sexta-feira, 7 de agosto de 2026

12ª OFICINA DE 2026

Partidos políticos, esquerda e direita. Na oficina do dia 11 de julho, houve uma aula sobre como os discursos de partidos políticos, orientados por diferentes ideologias, valores e correntes filosóficas, são promovidos em suas campanhas eleitorais em ano eleitoral. Foram abordados a distinção entre os espectros políticos de esquerda e direita, que carregam essas ideias amplamente reproduzidas no debate público e que são decisivas para a elaboração de políticas públicas e na participação social. O encontro das PLPs se iniciou com uma dinâmica em que uma das facilitadoras simulou ser uma candidata apresentando propostas de campanha eleitoral. A facilitadora começou a dinâmica com um tema bastante polêmico reproduzido por figuras públicas: o punitivismo penal e o combate à criminalidade. Essa pauta que conta com apoio de grandes grupos de massas da população e transcende a polarização política, sendo uma das consequências diretas da desigualdade social em diferentes regiões brasileiras. A partir disso, a dinâmica funcionou em rodízio, em que uma cursista simulava ser um político defendendo suas propostas e ideias de campanha, as demais “votavam” ao se deslocar para o seu lado da candidata se concordassem com a proposta ou permaneciam em seus lugares. Essa atividade nos faz refletir sobre como funciona o debate eleitoral promovido por figuras públicas na política e o seu impacto retórico com o apoio da massas e determinadas ideias de campanha. Para entender como funciona o debate político atual, a conjuntura política passou por acontecimentos marcantes nos últimos 12 anos no Brasil: as Jornadas de Junho, que foram uma série de protestos populares pela insatisfação com a baixa qualidade dos serviços públicos de saúde ocorridos no Brasil em junho de 2013; a eleição presidencial de 2014 no Brasil foi marcada pela disputa presidencial polarizada entre Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), com a reeleição de Dilma Rousseff no segundo turno; a Operação Lava Jato, que foi uma grande operação de investigação de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a participação do poder público e o setor privado, provocando rejeição e falta de confiança da população no governo na época; em 2016 ocorreu o impeachment presidencial de Dilma Rousseff, que aprofundou a polarização política entre direita e esquerda; a eleição presidencial de 2018 ficou marcada por uma forte guinada à direita com a ascensão do bolsonarismo, que abraçou o sentimento antipetista e antissistema orientado pelo discurso anticorrupção, com pautas conservadoras e a defesa do liberalismo econômico, e a comunicação político-eleitoral com o uso massivo de redes sociais; a polarização política continuou durante a pandemia de COVID-19, quando se passou a politizar a saúde pública ao gerar debates divididos sobre o isolamento social, questionamento da ciência e a eficácia das vacinas; por fim, a última eleição de 2022 foi marcada pela disputa presidencial que representou os espectros de esquerda e direita, assim como a divisão política provocou divergências que moldaram as relações familiares e grupos de amizade, pautadas pela dinâmica das redes sociais. Após a primeira dinâmica, foi ministrada uma aula sobre a divisão dos Três Poderes e o seu papel na formação do Estado. De acordo com a Constituição de 1988, o Estado brasileiro é dividido pelo Executivo, responsável pela governabilidade da administração pública e pela execução de políticas públicas que atendem às necessidades da população. Já o poder Judiciário tem como função garantir a aplicação das leis em casos concretos para resolver conflitos entre cidadãos, entidades públicas e privadas, e o próprio Estado, ao julgar causas e garantir direitos constitucionais. Por fim, o poder Legislativo é responsável por criar as leis e fiscalizar o Poder Executivo. A oficina contou com a participação da convidada Tetê Monteiro, ativista de direitos humanos e de movimentos sociais, dirigente do PSOL e, sobretudo, é uma PLP. Sua trajetória no partido é marcada pela luta pelos direitos sociais, especialmente de grupos marginalizados, aqui no Distrito Federal. Sua participação na oficina foi essencial para ajudar as cursistas a entender o funcionamento dos Três Poderes, do sistema eleitoral e a forma como ambos definem os rumos da política, trazendo exemplos com base na sua trajetória e militância na política. Após a explicação sobre os Três Poderes e o sistema federativo, houve uma segunda dinâmica em duplas com cartas, onde tínhamos que colocar no grupo de cartas qual informação estava associada aos Três Poderes do Brasil. Após cada grupo responder agrupando as cartas, foi feita uma explicação sobre relação e interação entre as instituições, competência ou função pertence a determinado Poder, ao explicar suas diferenças e semelhanças. Essa oficina contribuiu para o aprendizado das cursistas sobre conceitos que costumam ser complexos, auxiliando na compreensão de como funciona o Estado brasileiro a partir da lógica política da Constituição Federal de 1988. O encontro das PLPs foi participativa na troca de conhecimento e ideias, que puderam trazer suas dúvidas, e as intervenções da convidada foram fundamentais para esclarecer conceitos políticos e enriqueceu as discussões em torno do tema. Ao longo de todo o encontro, as discussões promoveram reflexões que ajudaram a desmistificar a ideia de que "política não se discute". Se desmontou a ideia da polarização entre os dois lados dos espectros políticos ao contrapor propondo que discutir política é uma forma legítima de exercer a nossa cidadania. Para nós mulheres, sendo PLPs enquanto movimento social, ao conhecer nossos direitos e deveres como parte da sociedade, além de ser uma força de militância política fundamental reivindicação popular de melhorias e denunciar desigualdades sociais. Relatoria da cursista: Erika de Souza

11ª OFICINA DE 2026

A aula do dia 04/07 começou com uma dinâmica em grupos, na qual construímos nuvens de palavras a partir dos termos política, esquerda e direita. A atividade mostrou que essas palavras despertam diferentes percepções e sentimentos, revelando como nossas vivências e os contextos em que estamos inseridas influenciam a forma como entendemos esses conceitos. Depois, discutimos o significado da política e a importância da atuação dos movimentos sociais. A conversa reforçou que política não se resume às eleições ou aos partidos, mas está presente nas decisões que afetam nosso cotidiano e na luta pela garantia de direitos. Na segunda parte da aula, conhecemos a origem histórica dos termos esquerda e direita, relacionados à Revolução Francesa, e conversamos sobre como esses conceitos foram sendo transformados ao longo do tempo. Foi explicado que, embora existam diferentes correntes políticas, de forma geral a esquerda costuma defender políticas voltadas para a redução das desigualdades sociais e maior atuação do Estado, enquanto a direita tende a priorizar a liberdade econômica, a iniciativa privada e uma menor intervenção estatal. Também foi ressaltado que essas definições não são absolutas e que existem diferentes posicionamentos dentro de cada campo político. Por fim, refletimos sobre a forma como as pautas feministas podem ser apropriadas por diferentes grupos políticos. A discussão mostrou a importância de analisar criticamente esses discursos, compreendendo que um mesmo tema pode ser defendido sob perspectivas distintas, com propostas e objetivos diferentes. Esse debate contribuiu para desenvolver um olhar mais atento sobre as relações entre política, direitos das mulheres e participação social. A aula foi importante para ampliar a compreensão sobre o significado da política para além do senso comum. Relatoria da cursista: Manuela Rodrigues

10ª OFICINA DE 2026

A oficina do dia 27/06 teve início com a exibição de um vídeo da primeira edição do Festival Funarte Acessibilidança, Depois do Silêncio. A obra, que une o teatro, a dança e as Libras, narra a trajetória de Helen Keller, uma jovem surdocega que se tornou símbolo mundial de superação, e de Anne Sullivan, uma mulher com baixa visão que dedicou sua vida a ajudá-la a se comunicar e conquistar autonomia. Ao assistir, fomos convidados a perceber como a arte pode ser mais do que expressão estética, ela pode ser ferramenta de inclusão, ponte de diálogo e motor de transformação social. Logo depois a turma foi dividida em dois grupos: as que usavam óculos permaneceram na sala, enquanto as demais foram para fora. Com o grupo das pessoas de óculos, surgiu um tema essencial: a autodescrição. Muitas vezes esquecemos desse recurso porque partimos da ideia de que todos enxergam da mesma forma. Mas a autodescrição é um gesto de respeito, um ato de acessibilidade que garante a participação plena de pessoas cegas ou com baixa visão. É consciência coletiva, é responsabilidade social. Na atividade seguinte, cada pessoa de óculos deveria guiar uma pessoa que estivesse vendada. O primeiro passo foi se apresentar e fazer sua autodescrição, usando de apoio a música cabeça, ombro, joelho e pé para lembrar a ordem. O exercício revelou uma falha cultural, não aprendemos a descrever o mundo em palavras. Dependemos tanto da visão que esquecemos de traduzir o espaço, os gestos e os detalhes para quem não vê. Foi um momento de descoberta e de desconforto, que nos fez pensar sobre o quanto ainda precisamos aprender a comunicar o invisível. Outro ponto marcante foi a discussão sobre a comunicação em Libras. Muitas vezes, quando uma pessoa surda se expressa, o público volta os olhos apenas para o intérprete, esquecendo de quem realmente está falando. Esse hábito invisibiliza o sujeito e reforça barreiras simbólicas. A verdadeira inclusão exige presença e escuta ativa: olhar para quem fala, reconhecer sua voz, seus sentimentos, sua humanidade. Atenção é dignidade. Encerramos com um vídeo sobre a história do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil. Esse momento ampliou nossa visão, mostrando que a luta por acessibilidade é coletiva e histórica. Cada conquista, como o direito à educação inclusiva, o trabalho digno, à mobilidade urbana, nasceu da resistência e da coragem de pessoas que se recusaram a aceitar a exclusão. Assim, a oficina não se limitou a técnicas ou conceitos. Foi um chamado à mudança de postura, compreendendo que acessibilidade não é favor, é direito. Não é detalhe, é condição para a cidadania plena. Mais do que aprender, fomos convocadas a assumir a responsabilidade de construir uma sociedade que reconhece e valoriza todas as formas de existência. Relatoria da cursista: Isabelly Cristiny Agapito Marini

sexta-feira, 10 de julho de 2026

9ª OFICINA DE 2026

Luta e direitos LGBTQIA+

Na oficina do dia 20 de Junho, a aula se iniciou com uma dinâmica de perguntar quantas pessoas de cada bandeira LGBTQIA+ estavam presentes na aula. Em seguida, a facilitadora Gabs explicou o significado de cada cor de cada bandeira da comunidade. 

A bandeira lésbica atual tem 3 diferentes cores e 5 diferentes tonalidades. A cor laranja representa a não conformidade de gênero; a cor laranja claro significa a independência de homens; o branco é o simbolismo das relações únicas com feminilidade; enquanto o rosa claro representa a seriedade e paz, e por último, o rosa escuro representa o amor, o sexo e a feminilidade. Mas a antiga bandeira lésbica, representada pelo fundo roxo, associado ao movimento feminista e lésbico, e com um machado preto centralizado, associado com a mitologia grega e simboliza as Amazonas, tem muita relevância para a comunida lésbica e até hoje tem algumas mulheres da comunidade que se sentem representadas por ela. Além das bandeiras, foi explicado também a distinção entre o que é sáfico e o que é lésbico. Sáfico é associado a poetisa Safos, que escrevia sobre histórias de amor entre mulheres, representa relacionamentos entre duas mulheres, sem necessariamente as duas, ou alguma, ser lésbica, enquanto lésbico é associado à ilha de Lesbos, e significa o relacionamento entre duas mulheres lésbicas.

A bandeira Trans é representada por 3 cores, o azul claro, que representa os homens e as identidades tradicionalmente masculinas; o rosa claro, representando as mulheres e as identidades tradicionalmente femininas, e o branco, associado às pessoas não-binárias

A bandeira bissexual é composta por magenta, roxo e azul. O magenta associa-se ao interesse entre pessoa do mesmo sexo; o roxo à intersecção do interesse em qualquer pessoa, e o azul o interesse entre pessoas do sexo oposto. 

Após a explicação da facilitadora Gabs, foi realizada uma atividade em grupos de até 5 pessoas, onde foram distribuídos o poema de Dry Neres e o poema Tempos Sombrios de Alexandre Bernardo, ambos da coletânea Volúppia: Prece Silenciosa. Corpo em fúria, lançado pela Academia Valparaisense de Letras. E conversando com o grupo, devíamos responder as perguntas “1. Que formas de preconceito, exclusão ou silenciamento aparecem no conto?” e “2. O que as situações retratadas no conto revelam sobre as lutas históricas e os desafios que a população LGBTQIAPN+ ainda enfrenta na atualidade?”. 

Em geral, os grupos apontaram formas de preconceito, exclusão e silenciamento a utilização da expressão “mimimi”, os números altos de assassinato de pessoas LGBTQIA+, as relações de poder do conforto em demonstrar ódio à populações vulneráveis, a estigmatização do HIV/Aids como “doença da culpa”, o medo em se assumir na sociedade e dentro do ambiente familiar e o sofrimento psíquico da comunidade. Ademais, foram encontrados atributos de silenciamento, dentro e fora da comunidade, que seria a imprudência da própria comunidade aos métodos de proteção à ISTs e a negligência quanto ao uso recorrente de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV), PEP (Profilaxia Pós-Exposição à HIV) e pílula do dia seguinte; 

Após a dinâmica, foi apresentado um vídeo que debate se a comunidade LGBTQIAPN+ é privilegiada. Os apresentadores apresentaram o conceito de privilégio como a situação de superioridade amparada por lei ou não ou costumes decorrentes da distribuição desigual do poder político, e os direitos como o conjunto de normas da vida em sociedade que buscam expressar e alcançar o ideal justiça, traçando as fronteiros do ilegal e do obrigatório, normas do que pode ou não fazer dentro da sociedade.

Ademais, as leis de sodomia, uma lei que define certos atos sexuais como crimes, elucidaram não só como não há privilégios, mas como há perseguição à comunidade LGBTQIAPN+. Foi trago a seguinte linha temporal:

Até 1985 a homosexualidade era tratada como doença mental;

Em 2005, a comunidade LGBTQIAPN+ ganha o direito de adoção; 

Apenas em 2011, a comunidade ganhou o direito de união estável e em 2013, o direito ao casamento.

Em 2018, pessoas trans e não-binárias tiveram o direito a alteração de nome e gênero no direito civil.

Apenas em 2019 a transexualidade foi retirada da lista de transtornos mentais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e teve a inclusão da homofobia e da transfobia no crime de racismo. 

Apesar da luta por direitos, é importante ressaltar que esses direitos não foram conseguidos pelo poder legislativo e ainda são insuficientes para a proteção à plena cidadania e dignidade. Ainda há muitas lutas para serem conquistadas, como por exemplo, o direito à vida e dignidade humana de pessoas trans, visto que,o Brasil lidera o ranking de país que mais assassina pessoas trans no mundo a 18 anos consecutivos. 

O posicionamento contra quaisquer preconceitos e formas de silenciamento que percorrem à comunidade não são opcionais, trata-se de uma questão de sobrevivência. Discursos de ódio não devem ser interpretados como liberdade de expressão e a liberdade religiosa, que é um elemento historicamente homofóbico, não deve ser utilizada para agredir a existência de outras pessoas. 

Em contrapartida, há o pink money, o ato de fingir apoiar e estar incluso em causas LGBTQIA+ para “apoio” social, sem de fato representar a causa. Isso ficou evidente com a falta de apoio de empresas na parada gay que ocorreu em 2026. 

Os direitos humanos devem ser pautas de todos os políticos, independente de partido político. Entretanto, devido não só a escassez de pautas LGBTQIAPN+ nos discursos de candidatos políticos, mas o ódio contra eles, a comunidade conquista seus direitos de forma independente.

O denominado direito achado na rua refere-se ao direito que não é igual às normas, mas age como a forma crua do direito, o fenômeno que se expressa nas lutas organizadas que as pessoas vão demandar questões e vão refletir em vida de liberdade e dignidade. O sentido das lutas são os direitos em si. Às vezes as leis podem expressar ou podem negar e retirar direitos. A prática dos direitos vai além das palavras na lei, pois não há justiça quando não há mecanismos de implementar direitos. 

Ademais, as PLPs questionaram-se do por quê as famílias LGBTs são retratadas como famílias disfuncionais e não tradicionais enquanto a heteronormatividade apresenta pais que violentam seus filhos psicologicamente e sexualmente? 

É possível ver que a educação sexual no Brasil é um tabu e alvo de críticas de pessoas conservadoras e religiosas. Entende-se que no pensamento abusador a educação sexual vai incentivar o abuso sexual e induzir crianças a serem LGBTs, enquanto o intuito é ensinar a identificar violências sexuais, psicológicas e físicas contra criancas e adolescentes, assim como ensiná-las a distinguir o que é gênero e o que é sexualidade. Essa linha de raciocínio se dá pela educação sexual ser heterocentrada, ou seja, ser voltada a falar apenas sobre relacionamentos heteronormativos, enquanto a orientação sexual para pessoas LGBTs são negligenciadas ou até inexistentes

Dessa forma, o ataque contra os poucos progressos da educação sexual impedem que haja práticas concretas e contribuem para a estigmatização de prevenção e promoção à saúde que são importantes. Como por exemplo, a vacina do HPV, que recebeu diversos nomes em sua trajetória na saúde pública do Brasil, a nomenclatura da “vacina HPV” foi vista como um método de intervenção sexual para as crianças, fazendo com que os pais não vacinarem seus filhos por nomeação; quando denominou “vacina dos 14 anos” e/ou “vacina contra câncer de colo do útero” os responsáveis estavam aptos a vacinar. 

A aula contribuiu para as cursistas PLPs através do acesso à comunicação, informação e educação em sexualidade, essas que são tão ineficientes na sociedade civil. É muito precioso e importante que tenhamos espaço para aprender as variáveis que interseccionam com os direitos as mulheres. 

Por fim, como última dinâmica da aula, cada cursista citou uma pessoa LGBT que admira, possibilitando que vejamos como parentes, amigos, companheiras, colegas e até próprias cursistas, que estão presentes ou já se foram, são admirados e amados mesmo que não saibam. 

Relatoria da Cursista: Luiza Cunha

Brasília, 20 de Junho de 2026.