terça-feira, 20 de agosto de 2019

[10.08.2019] 15ª OFICINA PROMOTORAS LEGAIS POPULARES CEILÂNDIA





Relatoria
10 de agosto de 2019.

Feche seus olhos, respire fundo, sinta seu coração bater, sinta suas mãos, seus pés... sinta seus dedos, seu sangue fluir em suas veias, sinta a vida que existe em você. E foi assim que iniciamos nosso sábado, tendo consciência do nosso corpo. Dessa máquina poderosa, capaz de estar mais um dia de pé, pronto para aprender e ensinar.
O tema da oficina do dia 10 de agosto foi saúde da mulher e as doenças que mais nos atingem. Em uma das oficinas anteriores, a palestrante nos disse: "olha, os homens estão se cuidando mais, estão correndo atrás dos direitos deles, estão passando as mulheres". O que nos fez refletir muito. É a verdade... acreditamos que estamos sempre sobrecarregadas, com os olhos voltados para o outro… esquecendo de nos cuidar. Aquele "papo" de carga mental é real. Muitos acham genial nossa capacidade de fazer milhares de tarefas ao mesmo tempo, sempre tão fortes. Entretanto, não há nada de belo essa romantização que nos obriga a lembrar de tudo, menos de nós mesmas.
Como de costume, fomos separadas em grupos para discutirmos pontualmente os temas e logo depois levamos o debate para a grande roda. Diversas foram as histórias compartilhadas naquele dia, sua importância para nosso engrandecimento são inestimáveis, contudo, para essa relatoria, decidimos por dar um enfoque maior nas informações obtidas sobre sintomas, diagnósticos e tratamentos, uma vez que foi perceptível, em nossas conversas, a dificuldade de acesso à informações de qualidade, que muitas vezes, são capazes de salvar vidas. Seguem os tópicos:
Saúde geral da mulher: Quando somos adolescentes, às vezes escutamos de nossas mães, quando escutamos, que devemos fazer algo chamado "prevenção", para "ver se tá tudo certinho lá dentro". Acredito que em grupo, entramos em um consenso. De que não devemos esperar nos tornarmos adultas sexualmente ativas para irmos ao ginecologista e começarmos a nos cuidar. É importante que, desde a primeira menstruação, acompanhemos as mudanças de nossos corpos. A melhor forma de lidarmos com isso é nos informando, dialogando, e modificando os tabus existentes entorno dessas temáticas. Não apenas com vistas à prevenirmos doenças, a educação sexual nos permite compreender com clareza os nossos limites, as diferenças que existem, por exemplo, entre uma consulta médica e o que ultrapassa para um abuso ou uma violência. Outra questão abordada neste tópico foi que essas doenças se espalham de forma silenciosa, são democráticas e não possui cara. O número de doenças atacando adultos e idosos vem aumentando exponencialmente por diversos motivos, seja pela falta de conhecimento, pelo excesso de confiança de que isso não vai acontecer consigo, ou porque não tem mais riscos de gravidez. O que nos leva a refletir... por que o medo de uma gravidez é maior do que os riscos de se adquirir uma doença que às vezes pode tantas dificuldades e riscos para a própria vida? Isso poderia ser relacionado ao fato de que a responsabilidade, independente do que aconteça, ser jogada sempre nos braços da mulher, responsável pelo controle familiar e pela higienização da sociedade.
Trazemos aqui alguns exames de rotina que devem ser feitos anualmente por mulheres: Exames gerais (hemograma completo, colesterol total, função tireoidiana, urina, fezes, eletrocardiograma, entre outros), papanicolau e exame pélvico (anualmente a partir dos 18 anos, ou antes, caso já tenha mantido relações sexuais), ultrassom pélvico/transvaginal, autoexame de mama, mamografia, testes de perfil hormonal, diabéticas, entre outros. Foi dado, na grande roda, dicas do dia-a-dia, simples e importantes, como dormir sem calcinha (sempre que possível), fazer xixi após a relação sexual, entre outras.
Endometriose: É uma inflamação provocada por células do endométrio que, em vez de serem expelidas, migram para outras regiões como ovários ou na cavidade abdominal. Não se sabe ainda o que a causa, podendo ser genética ou por deficiência do sistema imunológico, etc.
Sintomas: Cólica menstrual intensa incapacitante, dor nas relações sexuais, infertilidade, dor e sangramento intestinais e urinários durante a menstruação.
Diagnóstico: Exames de imagem, laboratoriais e biópsia
Tratamento: Anticoncepcional, inibidores hormonais, cirurgia.
Observação: No grupo foi levantada a questão que, mesmo com tantos avanços na medicina, o corpo da mulher ainda é negligenciado. Pouco se sabe sobre a endometriose e métodos para reverter a situação.
HPV (vírus do papiloma humano): esse vírus, muito comum entre mulheres e homens. Provoca verrugas (na região genital e anal) e, em seu caso mais grave, pode causar câncer. Apesar de ser uma infecção sexualmente transmissível, é de fácil transmissão a partir do simples contato com pele ou mucosas. O HPV pode não apresentar sintomas, assim como pode ficar incubado por anos até apresentar seus primeiros sintomas. Além disso é uma doença crônica, podendo ou não permanecer no corpo.
Sintomas: pode se apresentar na forma clínica (visível) com verrugas na região genital e no ânus, de vários tamanhos e formas (normalmente não causam incômodo e possivelmente não são cancerígenos). Outra possível lesão é a subclínica (não visível). Os sintomas podem ser percebidos também em homens. É possível que apresente também em outras regiões como dentro do nariz, boca e laringe. Existe a possibilidade de crianças serem infectadas durante o parto, apesar de ser raro.
Diagnóstico: a partir dos sintomas é necessário acompanhamento médico para que sejam feitos exames laboratoriais.
Tratamento: retirada das verrugas com cauterização.
Observação: há alguns anos, foi criada a vacina para prevenir o surto de HPV, o que gerou debates de dimensões gigantescas. O maior pânico criado foi em relação à idade das meninas que seriam imunizadas (geralmente de 9 a 14 anos para meninas e de 11 a 14 para meninos). Grupos conservadores acreditavam que essa era uma maneira de sexualizar meninas tão jovens. Entretanto, a importância da vacinação nessa idade é exatamente imunizar as crianças antes de sua vida sexualmente ativa, uma vez que a taxa de pessoas com a doença são altas. Outro ponto ressaltado foi a necessidade de se imunizar na mesma proporção os meninos, além da importância da educação sexual.
Diabetes: a diabetes ocorre quando a insulina, hormônio que quebra glicose para transformar em energia, possui níveis anormais no corpo. Nesse sentido, pode causar aumento de glicemia. Esse aumento é capaz de gerar diversas complicações podendo levar a morte. Existem dois tipos, a tipo 1, crônica em que o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina, e a tipo 2, doença crônica que modifica a maneira que o corpo processa a açúcar.
Sintomas: fome e sede constantes, vontade de urinar fora do comum, perda de peso, cansaço, náusea, entre outros.
Tratamento: injeções de insulina para normalizar as taxas de glicose no sangue.
Diagnóstico: exame de sangue simples.
Hipertensão: mais uma das doenças crônicas, é caracterizada, de acordo com o site do Ministério da saúde, pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias, o que faz com que o coração exerça esforços maiores para distribuir o sangue corretamente pelo corpo. A hipertensão pode causar acidente vascular cerebral, infarto, aneurisma, insuficiência renal e cardíaca entre outros. É hereditário em 90% dos casos, todavia fatores cotidianos de hábitos podem influenciar.
Sintomas: é uma doença silenciosa, que somente é percebida quando os níveis sobem muito, causando dor no peito, tonturas, zumbido no ouvido, visão embaçada, entre outros.
Tratamento: não tem cura, o tratamento deverá ser individualizado para cada paciente de forma a controlar o caso.
Diagnóstico: medir a pressão com uma certa regularidade a partir dos 20 anos.                                           
Anemia falciforme: esse tipo de anemia é uma mutação no gene da hemoglobina, originando uma célula anormal em forma de foice. Doença muito comum, pode gerar anemia. Cerca de 8% da população negra do país apresenta a doença, sendo mais comum.
Sintomas: podem acontecer já na segunda metade do primeiro ano de vida causando: crise de dor, síndrome mão-pé (dores nessas regiões), maior propensão à infecções, úlceras e sequestro de sangue no baço.
Tratamento: desde a descoberta da doença é necessário acompanhamento em programa de atenção integral, a fim de evitar crises e tratar adequadamente.
Diagnóstico: teste do pezinho e exame de eletroforese de hemoglobina.                                    
Observação: essas doenças atingem com uma especificidade maior a população negra. Segue o link para o PDF do “Manual de doenças mais importantes, por razões étnicas, na população brasileira Afro-descendente” da Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_etnicas.pdf
Perineoplastia: é uma cirurgia que tem como objetivo reconstituir os músculos do períneo, a fim de fortalecer a musculatura, evitar e corrigir casos de incontinência urinária. Pode ser causada nos casos de mulheres que tiveram laceração na musculatura da vagina pela gravidez, reiterados casos de infecções urinárias, uso de medicamentos diuréticos e excesso de peso.
            Sintomas: perda de urina ao tossir, incontinência urinária.
            Prevenção: autocuidado, exercícios íntimos como pompoarismo e visitas periódicas ao ginecologista.
Observação: 40% das mulheres com mais de 50 anos são acometidas. Um debate que foi gerado durante a grande roda foi a utilização da cirurgia com fins meramente estéticos ou para o “prazer do marido”, situação que pode gerar um desconforto para a mulher pelo resto da vida.
Ao finalizarmos a relatoria, relembramos momentos importantes de abertura, diálogos e desabafos. Apesar da dificuldade de nos abrirmos e deixarmos com que pessoas estranhas escutem aquilo que de mais íntimo nos assombra, o grupo se mostra sempre um local de aconchego, de cuidado. Um espaço temporal e físico onde podemos ser nós mesmas. Sabemos que temos, alí, mulheres com quem contarmos para todos os momentos. Onde nos enchemos de força e esperanças para seguirmos em frente. <3
Relatoria feita em conjunto por Sellen Alexandre e Katlen Valério.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

[13.07.2019] 14ª OFICINA PROMOTORAS LEGAIS POPULARES CEILÂNDIA




“Quero pedir desculpas a todas mulheres
Que descrevi como bonitas
Antes de dizer inteligentes ou corajosas
Fico triste por ter falado como se
Algo tão simples como aquilo que nasceu com você
Fosse seu maior orgulho quando seu
Espírito já despedaçou montanhas de agora em diante vou dizer coisas como
Você é forte ou você é incrível
Não por que eu não te ache bonita
Mas por que você é muito mais do que isso”
Rupi kaur

Realizando a leitura de pequenos poemas com mensagens poderosas como esse descrito acima, foi como iniciamos mais um sábado. O impacto de cada pequena leitura, foi sentido a cada momento da oficina em que fomos convidadas a olhar para dentro, o que fazemos por nós mesmos? Como nos cuidamos? Qual é nosso tempo a sós? Quais são as nossas qualidades?
O que é saúde mental para você? Foi assim que começamos a segunda etapa de mais um encontro das PLP’s.  Orientada pela oficineira convidada e psicóloga Uila, fomos divididas em grupos e orientadas a compartilhamos o que percebemos como como saúde mental. Dentre os grupos houveram convergência de ideias, considerando a saúde mental como a autocuidado, autoconhecimento, equilíbrio das emoções, qualidade de vida, verdade e respeito com os sentimentos, bem-estar e auto estima dentre outros.
Saúde mental também foi discutida entre os grupos em relação ao social. Um dos grupos discutiu como manter saúde mental nos relacionamentos, que muitas vezes são ambiente tóxicos, de humilhações e até adoecedores. Um outro grupo ponderou como podemos manter uma saúde mental em um contexto político de tanto ódio e retrocesso? Como resistir sem adoecer, como estar na luta e não acabar com a sanidade que nos resta?
Em um outro grupo foi pensado, em como manter a saúde mental numa vida que parece uma constante corrida, onde tem que se cumprir prazos na faculdade e no trabalho. Que parece que não se tem tempo para pensar em si? Temos apenas tempo para alcançar uma linha de chegada imaginária.
No terceiro momento fomos convidadas pela oficineira a refletir o que fazemos por nós mesmos em relação a nossa saúde física, mental, emocional e espiritual. Vária plp’s relataram dificuldade em pensar o que faziam para si em relação a cada uma dessa áreas, muitas das vezes, apenas uma parte da saúde estava sendo cuidada. Ou mesmo o que considerávamos como cuidado conosco, era na verdade algo que fazíamos pelo outro.
No quarto e último momento fomos convidadas a reconhecer qualidades em nós mesmo. Nesse momento foi possível perceber que houve facilidade de algumas PlPs em reconhecer suas qualidades, enquanto outras, naquele momento não reconheceram as qualidades que têm. Logo, no momento em que algumas mulheres não reconheceram suas qualidades, tivemos a ajuda de outras mulheres para lembrarmos tudo o que somos em qualidade. E temos aqui duas qualidades para todas PLPs: empatia e generosidade.
Esse momento em particular, me remete ao poema escrito no começo desse relato. É impossível encontrar alguém nesse grupo sem nenhuma qualidade, muito além da beleza, todos os compartilhamentos nesses quatro meses de encontros demonstram que estamos rodeadas de mulheres fortes, abertas a aprender, que resistem aos seus problemas todos dias sejam eles pequenos ou grandes, que falam bem em público, que têm consciência social, que fazem diferença em sua comunidades, são inteligentes e corajosas e outras tantas qualidade que apenas ainda não tivemos chance de conhecer para enumerar aqui.
Nessa oficina fomos convidadas a realizarmos um processo introspectivo, de olhar para dentro, mas foi um alento perceber que ao olhar para fora podemos receber de outras mulheres a força para nos ajudar.

E por último a todas PLPs:
“Todas nós seguimos em frente quando
Percebemos como são fortes
E admiráveis as mulheres
Á nossa volta”
Rupi kaur

Relatoria por Mariane Abreu

segunda-feira, 15 de julho de 2019

[06.07.2019] 13ª OFICINA PROMOTORAS LEGAIS POPULARES CEILÂNDIA





Abrimos a oficina com a dinâmica da caixa: recebíamos uma caixa de sapatos com a tarefa de tocar, sentir, cheirar, observar os objetos que ela continha. Eram folhas, flores, madeira, ervas, galhos, conchas, penas, pedras, água, terra e ar. Tivemos que escolher um dentre eles e explicar a razão pela qual nos identificávamos com ele. A caixa trouxe muitas recordações para várias mulheres, e cada uma tinha um motivo diferente pelo qual se atraía pelo seu objeto. Em geral, descobrimos que cada mulher se relaciona com a natureza, a seu próprio modo. Foi uma dinâmica mais calma, silenciosa e introspectiva.

 Para o primeiro espaço, as mulheres foram divididas em 4 grupos para discutir entre si imagens e notícias relacionadas ao ecofeminismo, à sustentabilidade, e às similaridades entre as violências sofridas pela mulher e pela natureza.

 Depois, discutimos com o grupo todo sobre os pontos que mais chamaram a atenção dos grupos. Conversamos sobre a consequência dos agrotóxicos para o corpo das mulheres, a falta de investimentos em ciência para  mulheres, as consequências da escassez de recursos naturais, a relação de poder que coloca o homem acima da mulher e da natureza.

 Daí veio o lanchinho 



No segundo espaço recebemos uma oficineira, a Clarissa, que falou sobre mulheres do campo. Ela partiu das experiências individuais das mulheres do grupo com o campo, e depois fez uma contextualização histórica sobre luta por terras no Brasil. Contou também sobre sua atuação juntamente à Marcha das Margaridas e as mulheres do campo.

 No final, fizemos uma dinâmica (bagunçada kkkkk) de unirmos as mãos com os dedinhos para simbolizar nossa luta em comum.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

[29.06.2019] 12ª OFICINA PROMOTORAS LEGAIS POPULARES CEILÂNDIA





Em nosso encontro do dia 29.06.2019 tratamos sobre os padrões de beleza impostos pela sociedade, assim como a autoestima, autocuidado e gordo fobia. No primeiro momento houve uma dinâmica de “reconhecimento das colegas” onde tivemos que identificar umas as outras apenas a partir do tato. Foi um momento que nos ajudou a perceber o quanto prestamos atenção na outra e nossa percepção sobre suas características físicas. Logo após iniciamos uma atividade em grupo, onde desenhamos o padrão da mulher brasileira em nossa sociedade, o que é aceito como bonito. Foi um momento muito divertido, além de colocarmos a criatividade para fora e descobrirmos o talento de desenho das colegas. Cada grupo apresentou para as demais colegas e explicou como surgiu tal pensamento.
No segundo momento foi proposta uma atividade de autopropaganda, onde teríamos que escrever ou desenhar nossas qualidades para apresentarmos as colegas. Foi um momento muito lindo, onde podemos praticar o amor próprio, além de ter tido um “quê” de superação para muitas mulheres em falarem sobre si.
Uma frase de uma mulher foi muito marcante para mim onde ela dizia “Os modelos são considerados padrões apenas por reunirem todas as características consideradas bonitas em nossa sociedade. Mas nós não precisamos nem somos assim, cada pessoa possui algum desses padrões, não precisamos ter tudo para sermos bonitos”. E é exatamente isso, a partir do momento que compreendemos isso, começamos a superar diversos complexos, e compreender a linha tênue entre o autocuidado, a imposição e nossas vontades.

Relatoria da cursista Pâmela de Azevedo da Rocha.



Aí irmã.

Na rima vou falar
Se tiver que cantar, eu vou cantar
Se tiver que dançar, eu vou dançar
Se tiver que criar figurino,
Crio com satisfação
Se for produção, conte
Com minha colaboração
Más se for sábado pela manhã,
Não me chame não
Estarei na Ceí
Com as PLPs
Construindo um futuro libertador,
Pra nossa nação
Sou pão com mortadela mesmo
E disso não abro mão
É isso aí irmã, eu sou a Luz
Mandando essa rima então.

Relatoria da cursista Cléia Pereira de Sousa (Luz)