriarca, interpreta-se como dominação. 

Religião é diferente de religiosidade. Enquanto a religião é a formalização institucional e coletiva da fé, a religiosidade é a vivência individual e subjetiva dessa espiritualidade, podendo existir fora dos templos ou grupos organizados. Já a espiritualidade é a busca humana por significados, propósito e conexão com algo maior do que si mesmo. Não está necessariamente ligada a uma religião institucional.  

A religiosidade foi fundamental para a criação e difusão da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) de 1948, que declara que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Mas o que significa de fato ser livre e ter liberdade? Ser digna e ter dignidade? O que é ter direito? Esses questionamentos foram apresentados pela teóloga Marga e impulsionaram o restante do debate. 

Em 1993, a campanha dos Direitos Humanos (DH) foi representada pela frase “sem as mulheres os direitos não são humanos”. Segundo as Nações Unidas, os DH são garantias jurídicas universais que protegem indivíduos e grupos contra ações ou omissões dos governos que atentem contra a dignidade humana. Os pilares da DUDH são o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à dignidade e os DH são universais, históricos, indivisíveis, interdependentes, inalienáveis, imprescritíveis e irrenunciáveis. E o Programa Nacional dos Direitos Humanos situa a dimensão religiosa na diretriz da garantia de igualdade na diversidade, a Laicidade Estatal. 

A Laicidade Estatal é um princípio jurídico-político da separação entre o Estado e a religião, garantindo a neutralidade institucional e proibindo que o governo se porte baseado em uma religião oficial, favorecendo credos específicos ou baseando leis em dogmas teológicos. Trata-se de uma forma pétrea, isto é, não passível de modificação. 

Em outro módulo da aula, a facilitadora Cíntia Breve retratou sobre a Veneração de Orixás. “Ori” retrata a ligação com a divindade através da consciência própria. Os orixás são líderes amados, que não carregam influências patriarcais tão fortes, podendo ser representados na forma de mulheres ou homens. A sensação de aproximação da divindade, de viver o orixá, é denominada como encarnação. Na umbanda, não há o entendimento dos orixás como distantes e inalcançáveis como é entendido com os Deuses. 

Baixar entidade são os guias que emanam de orixás, entidades de linhas diferenciadas que trazem mensagens. O movimento do viver é Exú. Enquanto os guias são colares que permitem o sentimento de conexão com entidade que passou a energia de quem passou a proteção. 

Infelizmente, as religiões de matrizes africanas são exemplos de como a intolerância religiosa é forte no Brasil apesar da Laicidade Estatal. As diferenciações de crenças entre o cristianismo e demais religiões causam intolerância religiosa. Por exemplo, no cristianismo compreende-se que após a vida há o céu e o inferno, na umbanda e no candomblé entende-se que o inferno está na pessoa, e o pós-morte é o umbral, um ambiente psíquico em que o espírito fica em agonia.

Tais diferenciações são utilizadas como uma forma de deslegitimação e violência contra a umbanda e o candomblé, principalmente quando falamos sobre o racismo religioso. O racismo é a desumanização e o racismo religioso é um dos braços do racismo estrutural, tratando-se da invalidação do sentimento religioso do negro. Em 2023 foi publicada uma alteração que pune e coibe o racismo religioso e o terrorismo religioso. 

Debater sobre a diversidade religiosa e a laicidade estatal permite compreender o pluralismo religioso e como ele se intersecciona com os diferentes papeis atribuídos às mulheres na sociedade. A religião tem papeis historicamente patriarcal que se repercutem até os dias atuais na autonomia das mulheres, como a heteronormatividade e a romantização da maternidade e a compreensão da reprodução como destino biológico feminino, por exemplo.   

Para  duas autoras ateias, a aula ensinou sobre religiosidade de uma forma bonita, respeitosa, esperançosa e sincera, reconhecendo a parte boa e a ruim. O sentimento que prevalece é que apesar de não acreditarmos em um Deus, sempre acreditamos que é possível que o próximo possa acreditar.

Relatoria da cursista: Eduarda Berto e Luiza Cunha


Brasília, 13 de Junho de 2026.




segunda-feira, 8 de junho de 2026

7ª OFICINA DE 2026

  No encontro desse sábado, 30 de maio, falamos sobre cotas. A professora Dr. Ellen Cintra nos incentivou a trocar vivências e salientar tanto nossas semelhanças como nossas diferenças, essa troca resultou num entendimento mútuo, fomentando o acolhimento da diferença e a celebração da semelhança. 
  A aula seguiu com o relato da própria professora, recheado de luta e do desejo por menos luta, de esperança e de exemplo. Seguindo, tivemos a apresentação em formato de slide, com a professora mostrando e explicando os dados que colocam em números o racismo no Brasil. 
  A apresentação também mostrou os diversos pontos de luta que surgiram durante a história brasileira, desde os quilombos, ainda na época da escravização, até o movimento negro dos anos 60/70 e as exigências por políticas afirmativas no início dos anos 2000. 
  Dessa forma, foi possível traçar uma linha do tempo até a formulação das cotas como política pública, discutindo desde os dados quantitativos que demonstram o abismo que existe entre pessoas brancas e negras quanto as experiências qualitativas com os vários relatos pessoais que surgiram organicamente durante a aula. 
 Concluímos com mais relatos emocionantes sobre superação e a importância da educação nesse processo, sobretudo para mulheres negras.

Relatoria: Eduarda Berto

Brasília, 30 de maio de 2026.



quinta-feira, 28 de maio de 2026

6ª OFICINA DE 2026

O encontro teve como tema principal identidade racial como uma categoria sociológica, buscando entender como a identidade racial é construída e como ela influencia a vida das pessoas e a forma como elas são vistas pela sociedade. 

No primeiro momento, andamos pela sala observando umas às outras. Depois fizemos uma roda e ficamos de costas uma para a outra para refletirmos sobre as nossas diferenças. Esse momento fez a gente pensar sobre como cada pessoa possui características diferentes e como muitas vezes acabamos criando percepções sobre alguém apenas pela aparência.

Em outro momento, realizamos uma declaração de heteroidentificação, onde registramos a forma como nos identificávamos racialmente. A proposta era que, no final da aula, percebêssemos se continuávamos com a mesma visão ou se ela mudaria após todas as discussões e reflexões feitas durante o encontro.

Depois, o tema cor e raça foi abordado e discutido. Conversamos sobre a diferença entre esses conceitos e entendemos que a cor está relacionada à tonalidade da pele, enquanto a raça é uma construção social baseada na aparência, nos traços físicos e também em fatores históricos e sociais.

Em seguida, fizemos uma atividade parecida com um júri, onde apareciam imagens de famosos e falávamos se acreditávamos que eles eram brancos, negros, pardos e entre outras classificações. Nesse momento percebemos que, além da cor da pele, também observávamos os traços físicos para chegar a uma conclusão.

Também discutimos bastante sobre como o meio social influencia nisso, entendendo que o território, o contexto, as experiências e as pessoas ao nosso redor influenciam na forma como nos enxergamos e também na maneira como a sociedade nos vê.

Também tivemos um momento de conversa sobre experiências pessoais que já passamos por conta da nossa cor, compartilhando situações e refletindo sobre como essas questões fazem parte da realidade de muitas pessoas.

No último momento, cada uma falou o nome de uma mulher negra que admirava, valorizando a representatividade e a importância dessas mulheres na sociedade.

Foi uma aula de muita aprendizagem e reflexão, pois me fez perceber que a identidade racial vai muito além da aparência física, sendo influenciada também por fatores sociais, culturais e históricos. Além disso, foi um momento importante para ouvir diferentes experiências e ampliar a forma como enxergamos essas questões no nosso cotidiano.

Relatoria da cursista: Beatriz Soares

sexta-feira, 22 de maio de 2026

5ª OFICINA DE 2026

O encontro teve como tema central a discussão sobre classe social, desigualdade, consumismo e os impactos estruturais dessas divisões na vida das pessoas. 

No primeiro momento, assistimos a um vídeo do influenciador “Primo Pobre”, que defendia a ideia de enriquecimento através da economia individual, esforço e humildade. A partir disso, realizamos a dinâmica “Quem larga na frente”, onde cada uma recebeu um papel com realidades sociais diferentes. Algumas possuíam privilégios, como genitores formados, estabilidade financeira e rede de apoio; outras representavam vivências marcadas por dificuldades, como maternidade solo, necessidade de trabalhar cedo, cuidar da casa o pagar aluguel.

A dinâmica tornou visível como a meritocracia não considera que nem todas as pessoas começam do mesmo ponto. Algumas já largam (nascem) muito à frente devido aos privilégios sociais, econômicos e familiares herdados historicamente.

No segundo momento, participamos de um “Chá Revelação” sobre classes sociais. A atividade mostrou a enorme concentração de renda existente no Brasil e como a maioria da população se identifica com as classes populares, enquanto uma minoria concentra riqueza e oportunidades. Através de perguntas sobre hábitos de vida, consumo e acesso a determinados espaços, refletimos sobre pertencimento social e desigualdade.

No terceiro momento, assistimos a um vídeo sobre classe social com o sociólogo Thiago, onde aprendemos conceitos utilizados oficialmente para diferenciar as classes econômicas.

Também discutimos como essas classificações são utilizadas tanto pelo governo, na elaboração de políticas públicas, quanto pelas empresas, através do marketing, da publicidade e dos algoritmos que direcionam produtos e desejos para diferentes públicos.

Foram debatidos conceitos como burguesia, proletariado, modos de produção e capital político, refletindo sobre como influência, dinheiro e oportunidades muitas vezes são herdados. Também conversamos sobre nepotismo e sobre como certos grupos acumulam vantagens históricas enquanto outros permanecem em situação de vulnerabilidade.

No último momento, assistimos a um vídeo sobre consumismo e sociedade de consumo.

Refletimos sobre como o sistema cria falsas necessidades para manter o ciclo constante de produção e lucro. Discutimos também a obsolescência planejada, onde muitos produtos já são fabricados para durar pouco tempo, incentivando o consumo contínuo e gerando impactos ambientais e sociais cada vez mais insustentáveis.

O debate também trouxe reflexões sobre como essas questões afetam diretamente as mulheres, especialmente através da pressão estética, do consumo ligado à autoestima, do etarismo e da constante exigência de juventude, beleza e produtividade. Observamos como o mercado utiliza inseguranças femininas para estimular o consumo de produtos, procedimentos e padrões muitas vezes inacessíveis para grande parte das mulheres.

Também relacionamos essas questões ao racismo ambiental, entendendo que os maiores impactos da degradação ambiental, da precarização e da falta de infraestrutura atinge principalmente populações periféricas, negras e vulnerabilizadas.

O encontro proporcionou reflexões importantes sobre desigualdade, privilégios, consumo, sustentabilidade e justiça social, mostrando como questões econômicas, ambientais e sociais estão profundamente conectadas no cotidiano das mulheres.

Relatoria da Cursista: Vitória de Meneses

Brasília, 16 de Maio de 2026.


quarta-feira, 13 de maio de 2026

4ª OFICINA DE 2026


    O encontro de mulheres das PLPs, realizado no sábado (09/05), teve como temática central: “Orientação Sexual e Identidade de Gênero”, proporcionando um espaço de aprendizado, escuta, acolhimento e troca coletiva entre as participantes.

    No primeiro momento, foi realizada uma dinâmica de sensibilização conduzida pela facilitadora. As participantes se organizaram em círculo, de costas umas para as outras e de olhos fechados. A partir das palavras ditas pela facilitadora, cada mulher era convidada a tocar a parte do corpo onde sentia que determinado sentimento se manifestava. A atividade proporcionou um momento de conexão individual e coletiva, estimulando a percepção dos sentimentos, do corpo e das emoções.

    Após a dinâmica, foi aberto um espaço de conversa sobre as sensações despertadas durante a atividade. Em seguida, cada participante recebeu papel e caneta, sendo orientada a escrever palavras, sentimentos ou ideias que remetessem ao termo “desejo”. Durante esse momento, o desejo foi interpretado de diferentes maneiras pelas participantes, aparecendo tanto relacionado aos sonhos, vontades e objetivos de vida, quanto associado ao desejo afetivo e sensual. A atividade possibilitou reflexões sobre subjetividade, afetividade, liberdade e as múltiplas formas de experienciar o desejo.

    Dando continuidade ao encontro, a facilitadora iniciou uma explanação sobre identidade de gênero e orientação sexual, utilizando como suporte um desenho de um corpo humano em um quadro branco, contendo marcações específicas na cabeça, no peito e nas genitálias. A partir dessa representação visual, foram apresentados e explicados os conceitos relacionados à identidade de gênero, expressão de gênero, sexo biológico e orientação sexual, de maneira didática, acessível e acolhedora.

    O momento também abriu espaço para um debate coletivo sobre a forma como cada pessoa se apresenta ao mundo, como percebe sua identidade e como experiência a atração afetiva e sexual. As participantes puderam compartilhar opiniões, experiências e percepções pessoais, contribuindo para a construção de um diálogo respeitoso e enriquecedor.

    Após uma pausa, iniciou-se o segundo momento do encontro, no qual a facilitadora apresentou a sigla LGBTQIAPN+, explicando, de forma leve e clara, o significado de cada letra e sua representatividade dentro da diversidade de identidades e orientações. O tema foi trabalhado de maneira participativa, incentivando as mulheres a expressarem dúvidas, opiniões e sentimentos relacionados às questões abordadas.

    A discussão coletiva possibilitou importantes reflexões sobre respeito, diversidade, reconhecimento e vivências individuais, fortalecendo o espaço como um ambiente seguro de escuta, acolhimento e aprendizado mútuo.

    O encontro foi marcado pela participação ativa das mulheres, pela construção coletiva do conhecimento e pela valorização do diálogo como ferramenta de fortalecimento pessoal e comunitário.

Relatoria da cursista: Lyvia Neres.

terça-feira, 28 de abril de 2026

3ª OFICINA DE 2026

Que aula que tivemos hoje hein minhas queridas! 

Nos fez refletir sobre quem somos. Quem disseram que nós somos. E até mesmo, quem queriam que nós fôssemos.

Iniciamos a aula desse sábado ensolarado com a reflexão de o que pensamos quando falamos sobre ser mulher e ser homem.  E palavras interessantes surgiram aqui, como: cobrança, sensual, feminina, delicada, do lar, cuidadora, submissa dentre outras. Quando fomos refletir sobre o seu homem as palavras que surgem são completamente diferentes: provedor, sensualidade compulsiva, insensível, viril, dentre outros que denote o sentido de força. Isso nos faz refletir sobre de onde surgiram essas definições e o que de fato elas querem alcançar.

Discutimos ainda sobre sentido das palavras que mudam até mesmo quando estão no feminino ou no masculino, como por exemplo: ser puta. Estar puto. São coisas completamente diferentes e que uma traz o sentido de ruim, e o outro de rebelião, que pode estar certo. Logo após fizemos uma dinâmica onde foram divididos em cinco grupos em que foram discutidas sobre a relação que as notícias que foram apresentadas a cada grupo tinham com relação ao patriarcado. Foram cinco grupos com o tema: mãe solo, desigualdade salarial, feminista Idio, violência política de gênero e violência sexual. Foram discutido nos grupos qual a relação que essas notícias tem com patriarcado e quais delas nós queremos que seja excluída para vivermos em uma sociedade melhor.

Dentre várias coisas que foram citadas uma delas foi a relação de poder (onde o homem sabe mais coisas do que a mulher, onde determinadas coisas são para homem, e não para mulher); os tipos de violência que podem ser virtual ou presencial; a desqualificação ( muita das vezes expondo intimidade da mulher); e violência emocional.

Conseguimos compreender que muita das vezes essa relação de poder acaba impedindo as mulheres a terem acesso a empregos melhores, ao conhecimento, ascensão na política/empresas, ou em vários outros lugares onde elas queiram chegar. Justamente, como lá na frente foi demonstrado na dinâmica, de que a imagem do homem sempre estará atrelada ao poder, e a mulher ao cuidado materno.

O que nós mais queremos que o patriarcado acabe e que as mulheres passem a ter:

- Seu lugar de fala garantido;

- ⁠ que a mulher saiba se posicionar;

- ⁠ que acabe todo e qualquer tipo de assédio em qualquer ambiente que as mulheres estejam;

- ⁠ que as mulheres iam ter acesso a conhecimento;

- ⁠ que elas venham entender o seu lugar e não tem medo de ser contrapor;

- ⁠ que todas as violências sejam excluídas.

E esses foram apenas alguns exemplos de várias outras coisas nós teremos para uma sociedade melhor onde nós possamos ser quem nos quisermos ser, inclusive livre dentro de nós mesmos.  Foi dito ainda o tanto que nós mulheres temos que nos juntar pois os homens são extremamente parceiros, e muita das vezes colocam nós mulheres umas contra as outras para que venhamos nos prejudicar. 

Logo após nós fizemos alguns acordos de coisas que nós queremos vivenciar e que não queremos vivenciar durante nosso curso, construímos uma árvore e cada uma de nós teve a oportunidade de colocar o seu nome em cada local dessa árvore, conforme queriam. Simbolizando que estávamos firmando esse compromisso de coisas maravilhosas que vamos viver na construção de mais PLPs se apoderando de conhecimento para transformar sua vida e de outras mulheres.

Relatoria da cursista: Hercília Porto



                                   


              



               








quinta-feira, 23 de abril de 2026

2ª OFICINA DE 2026

 


A imagem é uma colagem artística com vários recortes, desenhos e palavras sobrepostos, formando um painel visual com temática feminista, identidade e interseccionalidade.

O fundo é composto por páginas de livros e mapas antigos, em tons bege e envelhecidos. Sobre esse fundo, há diversos elementos espalhados. No topo esquerdo, aparecem os símbolos de gênero (feminino e masculino) entrelaçados, além de pequenos corações e uma estrela.  Ao centro, a palavra “esperança” está destacada em um recorte verde. Abaixo dela, há uma definição escrita em português sobre confiar que algo bom acontecerá.

À direita, há um diagrama em formato de círculo com várias áreas coloridas representando “interseccionalidade”, com termos como raça/etnia, religião, classe social, sexualidade, identidade de gênero e condição física. Em destaque, há um texto em um papel recortado que diz: “Por que sonhos altos ainda não são ensinados pra nós, mulheres?”

No lado direito inferior, aparece a sigla “PLPs” com estrelas ao redor. Abaixo, uma lista escrita à mão diz: “O que já fomos impedidas de fazer:” seguida de itens como liderar, ocupar espaços, falar sem medo, existir com liberdade e sonhar sem limites. Há vários símbolos de luta e resistência, como punhos cerrados (um deles dentro do símbolo feminino), megafones, olhos, bocas e mãos. Também aparecem elementos decorativos como flores secas, tulipas, estrelas, um mapa antigo, e pequenos adesivos coloridos.

Na parte inferior, há a palavra “identificação” com uma definição de dicionário sobre identidade. No canto inferior direito, há um selo circular com a frase “Rede Nacional Promotoras Legais Populares” e uma ilustração de rosto estilizado. A composição mistura tons neutros (bege, preto e branco) com cores vivas (rosa, roxo, amarelo e vermelho), criando um visual expressivo, simbólico e político sobre a vivência das mulheres e suas lutas.

A imagem evoca um mosaico de vivências femininas, onde resiliência, resistência e interseccionalidade se entrelaçam. Entre fragmentos, surge um discurso de identidade, questionamento e potência um convite a romper limites e imaginar novas possibilidades a partir da esperança e da consciência coletiva.

Relatoria das cursistas: Lyvia Chrystina e Iasmim Baima.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

1ª OFICINA DE 2026

    

    Na manhã do dia 11 de abril de 2026, iniciamos nossas oficinas. Como de costume, e com a intenção de criar memórias sobre o que foi trabalhado em nossos encontros, sugerimos que nossas cursistas relatem como foi vivenciar esse momento, compartilhando com o leitor a experiência que tiveram.


Relatoria da cursista: Hercília Porto

Iniciamos a aula com o momento bem acolhedor de apresentação entre os, onde uma apresentava a outra. Foi bem importante pois várias integrantes não se conheciam, e ele já começaram a se socializar.

    Foi perguntado se alguma das custas estás queriam trazer informações de alguma particularidade sua e Elizângela nos explicou que é epilética e nos ensinou como devemos proceder caso ela tenha uma crise de epilepsia em sala de aula. Foi algo muito marcante pra mim nessa aula, pois minha irmã era epilética quando era criança e eu ainda não tinha tido explicações como aquela ela trouxe para nós.

    Foi nos explicado que o curso tem oito meses de duração, não é um curso profissionalizante, mas sim um curso de formação que deve ter no mínimo 75 por cento de aproveitamento para conseguir ter o certificado, que com certeza, vai enriquecer muito o currículo de quem a concluir. Este curso está totalmente voltado a mulheres questionadoras que busque entender seu lugar em meio à sociedade. Tem acolhimento infantil. Não temos professores específicos ou prova, todas nós estamos aqui para aprender e ensinar.

    É importante que nós como promotoras íamos levar o conhecimento que aprendemos aqui para os espaços onde atuamos, para assim conseguimos propagar o conhecimento e o direito que as mulheres têm. Depois de formada teremos outras oportunidades, caso venhamos nos dispor, para participar do fórum de promotoras (seminários e universidades), ou facilitadoras neste curso. 

    PLP é um movimento social nacional onde suas militantes buscam propagar os conhecimentos aqui adquiridos. É um espaço que não tem chefia, é uma construção coletiva com oficinas de temas cotidianos como classe, raça e/ou gênero. Vamos criar também um grupo de WhatsApp para melhor comunicação entre as participantes. 

    Foi informado que não podemos fazer fotos ou vídeos da oficina, pois tem grupo específico de comunicação para fazer esse trabalho. Mais ou menos em Outubro ou Novembro teremos a proposta de ação em que a turma vai construir e organizar como que será feito. Dia 5 de Dezembro é a formatura.

    Foi informado ainda que temos parceria entre UNB e Ministério Público com atendimento por professores e alunos do curso de Direito, psicologia e assistência social. Houve ainda ensinamentos de como fazer audiodescrição: cabeça - ombro - joelho e pé, que acabou sendo o momento de descontração e riquíssimo e conhecimento. Foi nos explicado que essa é uma tarefa de todos nós. 

    Houve ainda reflexão por meio de dinâmica com participação das Cours estás dê como seria a escola perfeita, e com quão distante ela está o padrão que hoje nos é imposto. Pois esse modelo foi criado para nos padronizar e nos colocar cada vez mais um distante do outro. Fizemos reflexão ainda de como seria essa educação ideal. Por fim, foi maravilhoso esse primeiro encontro, e já deixou aquele gostinho de já querer que chegue logo sábado para segunda parte. 


Relatoria da cursista: Elcidmaria Cosma

    Olá, eu me chamo Elcidmaria Cosma sou aluna do curso. Gostaria de relatar minha experiência durante o curso Promotoras legais populares do ano de 2026. 

    O que pude contemplar foi a troca de experiências, aprendizados e vivências, com muito acolhimento das promotoras tivemos trocas de empatia e respeito. Elas nos ensinam de modo lúdico questões que geraram debates sadios sobre educação escolar,  como deveria ser a educação no Brasil, por exemplo. Tivemos um intervalo onde o diálogo foi de forma bem informal, assim todas estavam interagindo umas com outras. 

Ali diante desse cenário de acolhimento percebi que todas nós devemos cuidar umas das outras sem julgamentos que sociedade insiste em colocar uma contra outra.



Brasília, 11 de abril de 2026.