sexta-feira, 4 de setembro de 2026

17ª OFICINA DE 2026

 

Planejando a ação da turma


O encontro do dia 29 de agosto teve início com a realização da acolhida das participantes, promovendo um momento inicial de integração e preparação para as atividades previstas. 
Na sequência, foi realizada uma discussão coletiva acerca da ação da turma voltada à divulgação das PLPs, com o objetivo de ampliar a visibilidade da atuação das Promotoras Legais Populares e fortalecer o conhecimento da comunidade acerca da iniciativa e de sua importância para a promoção e defesa de direitos. Durante a discussão, as participantes apresentaram sugestões de possíveis locais para a realização da ação, considerando espaços com potencial de alcance do público e de aproximação com a comunidade. 
As sugestões apresentadas serão posteriormente avaliadas quanto à viabilidade de execução, considerando aspectos como localização, público, autorização, logística e organização da atividade. Também foi discutida a proposta de elaboração da camisa da turma, contemplando elementos que representem a identidade coletiva e a trajetória das participantes ao longo do curso.
Ao final do encontro, foram estabelecidas as seguintes missões e deliberações para a turma: Definir uma mulher a ser homenageada na camisa da turma; definir a oradora da turma, que ficará responsável pela representação e fala em momento oportuno; definir uma mulher integrante da própria turma para ser homenageada, valorizando sua trajetória. As definições serão retomadas nos próximos encontros, de modo a possibilitar a participação coletiva das integrantes e a organização dos encaminhamentos necessários para a realização das ações propostas.

Relatoria da cursista: Ana Moreira

Brasília, 29 de Agosto de 2026.






16ª OFICINA DE 2026

 

Medidas Protetivas às Mulheres




O encontro das PLP's, realizado no dia 22 de agosto, apresentou uma proposta diferente das oficinas realizadas habitualmente, sendo desenvolvido por meio de uma palestra e roda de conversa com o tema “Lei Maria da Penha: 20 anos e o futuro”. O momento contou com a participação de diferentes convidadas e nomes de relevância para a discussão da temática, proporcionando às cursistas um espaço de informação, reflexão e diálogo sobre a violência contra as mulheres e os mecanismos de proteção existentes.

A atividade foi iniciada pela professora Lívia, que realizou a abertura do encontro e apresentou as palestrantes que participariam da programação. Em seguida, outra professora conduziu uma fala sobre o processo histórico percorrido até a criação da Lei Maria da Penha, contextualizando as transformações ocorridas ao longo dos anos. Durante sua apresentação, também foram compartilhadas informações sobre os atendimentos realizados anteriormente pelo Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da UnB. Foi destacado que parte dos registros desses atendimentos acabou sendo perdida e que, por esse motivo, o número de mulheres efetivamente atendidas foi significativamente maior do que aquele que consta nos registros disponíveis.

Após esse primeiro momento, as participantes se dirigiram ao salão do NPJ, onde foi realizada uma palestra com uma defensora pública do Distrito Federal. A apresentação teve como foco o reconhecimento e a identificação dos diferentes tipos de violência, sendo abordadas as violências *física, psicológica, patrimonial, sexual e moral*.

Durante a palestra, as mulheres presentes puderam realizar perguntas e esclarecer dúvidas relacionadas à temática, que foram respondidas de forma bastante esclarecedora pela defensora. Também foram discutidas as medidas protetivas e as possibilidades de atendimento e acolhimento para mulheres em situação de violência, incluindo a importância da proteção e do acolhimento de seus filhos.

Foram ainda apresentados números e contatos importantes para a realização de denúncias, tanto pela própria mulher em situação de violência quanto por terceiros que tenham conhecimento de algum caso. Essas informações contribuíram para ampliar o conhecimento das participantes sobre os canais disponíveis para buscar ajuda, orientação e proteção.

Na sequência, algumas cursistas realizaram a distribuição de materiais didáticos e informativos relacionados à temática trabalhada durante o encontro. Os materiais disponibilizados apresentaram conteúdos ricos e esclarecedores, contribuindo para o aprofundamento das informações discutidas e oferecendo recursos que podem ser consultados posteriormente pelas participantes.

Posteriormente, a palavra foi passada às professoras, que complementaram as discussões apresentadas pela defensora pública, ampliando as reflexões sobre a Lei Maria da Penha, as diferentes formas de violência e a importância da informação como instrumento de prevenção, identificação e enfrentamento da violência contra as mulheres.

O encontro foi encerrado com um agradecimento realizado pela organizadora, que ressaltou a importância da participação de todas e da realização de espaços de diálogo e formação sobre uma temática tão relevante. De modo geral, a atividade proporcionou um momento significativo de aprendizado e conscientização, possibilitando às participantes conhecer melhor seus direitos, os mecanismos de proteção previstos pela legislação e as formas de buscar apoio diante de situações de violência.

Relatoria da cursista: Lyvia Neres 

Brasília, 21 de Agosto de 2026.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

14ª OFICINA DE 2026

Conscientização sobre tráfico de pessoas


A oficina desse dia (08 de Agosto de 2026) foi realizada com as PLPs de Águas Lindas. 
Saímos às 8h30 de Ceilândia e fomos recebidas pelas companheiras do entorno no IFG, onde elas realizam suas oficinas. Na biblioteca, éramos várias mulheres, rostos conhecidos e novos. 
A primeira dinâmica foi de apresentação, formamos duplas, preferentemente entre uma mulher do núcleo de Águas Lindas e outra de Ceilândia para trocar uma ideia, se apresentar, informações como nome, idade, em qual cidade mora e algo que goste de fazer ou se sinta caracterizada por isso, logo, nos apresentamos para a grande roda, foi bonito.
As facilitadoras do tema do dia eram duas assistentes sociais, Yasmin, que trabalha na Defensoria Pública do Distrito Federal e Stephane, que está cursando residência pela Fiocruz, e ambas fazem parte do núcleo de investigação sobre tráfico de pessoas da UnB. 
O tema, sensível, pareceu ter tirado o ar da turma, que escutou em silêncio. Aprendemos sobre as características do tráfico de pessoas, como costuma acontecer, quais os respaldos jurídicos para as vítimas, e também quais as formas de prevenção. 
Para continuar aprofundando o tema, nos dividimos em seis grupos e cada um recebeu um caso para discutir e levantar hipóteses de formas de prevenção e proteção. Havia temas como trabalhadora doméstica sem nenhum tipo de direito, pessoa em situação de exploração sexual, sequestro de bebês, exploração de trabalho entre outros. 
Antes dos grupos, tivemos uma pausa para o lanche, e Águas Lindas arrasou com a variedade de frutas e comidas gostosas (queremos visitar mais vezes!).
Finalizamos a atividade do dia apresentando as discussões de caso e que cada uma falasse uma palavra que marcou aquele encontro. Entre todas as palavras, o nome de Rosa Maria, referência para as PLPs do DF e GO, encheu aquele espaço para recordar porquê lutamos.

Relatoria da cursista: Mariana Lemes 


Águas Líndas, 8 de Agosto de 2026.


13ª OFICINA DE 2026

 Oficina sobre a violência política de gênero e fake news

 
O ambiente político costuma ser extremamente violento com as mulheres, tanto com as parlamentares quanto com as eleitoras, como podemos observar nas falas de figuras “importantes” da política nacional, que proferem colocações como: “Mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras não, isso que eu tô dizendo, pode arrancar os pentelhos das calcinhas, pode fazer o que você quiser.”
Além disso, podemos observar outras formas de violência, como, por exemplo, aquelas vividas pela presidenta Dilma, que teve sua imagem submetida a uma série de depreciações, inclusive com teor sexual, de forma popularizada. Para além do aspecto político, os últimos acontecimentos envolvendo até mesmo Michelle Bolsonaro, que acusa seu partido político, o PL, de não levar em consideração suas sugestões, também evidenciam as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no ambiente político.
Sempre se busca uma forma de tirar o foco das mulheres e de suas ações políticas, além de colocá-las em determinadas “caixinhas”, como se suas contribuições não fossem importantes. É muito corriqueiro observar comparações relacionadas às roupas que as mulheres na política utilizam, algo que não costuma ocorrer da mesma forma com os parlamentares homens.
Para além dessas, que ficariam mais no campo da violência “indireta”, também conseguimos observar uma série de violências explícitas e, muitas vezes, institucionalizadas contra parlamentares. Para que fosse possível entender melhor essa questão, foi realizada uma dinâmica na qual avaliamos notícias que evidenciam tais situações. 
O assassinato da vereadora Marielle Franco aparece, infelizmente, como uma marca significativa de tal dado alarmante. Mesmo após sua morte, Marielle teve sua dignidade invadida, sendo alvo de fake news que insinuavam que seu assassinato teria acontecido em razão de um suposto relacionamento com alguém ligado ao tráfico. 
Outro exemplo de institucionalização da violência foi a inserção das fotos das deputadas Erika Hilton e Duda Salabert, pela Polícia Civil de Pernambuco, em um álbum de reconhecimento fotográfico de suspeitas. Tal inserção é completamente ilógica, pois ambas são parlamentares, não havendo o menor sentido em incluí-las em um documento com imagens de suspeitas a serem exibidas à vítima, que teria sido alvo de roubo em fevereiro de 2025. A própria Defensoria apontou que “a seleção das imagens não seguiu critérios técnicos, mas sim características identitárias, como gênero e raça”. 
Outro exemplo de violência sofrida pela deputada Erika Hilton foi o episódio em que o deputado Abílio Brunini (PL) foi acusado de violência política de gênero contra a deputada. Após um debate, em que Erika afirmou que Brunini estava “carente”, o deputado respondeu: “Por que, tá precisando de serviço?”. Tal frase remete diretamente ao estigma sexual que muitas mulheres, especialmente mulheres trans, enfrentam. 
Infelizmente, a violência política se manifesta de diversas formas, como no caso envolvendo as ex-deputadas estaduais de São Paulo Isa Penna (PCdoB), no processo contra o ex-deputado Fernando Cury (União Brasil), acusado de importunação sexual, registrada em vídeo durante uma sessão realizada na Alesp. 
Tendo em perspectiva tais situações, debatemos alguns pontos importantes, como qual seria o limite do debate político, do qual, de modo geral, concluímos que seria o respeito. Buscamos entender também onde seria possível identificar a violência de gênero, e entendo que podemos observar com atenção a forma como o discurso é transmitido e construído.
Para além disso, também debatemos como seria possível identificar uma fake news, a partir da análise da fonte da notícia, da realização de pesquisas e de outras formas de verificação. Por fim, buscamos entender quais seriam os mecanismos para evitar o engajamento em notícias falsas. De maneira geral, ficou entendido que a principal medida seria não compartilhar a notícia e realizar a denúncia ao veículo que a compartilhou.
As reflexões do dia foram de extrema importância. Somente com muita informação e percepção será possível entender onde as violências nos atingem e buscar mecanismos de combate.

Relatoria da cursista:  Letícia Alves Lopes  

Brasília, 01 de Agosto de 2026.