sexta-feira, 14 de agosto de 2026

14ª OFICINA DE 2026

Conscientização sobre tráfico de pessoas


A oficina desse dia (08 de Agosto de 2026) foi realizada com as PLPs de Águas Lindas. 
Saímos às 8h30 de Ceilândia e fomos recebidas pelas companheiras do entorno no IFG, onde elas realizam suas oficinas. Na biblioteca, éramos várias mulheres, rostos conhecidos e novos. 
A primeira dinâmica foi de apresentação, formamos duplas, preferentemente entre uma mulher do núcleo de Águas Lindas e outra de Ceilândia para trocar uma ideia, se apresentar, informações como nome, idade, em qual cidade mora e algo que goste de fazer ou se sinta caracterizada por isso, logo, nos apresentamos para a grande roda, foi bonito.
As facilitadoras do tema do dia eram duas assistentes sociais, Yasmin, que trabalha na Defensoria Pública do Distrito Federal e Stephane, que está cursando residência pela Fiocruz, e ambas fazem parte do núcleo de investigação sobre tráfico de pessoas da UnB. 
O tema, sensível, pareceu ter tirado o ar da turma, que escutou em silêncio. Aprendemos sobre as características do tráfico de pessoas, como costuma acontecer, quais os respaldos jurídicos para as vítimas, e também quais as formas de prevenção. 
Para continuar aprofundando o tema, nos dividimos em seis grupos e cada um recebeu um caso para discutir e levantar hipóteses de formas de prevenção e proteção. Havia temas como trabalhadora doméstica sem nenhum tipo de direito, pessoa em situação de exploração sexual, sequestro de bebês, exploração de trabalho entre outros. 
Antes dos grupos, tivemos uma pausa para o lanche, e Águas Lindas arrasou com a variedade de frutas e comidas gostosas (queremos visitar mais vezes!).
Finalizamos a atividade do dia apresentando as discussões de caso e que cada uma falasse uma palavra que marcou aquele encontro. Entre todas as palavras, o nome de Rosa Maria, referência para as PLPs do DF e GO, encheu aquele espaço para recordar porquê lutamos.

Relatoria da cursista: Mariana Lemes 


Águas Líndas, 8 de Agosto de 2026.


13ª OFICINA DE 2026

 Oficina sobre a violência política de gênero e fake news

 
O ambiente político costuma ser extremamente violento com as mulheres, tanto com as parlamentares quanto com as eleitoras, como podemos observar nas falas de figuras “importantes” da política nacional, que proferem colocações como: “Mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras não, isso que eu tô dizendo, pode arrancar os pentelhos das calcinhas, pode fazer o que você quiser.”
Além disso, podemos observar outras formas de violência, como, por exemplo, aquelas vividas pela presidenta Dilma, que teve sua imagem submetida a uma série de depreciações, inclusive com teor sexual, de forma popularizada. Para além do aspecto político, os últimos acontecimentos envolvendo até mesmo Michelle Bolsonaro, que acusa seu partido político, o PL, de não levar em consideração suas sugestões, também evidenciam as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no ambiente político.
Sempre se busca uma forma de tirar o foco das mulheres e de suas ações políticas, além de colocá-las em determinadas “caixinhas”, como se suas contribuições não fossem importantes. É muito corriqueiro observar comparações relacionadas às roupas que as mulheres na política utilizam, algo que não costuma ocorrer da mesma forma com os parlamentares homens.
Para além dessas, que ficariam mais no campo da violência “indireta”, também conseguimos observar uma série de violências explícitas e, muitas vezes, institucionalizadas contra parlamentares. Para que fosse possível entender melhor essa questão, foi realizada uma dinâmica na qual avaliamos notícias que evidenciam tais situações. 
O assassinato da vereadora Marielle Franco aparece, infelizmente, como uma marca significativa de tal dado alarmante. Mesmo após sua morte, Marielle teve sua dignidade invadida, sendo alvo de fake news que insinuavam que seu assassinato teria acontecido em razão de um suposto relacionamento com alguém ligado ao tráfico. 
Outro exemplo de institucionalização da violência foi a inserção das fotos das deputadas Erika Hilton e Duda Salabert, pela Polícia Civil de Pernambuco, em um álbum de reconhecimento fotográfico de suspeitas. Tal inserção é completamente ilógica, pois ambas são parlamentares, não havendo o menor sentido em incluí-las em um documento com imagens de suspeitas a serem exibidas à vítima, que teria sido alvo de roubo em fevereiro de 2025. A própria Defensoria apontou que “a seleção das imagens não seguiu critérios técnicos, mas sim características identitárias, como gênero e raça”. 
Outro exemplo de violência sofrida pela deputada Erika Hilton foi o episódio em que o deputado Abílio Brunini (PL) foi acusado de violência política de gênero contra a deputada. Após um debate, em que Erika afirmou que Brunini estava “carente”, o deputado respondeu: “Por que, tá precisando de serviço?”. Tal frase remete diretamente ao estigma sexual que muitas mulheres, especialmente mulheres trans, enfrentam. 
Infelizmente, a violência política se manifesta de diversas formas, como no caso envolvendo as ex-deputadas estaduais de São Paulo Isa Penna (PCdoB), no processo contra o ex-deputado Fernando Cury (União Brasil), acusado de importunação sexual, registrada em vídeo durante uma sessão realizada na Alesp. 
Tendo em perspectiva tais situações, debatemos alguns pontos importantes, como qual seria o limite do debate político, do qual, de modo geral, concluímos que seria o respeito. Buscamos entender também onde seria possível identificar a violência de gênero, e entendo que podemos observar com atenção a forma como o discurso é transmitido e construído.
Para além disso, também debatemos como seria possível identificar uma fake news, a partir da análise da fonte da notícia, da realização de pesquisas e de outras formas de verificação. Por fim, buscamos entender quais seriam os mecanismos para evitar o engajamento em notícias falsas. De maneira geral, ficou entendido que a principal medida seria não compartilhar a notícia e realizar a denúncia ao veículo que a compartilhou.
As reflexões do dia foram de extrema importância. Somente com muita informação e percepção será possível entender onde as violências nos atingem e buscar mecanismos de combate.

Relatoria da cursista:  Letícia Alves Lopes  

Brasília, 01 de Agosto de 2026.


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

12ª OFICINA DE 2026

Três poderes e sistema eleitoral


Na oficina do dia 11 de julho, houve uma aula sobre como os discursos de partidos políticos, orientados por diferentes ideologias, valores e correntes filosóficas, são promovidos em suas campanhas eleitorais em ano eleitoral. Foram abordados a distinção entre os espectros políticos de esquerda e direita, que carregam essas ideias amplamente reproduzidas no debate público e que são decisivas para a elaboração de políticas públicas e na participação social. 
O encontro das PLPs se iniciou com uma dinâmica em que uma das facilitadoras simulou ser uma candidata apresentando propostas de campanha eleitoral. A facilitadora começou a dinâmica com um tema bastante polêmico reproduzido por figuras públicas: o punitivismo penal e o combate à criminalidade. Essa pauta que conta com apoio de grandes grupos de massas da população e transcende a polarização política, sendo uma das consequências diretas da desigualdade social em diferentes regiões brasileiras.
A partir disso, a dinâmica funcionou em rodízio, em que uma cursista simulava ser um político defendendo suas propostas e ideias de campanha, as demais “votavam” ao se deslocar para o seu lado da candidata se concordassem com a proposta ou permaneciam em seus lugares. Essa atividade nos faz refletir sobre como funciona o debate eleitoral promovido por figuras públicas na política e o seu impacto retórico com o apoio da massas e determinadas ideias de campanha. 
Para entender como funciona o debate político atual, a conjuntura política passou por acontecimentos marcantes nos últimos 12 anos no Brasil: as Jornadas de Junho, que foram uma série de protestos populares pela insatisfação com a baixa qualidade dos serviços públicos de saúde ocorridos no Brasil em junho de 2013; a eleição presidencial de 2014 no Brasil foi marcada pela disputa presidencial polarizada entre Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), com a reeleição de Dilma Rousseff no segundo turno; a Operação Lava Jato, que foi uma grande operação de investigação de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a participação do poder público e o setor privado, provocando rejeição e falta de confiança da população no governo na época; em 2016 ocorreu o impeachment presidencial de Dilma Rousseff, que aprofundou a polarização política entre direita e esquerda; a eleição presidencial de 2018 ficou marcada por uma forte guinada à direita com a ascensão do bolsonarismo, que abraçou o sentimento antipetista e antissistema orientado pelo discurso anticorrupção, com pautas conservadoras e a defesa do liberalismo econômico, e a comunicação político-eleitoral com o uso massivo de redes sociais; a polarização política continuou durante a pandemia de COVID-19, quando se passou a politizar a saúde pública ao gerar debates divididos sobre o isolamento social, questionamento da ciência e a eficácia das vacinas; por fim, a última eleição de 2022 foi marcada pela disputa presidencial que representou os espectros de esquerda e direita, assim como a divisão política provocou divergências que moldaram as relações familiares e grupos de amizade, pautadas pela dinâmica das redes sociais.  
Após a primeira dinâmica, foi ministrada uma aula sobre a divisão dos Três Poderes e o seu papel na formação do Estado. De acordo com a Constituição de 1988, o Estado brasileiro é dividido pelo Executivo, responsável pela governabilidade da administração pública e pela execução de políticas públicas que atendem às necessidades da população. Já o poder Judiciário tem como função garantir a aplicação das leis em casos concretos para resolver conflitos entre cidadãos, entidades públicas e privadas, e o próprio Estado, ao julgar causas e garantir direitos constitucionais. Por fim, o poder Legislativo é responsável por criar as leis e fiscalizar o Poder Executivo. 
A oficina contou com a participação da convidada Tetê Monteiro, ativista de direitos humanos e de movimentos sociais, dirigente do PSOL e, sobretudo, é uma PLP. Sua trajetória no partido é marcada pela luta pelos direitos sociais, especialmente de grupos marginalizados, aqui no Distrito Federal. Sua participação na oficina foi essencial para ajudar as cursistas a entender o funcionamento dos Três Poderes, do sistema eleitoral e a forma como ambos definem os rumos da política, trazendo exemplos com base na sua trajetória e militância na política. 
Após a explicação sobre os Três Poderes e o sistema federativo, houve uma segunda dinâmica em duplas com cartas, onde tínhamos que colocar no grupo de cartas qual informação estava associada aos Três Poderes do Brasil. Após cada grupo responder agrupando as cartas, foi feita uma explicação sobre relação e interação entre as instituições, competência ou função pertence a determinado Poder, ao explicar suas diferenças e semelhanças. 
Essa oficina contribuiu para o aprendizado das cursistas sobre conceitos que costumam ser complexos, auxiliando na compreensão de como funciona o Estado brasileiro a partir da lógica política da Constituição Federal de 1988. O encontro das PLPs foi participativa na troca de conhecimento e ideias, que puderam trazer suas dúvidas, e as intervenções da convidada foram fundamentais para esclarecer conceitos políticos e enriqueceu as discussões em torno do tema. 
Ao longo de todo o encontro, as discussões promoveram reflexões que ajudaram a desmistificar a ideia de que "política não se discute". Se desmontou a ideia da polarização entre os dois lados dos espectros políticos ao contrapor propondo que discutir política é uma forma legítima de exercer a nossa cidadania. Para nós mulheres, sendo PLPs enquanto movimento social, ao conhecer nossos direitos e deveres como parte da sociedade, além de ser uma força de militância política fundamental reivindicação popular de melhorias e denunciar desigualdades sociais.

Relatoria da cursista: Erika de Souza

Brasília, 11 de Julho de 2026

11ª OFICINA DE 2026

Partidos políticos, esquerda e direita


A aula do dia 04/07 começou com uma dinâmica em grupos, na qual construímos nuvens de palavras a partir dos termos política, esquerda e direita. 
A atividade mostrou que essas palavras despertam diferentes percepções e sentimentos, revelando como nossas vivências e os contextos em que estamos inseridas influenciam a forma como entendemos esses conceitos. 
Depois, discutimos o significado da política e a importância da atuação dos movimentos sociais. A conversa reforçou que política não se resume às eleições ou aos partidos, mas está presente nas decisões que afetam nosso cotidiano e na luta pela garantia de direitos. 
Na segunda parte da aula, conhecemos a origem histórica dos termos esquerda e direita, relacionados à Revolução Francesa, e conversamos sobre como esses conceitos foram sendo transformados ao longo do tempo. Foi explicado que, embora existam diferentes correntes políticas, de forma geral a esquerda costuma defender políticas voltadas para a redução das desigualdades sociais e maior atuação do Estado, enquanto a direita tende a priorizar a liberdade econômica, a iniciativa privada e uma menor intervenção estatal. Também foi ressaltado que essas definições não são absolutas e que existem diferentes posicionamentos dentro de cada campo político. 
Por fim, refletimos sobre a forma como as pautas feministas podem ser apropriadas por diferentes grupos políticos. A discussão mostrou a importância de analisar criticamente esses discursos, compreendendo que um mesmo tema pode ser defendido sob perspectivas distintas, com propostas e objetivos diferentes. Esse debate contribuiu para desenvolver um olhar mais atento sobre as relações entre política, direitos das mulheres e participação social. 
A aula foi importante para ampliar a compreensão sobre o significado da política para além do senso comum.

Relatoria da cursista: Manuela Rodrigues

Brasília, 04 de Julho de 2026.