sexta-feira, 10 de julho de 2026

9ª OFICINA DE 2026

Luta e direitos LGBTQIA+

Na oficina do dia 20 de Junho, a aula se iniciou com uma dinâmica de perguntar quantas pessoas de cada bandeira LGBTQIA+ estavam presentes na aula. Em seguida, a facilitadora Gabs explicou o significado de cada cor de cada bandeira da comunidade. 

A bandeira lésbica atual tem 3 diferentes cores e 5 diferentes tonalidades. A cor laranja representa a não conformidade de gênero; a cor laranja claro significa a independência de homens; o branco é o simbolismo das relações únicas com feminilidade; enquanto o rosa claro representa a seriedade e paz, e por último, o rosa escuro representa o amor, o sexo e a feminilidade. Mas a antiga bandeira lésbica, representada pelo fundo roxo, associado ao movimento feminista e lésbico, e com um machado preto centralizado, associado com a mitologia grega e simboliza as Amazonas, tem muita relevância para a comunida lésbica e até hoje tem algumas mulheres da comunidade que se sentem representadas por ela. Além das bandeiras, foi explicado também a distinção entre o que é sáfico e o que é lésbico. Sáfico é associado a poetisa Safos, que escrevia sobre histórias de amor entre mulheres, representa relacionamentos entre duas mulheres, sem necessariamente as duas, ou alguma, ser lésbica, enquanto lésbico é associado à ilha de Lesbos, e significa o relacionamento entre duas mulheres lésbicas.

A bandeira Trans é representada por 3 cores, o azul claro, que representa os homens e as identidades tradicionalmente masculinas; o rosa claro, representando as mulheres e as identidades tradicionalmente femininas, e o branco, associado às pessoas não-binárias

A bandeira bissexual é composta por magenta, roxo e azul. O magenta associa-se ao interesse entre pessoa do mesmo sexo; o roxo à intersecção do interesse em qualquer pessoa, e o azul o interesse entre pessoas do sexo oposto. 

Após a explicação da facilitadora Gabs, foi realizada uma atividade em grupos de até 5 pessoas, onde foram distribuídos o poema de Dry Neres e o poema Tempos Sombrios de Alexandre Bernardo, ambos da coletânea Volúppia: Prece Silenciosa. Corpo em fúria, lançado pela Academia Valparaisense de Letras. E conversando com o grupo, devíamos responder as perguntas “1. Que formas de preconceito, exclusão ou silenciamento aparecem no conto?” e “2. O que as situações retratadas no conto revelam sobre as lutas históricas e os desafios que a população LGBTQIAPN+ ainda enfrenta na atualidade?”. 

Em geral, os grupos apontaram formas de preconceito, exclusão e silenciamento a utilização da expressão “mimimi”, os números altos de assassinato de pessoas LGBTQIA+, as relações de poder do conforto em demonstrar ódio à populações vulneráveis, a estigmatização do HIV/Aids como “doença da culpa”, o medo em se assumir na sociedade e dentro do ambiente familiar e o sofrimento psíquico da comunidade. Ademais, foram encontrados atributos de silenciamento, dentro e fora da comunidade, que seria a imprudência da própria comunidade aos métodos de proteção à ISTs e a negligência quanto ao uso recorrente de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV), PEP (Profilaxia Pós-Exposição à HIV) e pílula do dia seguinte; 

Após a dinâmica, foi apresentado um vídeo que debate se a comunidade LGBTQIAPN+ é privilegiada. Os apresentadores apresentaram o conceito de privilégio como a situação de superioridade amparada por lei ou não ou costumes decorrentes da distribuição desigual do poder político, e os direitos como o conjunto de normas da vida em sociedade que buscam expressar e alcançar o ideal justiça, traçando as fronteiros do ilegal e do obrigatório, normas do que pode ou não fazer dentro da sociedade.

Ademais, as leis de sodomia, uma lei que define certos atos sexuais como crimes, elucidaram não só como não há privilégios, mas como há perseguição à comunidade LGBTQIAPN+. Foi trago a seguinte linha temporal:

Até 1985 a homosexualidade era tratada como doença mental;

Em 2005, a comunidade LGBTQIAPN+ ganha o direito de adoção; 

Apenas em 2011, a comunidade ganhou o direito de união estável e em 2013, o direito ao casamento.

Em 2018, pessoas trans e não-binárias tiveram o direito a alteração de nome e gênero no direito civil.

Apenas em 2019 a transexualidade foi retirada da lista de transtornos mentais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e teve a inclusão da homofobia e da transfobia no crime de racismo. 

Apesar da luta por direitos, é importante ressaltar que esses direitos não foram conseguidos pelo poder legislativo e ainda são insuficientes para a proteção à plena cidadania e dignidade. Ainda há muitas lutas para serem conquistadas, como por exemplo, o direito à vida e dignidade humana de pessoas trans, visto que,o Brasil lidera o ranking de país que mais assassina pessoas trans no mundo a 18 anos consecutivos. 

O posicionamento contra quaisquer preconceitos e formas de silenciamento que percorrem à comunidade não são opcionais, trata-se de uma questão de sobrevivência. Discursos de ódio não devem ser interpretados como liberdade de expressão e a liberdade religiosa, que é um elemento historicamente homofóbico, não deve ser utilizada para agredir a existência de outras pessoas. 

Em contrapartida, há o pink money, o ato de fingir apoiar e estar incluso em causas LGBTQIA+ para “apoio” social, sem de fato representar a causa. Isso ficou evidente com a falta de apoio de empresas na parada gay que ocorreu em 2026. 

Os direitos humanos devem ser pautas de todos os políticos, independente de partido político. Entretanto, devido não só a escassez de pautas LGBTQIAPN+ nos discursos de candidatos políticos, mas o ódio contra eles, a comunidade conquista seus direitos de forma independente.

O denominado direito achado na rua refere-se ao direito que não é igual às normas, mas age como a forma crua do direito, o fenômeno que se expressa nas lutas organizadas que as pessoas vão demandar questões e vão refletir em vida de liberdade e dignidade. O sentido das lutas são os direitos em si. Às vezes as leis podem expressar ou podem negar e retirar direitos. A prática dos direitos vai além das palavras na lei, pois não há justiça quando não há mecanismos de implementar direitos. 

Ademais, as PLPs questionaram-se do por quê as famílias LGBTs são retratadas como famílias disfuncionais e não tradicionais enquanto a heteronormatividade apresenta pais que violentam seus filhos psicologicamente e sexualmente? 

É possível ver que a educação sexual no Brasil é um tabu e alvo de críticas de pessoas conservadoras e religiosas. Entende-se que no pensamento abusador a educação sexual vai incentivar o abuso sexual e induzir crianças a serem LGBTs, enquanto o intuito é ensinar a identificar violências sexuais, psicológicas e físicas contra criancas e adolescentes, assim como ensiná-las a distinguir o que é gênero e o que é sexualidade. Essa linha de raciocínio se dá pela educação sexual ser heterocentrada, ou seja, ser voltada a falar apenas sobre relacionamentos heteronormativos, enquanto a orientação sexual para pessoas LGBTs são negligenciadas ou até inexistentes

Dessa forma, o ataque contra os poucos progressos da educação sexual impedem que haja práticas concretas e contribuem para a estigmatização de prevenção e promoção à saúde que são importantes. Como por exemplo, a vacina do HPV, que recebeu diversos nomes em sua trajetória na saúde pública do Brasil, a nomenclatura da “vacina HPV” foi vista como um método de intervenção sexual para as crianças, fazendo com que os pais não vacinarem seus filhos por nomeação; quando denominou “vacina dos 14 anos” e/ou “vacina contra câncer de colo do útero” os responsáveis estavam aptos a vacinar. 

A aula contribuiu para as cursistas PLPs através do acesso à comunicação, informação e educação em sexualidade, essas que são tão ineficientes na sociedade civil. É muito precioso e importante que tenhamos espaço para aprender as variáveis que interseccionam com os direitos as mulheres. 

Por fim, como última dinâmica da aula, cada cursista citou uma pessoa LGBT que admira, possibilitando que vejamos como parentes, amigos, companheiras, colegas e até próprias cursistas, que estão presentes ou já se foram, são admirados e amados mesmo que não saibam. 

Relatoria da Cursista: Luiza Cunha

Brasília, 20 de Junho de 2026.


quarta-feira, 24 de junho de 2026

8ª OFICINA DE 2026

 Dia 13 de Junho de 2026, as Promotoras Legais Populares deram aula sobre Diversidade Religiosa e Laicidade, com as convidadas Marga Stoher e Mara Parlow, teólogas. 

A aula iniciou com o questionamento de  por que Deus é retratado sempre como um só, no singular. Assim como a figura religiosa sempre é retratada como masculina. Após uma dinâmica em grupo onde cada mulher apresentou sua conexão com a própria religiosidade, pudemos concluir que a religião é híbrida, raiz e sentir-se abençoado quando alguém diz “Deus te abençoe” e responder “amém” mesmo não estando presente em um ambiente religioso. Por outro lado, o fanatismo religioso age por retirar a possibilidade desse hibridismo, solidificando o entendimento de uma única verdade religiosa como absoluta e deslegitimando a possibilidade de uma verdade plural. 

 A teóloga Mara explicou que o termo Religião vem do latim “religare” e representa a busca humana por restabelecer conexão. A religião é um conjunto de valores, crenças, rituais e normas que conectam a humanidade a elementos transcendentes, espirituais ou divinos, podendo ser expressados por doutrinas, textos sagrados e práticas. Para além da materialidade, é a condição inefável que não pode ser explicada.  Ela é, também,  historicamente patriarcal, e uma representação desse fenômeno é o conceito de “dar nome”. Biblicamente “dar nome” é cuidar e conviver com as criaturas, mas da perspectiva monoteísta e patriarca, interpreta-se como dominação. 

Religião é diferente de religiosidade. Enquanto a religião é a formalização institucional e coletiva da fé, a religiosidade é a vivência individual e subjetiva dessa espiritualidade, podendo existir fora dos templos ou grupos organizados. Já a espiritualidade é a busca humana por significados, propósito e conexão com algo maior do que si mesmo. Não está necessariamente ligada a uma religião institucional.  

A religiosidade foi fundamental para a criação e difusão da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) de 1948, que declara que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Mas o que significa de fato ser livre e ter liberdade? Ser digna e ter dignidade? O que é ter direito? Esses questionamentos foram apresentados pela teóloga Marga e impulsionaram o restante do debate. 

Em 1993, a campanha dos Direitos Humanos (DH) foi representada pela frase “sem as mulheres os direitos não são humanos”. Segundo as Nações Unidas, os DH são garantias jurídicas universais que protegem indivíduos e grupos contra ações ou omissões dos governos que atentem contra a dignidade humana. Os pilares da DUDH são o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à dignidade e os DH são universais, históricos, indivisíveis, interdependentes, inalienáveis, imprescritíveis e irrenunciáveis. E o Programa Nacional dos Direitos Humanos situa a dimensão religiosa na diretriz da garantia de igualdade na diversidade, a Laicidade Estatal. 

A Laicidade Estatal é um princípio jurídico-político da separação entre o Estado e a religião, garantindo a neutralidade institucional e proibindo que o governo se porte baseado em uma religião oficial, favorecendo credos específicos ou baseando leis em dogmas teológicos. Trata-se de uma forma pétrea, isto é, não passível de modificação. 

Em outro módulo da aula, a facilitadora Cíntia Breve retratou sobre a Veneração de Orixás. “Ori” retrata a ligação com a divindade através da consciência própria. Os orixás são líderes amados, que não carregam influências patriarcais tão fortes, podendo ser representados na forma de mulheres ou homens. A sensação de aproximação da divindade, de viver o orixá, é denominada como encarnação. Na umbanda, não há o entendimento dos orixás como distantes e inalcançáveis como é entendido com os Deuses. 

Baixar entidade são os guias que emanam de orixás, entidades de linhas diferenciadas que trazem mensagens. O movimento do viver é Exú. Enquanto os guias são colares que permitem o sentimento de conexão com entidade que passou a energia de quem passou a proteção. 

Infelizmente, as religiões de matrizes africanas são exemplos de como a intolerância religiosa é forte no Brasil apesar da Laicidade Estatal. As diferenciações de crenças entre o cristianismo e demais religiões causam intolerância religiosa. Por exemplo, no cristianismo compreende-se que após a vida há o céu e o inferno, na umbanda e no candomblé entende-se que o inferno está na pessoa, e o pós-morte é o umbral, um ambiente psíquico em que o espírito fica em agonia.

Tais diferenciações são utilizadas como uma forma de deslegitimação e violência contra a umbanda e o candomblé, principalmente quando falamos sobre o racismo religioso. O racismo é a desumanização e o racismo religioso é um dos braços do racismo estrutural, tratando-se da invalidação do sentimento religioso do negro. Em 2023 foi publicada uma alteração que pune e coibe o racismo religioso e o terrorismo religioso. 

Debater sobre a diversidade religiosa e a laicidade estatal permite compreender o pluralismo religioso e como ele se intersecciona com os diferentes papeis atribuídos às mulheres na sociedade. A religião tem papeis historicamente patriarcal que se repercutem até os dias atuais na autonomia das mulheres, como a heteronormatividade e a romantização da maternidade e a compreensão da reprodução como destino biológico feminino, por exemplo.   

Para  duas autoras ateias, a aula ensinou sobre religiosidade de uma forma bonita, respeitosa, esperançosa e sincera, reconhecendo a parte boa e a ruim. O sentimento que prevalece é que apesar de não acreditarmos em um Deus, sempre acreditamos que é possível que o próximo possa acreditar.

Relatoria da cursista: Eduarda Berto e Luiza Cunha


Brasília, 13 de Junho de 2026.




segunda-feira, 8 de junho de 2026

7ª OFICINA DE 2026

  No encontro desse sábado, 30 de maio, falamos sobre cotas. A professora Dr. Ellen Cintra nos incentivou a trocar vivências e salientar tanto nossas semelhanças como nossas diferenças, essa troca resultou num entendimento mútuo, fomentando o acolhimento da diferença e a celebração da semelhança. 
  A aula seguiu com o relato da própria professora, recheado de luta e do desejo por menos luta, de esperança e de exemplo. Seguindo, tivemos a apresentação em formato de slide, com a professora mostrando e explicando os dados que colocam em números o racismo no Brasil. 
  A apresentação também mostrou os diversos pontos de luta que surgiram durante a história brasileira, desde os quilombos, ainda na época da escravização, até o movimento negro dos anos 60/70 e as exigências por políticas afirmativas no início dos anos 2000. 
  Dessa forma, foi possível traçar uma linha do tempo até a formulação das cotas como política pública, discutindo desde os dados quantitativos que demonstram o abismo que existe entre pessoas brancas e negras quanto as experiências qualitativas com os vários relatos pessoais que surgiram organicamente durante a aula. 
 Concluímos com mais relatos emocionantes sobre superação e a importância da educação nesse processo, sobretudo para mulheres negras.

Relatoria: Eduarda Berto

Brasília, 30 de maio de 2026.



quinta-feira, 28 de maio de 2026

6ª OFICINA DE 2026

O encontro teve como tema principal identidade racial como uma categoria sociológica, buscando entender como a identidade racial é construída e como ela influencia a vida das pessoas e a forma como elas são vistas pela sociedade. 

No primeiro momento, andamos pela sala observando umas às outras. Depois fizemos uma roda e ficamos de costas uma para a outra para refletirmos sobre as nossas diferenças. Esse momento fez a gente pensar sobre como cada pessoa possui características diferentes e como muitas vezes acabamos criando percepções sobre alguém apenas pela aparência.

Em outro momento, realizamos uma declaração de heteroidentificação, onde registramos a forma como nos identificávamos racialmente. A proposta era que, no final da aula, percebêssemos se continuávamos com a mesma visão ou se ela mudaria após todas as discussões e reflexões feitas durante o encontro.

Depois, o tema cor e raça foi abordado e discutido. Conversamos sobre a diferença entre esses conceitos e entendemos que a cor está relacionada à tonalidade da pele, enquanto a raça é uma construção social baseada na aparência, nos traços físicos e também em fatores históricos e sociais.

Em seguida, fizemos uma atividade parecida com um júri, onde apareciam imagens de famosos e falávamos se acreditávamos que eles eram brancos, negros, pardos e entre outras classificações. Nesse momento percebemos que, além da cor da pele, também observávamos os traços físicos para chegar a uma conclusão.

Também discutimos bastante sobre como o meio social influencia nisso, entendendo que o território, o contexto, as experiências e as pessoas ao nosso redor influenciam na forma como nos enxergamos e também na maneira como a sociedade nos vê.

Também tivemos um momento de conversa sobre experiências pessoais que já passamos por conta da nossa cor, compartilhando situações e refletindo sobre como essas questões fazem parte da realidade de muitas pessoas.

No último momento, cada uma falou o nome de uma mulher negra que admirava, valorizando a representatividade e a importância dessas mulheres na sociedade.

Foi uma aula de muita aprendizagem e reflexão, pois me fez perceber que a identidade racial vai muito além da aparência física, sendo influenciada também por fatores sociais, culturais e históricos. Além disso, foi um momento importante para ouvir diferentes experiências e ampliar a forma como enxergamos essas questões no nosso cotidiano.

Relatoria da cursista: Beatriz Soares

sexta-feira, 22 de maio de 2026

5ª OFICINA DE 2026

O encontro teve como tema central a discussão sobre classe social, desigualdade, consumismo e os impactos estruturais dessas divisões na vida das pessoas. 

No primeiro momento, assistimos a um vídeo do influenciador “Primo Pobre”, que defendia a ideia de enriquecimento através da economia individual, esforço e humildade. A partir disso, realizamos a dinâmica “Quem larga na frente”, onde cada uma recebeu um papel com realidades sociais diferentes. Algumas possuíam privilégios, como genitores formados, estabilidade financeira e rede de apoio; outras representavam vivências marcadas por dificuldades, como maternidade solo, necessidade de trabalhar cedo, cuidar da casa o pagar aluguel.

A dinâmica tornou visível como a meritocracia não considera que nem todas as pessoas começam do mesmo ponto. Algumas já largam (nascem) muito à frente devido aos privilégios sociais, econômicos e familiares herdados historicamente.

No segundo momento, participamos de um “Chá Revelação” sobre classes sociais. A atividade mostrou a enorme concentração de renda existente no Brasil e como a maioria da população se identifica com as classes populares, enquanto uma minoria concentra riqueza e oportunidades. Através de perguntas sobre hábitos de vida, consumo e acesso a determinados espaços, refletimos sobre pertencimento social e desigualdade.

No terceiro momento, assistimos a um vídeo sobre classe social com o sociólogo Thiago, onde aprendemos conceitos utilizados oficialmente para diferenciar as classes econômicas.

Também discutimos como essas classificações são utilizadas tanto pelo governo, na elaboração de políticas públicas, quanto pelas empresas, através do marketing, da publicidade e dos algoritmos que direcionam produtos e desejos para diferentes públicos.

Foram debatidos conceitos como burguesia, proletariado, modos de produção e capital político, refletindo sobre como influência, dinheiro e oportunidades muitas vezes são herdados. Também conversamos sobre nepotismo e sobre como certos grupos acumulam vantagens históricas enquanto outros permanecem em situação de vulnerabilidade.

No último momento, assistimos a um vídeo sobre consumismo e sociedade de consumo.

Refletimos sobre como o sistema cria falsas necessidades para manter o ciclo constante de produção e lucro. Discutimos também a obsolescência planejada, onde muitos produtos já são fabricados para durar pouco tempo, incentivando o consumo contínuo e gerando impactos ambientais e sociais cada vez mais insustentáveis.

O debate também trouxe reflexões sobre como essas questões afetam diretamente as mulheres, especialmente através da pressão estética, do consumo ligado à autoestima, do etarismo e da constante exigência de juventude, beleza e produtividade. Observamos como o mercado utiliza inseguranças femininas para estimular o consumo de produtos, procedimentos e padrões muitas vezes inacessíveis para grande parte das mulheres.

Também relacionamos essas questões ao racismo ambiental, entendendo que os maiores impactos da degradação ambiental, da precarização e da falta de infraestrutura atinge principalmente populações periféricas, negras e vulnerabilizadas.

O encontro proporcionou reflexões importantes sobre desigualdade, privilégios, consumo, sustentabilidade e justiça social, mostrando como questões econômicas, ambientais e sociais estão profundamente conectadas no cotidiano das mulheres.

Relatoria da Cursista: Vitória de Meneses

Brasília, 16 de Maio de 2026.


quarta-feira, 13 de maio de 2026

4ª OFICINA DE 2026


    O encontro de mulheres das PLPs, realizado no sábado (09/05), teve como temática central: “Orientação Sexual e Identidade de Gênero”, proporcionando um espaço de aprendizado, escuta, acolhimento e troca coletiva entre as participantes.

    No primeiro momento, foi realizada uma dinâmica de sensibilização conduzida pela facilitadora. As participantes se organizaram em círculo, de costas umas para as outras e de olhos fechados. A partir das palavras ditas pela facilitadora, cada mulher era convidada a tocar a parte do corpo onde sentia que determinado sentimento se manifestava. A atividade proporcionou um momento de conexão individual e coletiva, estimulando a percepção dos sentimentos, do corpo e das emoções.

    Após a dinâmica, foi aberto um espaço de conversa sobre as sensações despertadas durante a atividade. Em seguida, cada participante recebeu papel e caneta, sendo orientada a escrever palavras, sentimentos ou ideias que remetessem ao termo “desejo”. Durante esse momento, o desejo foi interpretado de diferentes maneiras pelas participantes, aparecendo tanto relacionado aos sonhos, vontades e objetivos de vida, quanto associado ao desejo afetivo e sensual. A atividade possibilitou reflexões sobre subjetividade, afetividade, liberdade e as múltiplas formas de experienciar o desejo.

    Dando continuidade ao encontro, a facilitadora iniciou uma explanação sobre identidade de gênero e orientação sexual, utilizando como suporte um desenho de um corpo humano em um quadro branco, contendo marcações específicas na cabeça, no peito e nas genitálias. A partir dessa representação visual, foram apresentados e explicados os conceitos relacionados à identidade de gênero, expressão de gênero, sexo biológico e orientação sexual, de maneira didática, acessível e acolhedora.

    O momento também abriu espaço para um debate coletivo sobre a forma como cada pessoa se apresenta ao mundo, como percebe sua identidade e como experiência a atração afetiva e sexual. As participantes puderam compartilhar opiniões, experiências e percepções pessoais, contribuindo para a construção de um diálogo respeitoso e enriquecedor.

    Após uma pausa, iniciou-se o segundo momento do encontro, no qual a facilitadora apresentou a sigla LGBTQIAPN+, explicando, de forma leve e clara, o significado de cada letra e sua representatividade dentro da diversidade de identidades e orientações. O tema foi trabalhado de maneira participativa, incentivando as mulheres a expressarem dúvidas, opiniões e sentimentos relacionados às questões abordadas.

    A discussão coletiva possibilitou importantes reflexões sobre respeito, diversidade, reconhecimento e vivências individuais, fortalecendo o espaço como um ambiente seguro de escuta, acolhimento e aprendizado mútuo.

    O encontro foi marcado pela participação ativa das mulheres, pela construção coletiva do conhecimento e pela valorização do diálogo como ferramenta de fortalecimento pessoal e comunitário.

Relatoria da cursista: Lyvia Neres.

terça-feira, 28 de abril de 2026

3ª OFICINA DE 2026

Que aula que tivemos hoje hein minhas queridas! 

Nos fez refletir sobre quem somos. Quem disseram que nós somos. E até mesmo, quem queriam que nós fôssemos.

Iniciamos a aula desse sábado ensolarado com a reflexão de o que pensamos quando falamos sobre ser mulher e ser homem.  E palavras interessantes surgiram aqui, como: cobrança, sensual, feminina, delicada, do lar, cuidadora, submissa dentre outras. Quando fomos refletir sobre o seu homem as palavras que surgem são completamente diferentes: provedor, sensualidade compulsiva, insensível, viril, dentre outros que denote o sentido de força. Isso nos faz refletir sobre de onde surgiram essas definições e o que de fato elas querem alcançar.

Discutimos ainda sobre sentido das palavras que mudam até mesmo quando estão no feminino ou no masculino, como por exemplo: ser puta. Estar puto. São coisas completamente diferentes e que uma traz o sentido de ruim, e o outro de rebelião, que pode estar certo. Logo após fizemos uma dinâmica onde foram divididos em cinco grupos em que foram discutidas sobre a relação que as notícias que foram apresentadas a cada grupo tinham com relação ao patriarcado. Foram cinco grupos com o tema: mãe solo, desigualdade salarial, feminista Idio, violência política de gênero e violência sexual. Foram discutido nos grupos qual a relação que essas notícias tem com patriarcado e quais delas nós queremos que seja excluída para vivermos em uma sociedade melhor.

Dentre várias coisas que foram citadas uma delas foi a relação de poder (onde o homem sabe mais coisas do que a mulher, onde determinadas coisas são para homem, e não para mulher); os tipos de violência que podem ser virtual ou presencial; a desqualificação ( muita das vezes expondo intimidade da mulher); e violência emocional.

Conseguimos compreender que muita das vezes essa relação de poder acaba impedindo as mulheres a terem acesso a empregos melhores, ao conhecimento, ascensão na política/empresas, ou em vários outros lugares onde elas queiram chegar. Justamente, como lá na frente foi demonstrado na dinâmica, de que a imagem do homem sempre estará atrelada ao poder, e a mulher ao cuidado materno.

O que nós mais queremos que o patriarcado acabe e que as mulheres passem a ter:

- Seu lugar de fala garantido;

- ⁠ que a mulher saiba se posicionar;

- ⁠ que acabe todo e qualquer tipo de assédio em qualquer ambiente que as mulheres estejam;

- ⁠ que as mulheres iam ter acesso a conhecimento;

- ⁠ que elas venham entender o seu lugar e não tem medo de ser contrapor;

- ⁠ que todas as violências sejam excluídas.

E esses foram apenas alguns exemplos de várias outras coisas nós teremos para uma sociedade melhor onde nós possamos ser quem nos quisermos ser, inclusive livre dentro de nós mesmos.  Foi dito ainda o tanto que nós mulheres temos que nos juntar pois os homens são extremamente parceiros, e muita das vezes colocam nós mulheres umas contra as outras para que venhamos nos prejudicar. 

Logo após nós fizemos alguns acordos de coisas que nós queremos vivenciar e que não queremos vivenciar durante nosso curso, construímos uma árvore e cada uma de nós teve a oportunidade de colocar o seu nome em cada local dessa árvore, conforme queriam. Simbolizando que estávamos firmando esse compromisso de coisas maravilhosas que vamos viver na construção de mais PLPs se apoderando de conhecimento para transformar sua vida e de outras mulheres.

Relatoria da cursista: Hercília Porto



                                   


              



               








quinta-feira, 23 de abril de 2026

2ª OFICINA DE 2026

 


A imagem é uma colagem artística com vários recortes, desenhos e palavras sobrepostos, formando um painel visual com temática feminista, identidade e interseccionalidade.

O fundo é composto por páginas de livros e mapas antigos, em tons bege e envelhecidos. Sobre esse fundo, há diversos elementos espalhados. No topo esquerdo, aparecem os símbolos de gênero (feminino e masculino) entrelaçados, além de pequenos corações e uma estrela.  Ao centro, a palavra “esperança” está destacada em um recorte verde. Abaixo dela, há uma definição escrita em português sobre confiar que algo bom acontecerá.

À direita, há um diagrama em formato de círculo com várias áreas coloridas representando “interseccionalidade”, com termos como raça/etnia, religião, classe social, sexualidade, identidade de gênero e condição física. Em destaque, há um texto em um papel recortado que diz: “Por que sonhos altos ainda não são ensinados pra nós, mulheres?”

No lado direito inferior, aparece a sigla “PLPs” com estrelas ao redor. Abaixo, uma lista escrita à mão diz: “O que já fomos impedidas de fazer:” seguida de itens como liderar, ocupar espaços, falar sem medo, existir com liberdade e sonhar sem limites. Há vários símbolos de luta e resistência, como punhos cerrados (um deles dentro do símbolo feminino), megafones, olhos, bocas e mãos. Também aparecem elementos decorativos como flores secas, tulipas, estrelas, um mapa antigo, e pequenos adesivos coloridos.

Na parte inferior, há a palavra “identificação” com uma definição de dicionário sobre identidade. No canto inferior direito, há um selo circular com a frase “Rede Nacional Promotoras Legais Populares” e uma ilustração de rosto estilizado. A composição mistura tons neutros (bege, preto e branco) com cores vivas (rosa, roxo, amarelo e vermelho), criando um visual expressivo, simbólico e político sobre a vivência das mulheres e suas lutas.

A imagem evoca um mosaico de vivências femininas, onde resiliência, resistência e interseccionalidade se entrelaçam. Entre fragmentos, surge um discurso de identidade, questionamento e potência um convite a romper limites e imaginar novas possibilidades a partir da esperança e da consciência coletiva.

Relatoria das cursistas: Lyvia Chrystina e Iasmim Baima.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

1ª OFICINA DE 2026

    

    Na manhã do dia 11 de abril de 2026, iniciamos nossas oficinas. Como de costume, e com a intenção de criar memórias sobre o que foi trabalhado em nossos encontros, sugerimos que nossas cursistas relatem como foi vivenciar esse momento, compartilhando com o leitor a experiência que tiveram.


Relatoria da cursista: Hercília Porto

Iniciamos a aula com o momento bem acolhedor de apresentação entre os, onde uma apresentava a outra. Foi bem importante pois várias integrantes não se conheciam, e ele já começaram a se socializar.

    Foi perguntado se alguma das custas estás queriam trazer informações de alguma particularidade sua e Elizângela nos explicou que é epilética e nos ensinou como devemos proceder caso ela tenha uma crise de epilepsia em sala de aula. Foi algo muito marcante pra mim nessa aula, pois minha irmã era epilética quando era criança e eu ainda não tinha tido explicações como aquela ela trouxe para nós.

    Foi nos explicado que o curso tem oito meses de duração, não é um curso profissionalizante, mas sim um curso de formação que deve ter no mínimo 75 por cento de aproveitamento para conseguir ter o certificado, que com certeza, vai enriquecer muito o currículo de quem a concluir. Este curso está totalmente voltado a mulheres questionadoras que busque entender seu lugar em meio à sociedade. Tem acolhimento infantil. Não temos professores específicos ou prova, todas nós estamos aqui para aprender e ensinar.

    É importante que nós como promotoras íamos levar o conhecimento que aprendemos aqui para os espaços onde atuamos, para assim conseguimos propagar o conhecimento e o direito que as mulheres têm. Depois de formada teremos outras oportunidades, caso venhamos nos dispor, para participar do fórum de promotoras (seminários e universidades), ou facilitadoras neste curso. 

    PLP é um movimento social nacional onde suas militantes buscam propagar os conhecimentos aqui adquiridos. É um espaço que não tem chefia, é uma construção coletiva com oficinas de temas cotidianos como classe, raça e/ou gênero. Vamos criar também um grupo de WhatsApp para melhor comunicação entre as participantes. 

    Foi informado que não podemos fazer fotos ou vídeos da oficina, pois tem grupo específico de comunicação para fazer esse trabalho. Mais ou menos em Outubro ou Novembro teremos a proposta de ação em que a turma vai construir e organizar como que será feito. Dia 5 de Dezembro é a formatura.

    Foi informado ainda que temos parceria entre UNB e Ministério Público com atendimento por professores e alunos do curso de Direito, psicologia e assistência social. Houve ainda ensinamentos de como fazer audiodescrição: cabeça - ombro - joelho e pé, que acabou sendo o momento de descontração e riquíssimo e conhecimento. Foi nos explicado que essa é uma tarefa de todos nós. 

    Houve ainda reflexão por meio de dinâmica com participação das Cours estás dê como seria a escola perfeita, e com quão distante ela está o padrão que hoje nos é imposto. Pois esse modelo foi criado para nos padronizar e nos colocar cada vez mais um distante do outro. Fizemos reflexão ainda de como seria essa educação ideal. Por fim, foi maravilhoso esse primeiro encontro, e já deixou aquele gostinho de já querer que chegue logo sábado para segunda parte. 


Relatoria da cursista: Elcidmaria Cosma

    Olá, eu me chamo Elcidmaria Cosma sou aluna do curso. Gostaria de relatar minha experiência durante o curso Promotoras legais populares do ano de 2026. 

    O que pude contemplar foi a troca de experiências, aprendizados e vivências, com muito acolhimento das promotoras tivemos trocas de empatia e respeito. Elas nos ensinam de modo lúdico questões que geraram debates sadios sobre educação escolar,  como deveria ser a educação no Brasil, por exemplo. Tivemos um intervalo onde o diálogo foi de forma bem informal, assim todas estavam interagindo umas com outras. 

Ali diante desse cenário de acolhimento percebi que todas nós devemos cuidar umas das outras sem julgamentos que sociedade insiste em colocar uma contra outra.



Brasília, 11 de abril de 2026.