O encontro teve como tema central a discussão sobre classe social, desigualdade, consumismo e os impactos estruturais dessas divisões na vida das pessoas.
No primeiro momento, assistimos a um vídeo do influenciador “Primo Pobre”, que defendia a ideia de enriquecimento através da economia individual, esforço e humildade. A partir disso, realizamos a dinâmica “Quem larga na frente”, onde cada uma recebeu um papel com realidades sociais diferentes. Algumas possuíam privilégios, como genitores formados, estabilidade financeira e rede de apoio; outras representavam vivências marcadas por dificuldades, como maternidade solo, necessidade de trabalhar cedo, cuidar da casa o pagar aluguel.
A dinâmica tornou visível como a meritocracia não considera que nem todas as pessoas começam do mesmo ponto. Algumas já largam (nascem) muito à frente devido aos privilégios sociais, econômicos e familiares herdados historicamente.
No segundo momento, participamos de um “Chá Revelação” sobre classes sociais. A atividade mostrou a enorme concentração de renda existente no Brasil e como a maioria da população se identifica com as classes populares, enquanto uma minoria concentra riqueza e oportunidades. Através de perguntas sobre hábitos de vida, consumo e acesso a determinados espaços, refletimos sobre pertencimento social e desigualdade.
No terceiro momento, assistimos a um vídeo sobre classe social com o sociólogo Thiago, onde aprendemos conceitos utilizados oficialmente para diferenciar as classes econômicas.
Também discutimos como essas classificações são utilizadas tanto pelo governo, na elaboração de políticas públicas, quanto pelas empresas, através do marketing, da publicidade e dos algoritmos que direcionam produtos e desejos para diferentes públicos.
Foram debatidos conceitos como burguesia, proletariado, modos de produção e capital político, refletindo sobre como influência, dinheiro e oportunidades muitas vezes são herdados. Também conversamos sobre nepotismo e sobre como certos grupos acumulam vantagens históricas enquanto outros permanecem em situação de vulnerabilidade.
No último momento, assistimos a um vídeo sobre consumismo e sociedade de consumo.
Refletimos sobre como o sistema cria falsas necessidades para manter o ciclo constante de produção e lucro. Discutimos também a obsolescência planejada, onde muitos produtos já são fabricados para durar pouco tempo, incentivando o consumo contínuo e gerando impactos ambientais e sociais cada vez mais insustentáveis.
O debate também trouxe reflexões sobre como essas questões afetam diretamente as mulheres, especialmente através da pressão estética, do consumo ligado à autoestima, do etarismo e da constante exigência de juventude, beleza e produtividade. Observamos como o mercado utiliza inseguranças femininas para estimular o consumo de produtos, procedimentos e padrões muitas vezes inacessíveis para grande parte das mulheres.
Também relacionamos essas questões ao racismo ambiental, entendendo que os maiores impactos da degradação ambiental, da precarização e da falta de infraestrutura atinge principalmente populações periféricas, negras e vulnerabilizadas.
O encontro proporcionou reflexões importantes sobre desigualdade, privilégios, consumo, sustentabilidade e justiça social, mostrando como questões econômicas, ambientais e sociais estão profundamente conectadas no cotidiano das mulheres.
Relatoria da Cursista: Vitória de Meneses
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| Brasília, 16 de Maio de 2026. |



