quarta-feira, 16 de agosto de 2017



A relatoria desse encontro expõe, de forma detalhada, os momentos de clareza pelos quais passaram as cursistas a cerca do tema, que pode ser considerado estranho à muitas pessoas. Mais uma vez tivemos uma oficina cheia de aprendizado e com promessas de impactar não somente a vida das mulheres do curso, mas também das de fora. Maravilhosa. Confere aí!


[05/08/17]


O encontro do dia 05.08.17 foi regido por Rosa Maria e Laerzi, com a colaboração da Imã e Dani.
O tema deste encontro foi TRÁFICO DE PESSOAS, bem como foi feito também a divulgação do Projeto Vez e Voz, desenvolvido pela Rosa Maria, em Águas Lindas.
A oficina começou com alguns questionamentos feitos pelas mediadoras, sendo que nós, participantes, deveríamos nos deslocar em direção ao SIM ou NÃO que corresponderia às nossas respostas. Os questionamentos variavam sobre o conceito de tráfico de pessoas, aonde ocorre, quem são suas vítimas, quais suas consequências...
Feito esta dinâmica as mediadoras se voltaram a explicar o tema.
O TRÁFICO DE PESSOAS pode ser caracterizado pela promessa de trabalho que leva as vítimas a situações de exploração sexual, trabalho escravo, tráfico de órgãos, adoção ilegal e servidão por dívida.
Dados da OIT – Organização Internacional do Trabalho, indicam que o tráfico de pessoas movimenta anualmente cerca de 150 bilhões de dólares, sendo a terceira atividade criminosa mais rentável no mundo, ficando atrás do tráfico de drogas e do tráfico de armas. Além disso, dizem ainda que 83% dos escravos comercializados no mundo são mulheres.


Como dito anteriormente, diversas são as situações que caracterizam o tráfico de pessoas e diversos são seus alvos.

- EXPLORAÇÃO SEXUAL: alvo, na maioria, são mulheres. Levadas para lugares onde não podem ter acesso à familiares ou conhecidos, vivendo sob condições desumanas e são obrigadas a trabalhar incansavelmente, fazendo, por vezes, até 15 programas sexuais por dia.


- TRABALHO ESCRAVO: pessoas são aliciadas com promessas de emprego, bons salários e, na verdade, são submetidas a permanecerem em locais degradantes, trabalhos excessivos e são privadas de quaisquer direitos e liberdade.

- TRÁFICO DE ÓRGÃOS: pessoas também aliciadas com promessas de melhorias na vida, contudo são levadas objetivando o tráfico de seus órgãos.

- ADOÇÃO ILEGAL: pessoas que se organizam para adotar crianças, com o intuito de “moldá-las”, criá-las e direcioná-las para seus objetivos, podendo ser tanto o trabalho escravo, quanto tráfico de órgãos e/ou exploração sexual.
- SERVIDÃO POR DÍVIDA: pessoas que são levadas por falsas promessas, ficam privadas de qualquer contato com parentes ou amigos, obrigadas a trabalhar ou se prostituir a fim de que paguem pelas despesas que geraram com a locomoção e sobrevivência no local em que se encontram, todavia, essas despesas NUNCA são quitadas.
O combate ao tráfico de pessoas conta atualmente com o protocolo das Nações Unidas, definido na Convenção de Palermo, o qual foi consolidado como a primeira tentativa de combate a este crime, buscando a prevenção, repressão e punição. No Brasil existem ações governamentais que abrangem o Ministério das Relações Exteriores, Secretaria de Justiça, Ministério Público e o Governo do Distrito Federal.
Após as explicações quanto ao tema inicial, foi apresentado um documentário em sala – TRÁFICO HUMANO – DESPERTE PARA ESSA REALIDADE.

Como dito anteriormente, diversas são as situações que caracterizam o tráfico de pessoas e diversos são seus alvos.
- EXPLORAÇÃO SEXUAL: alvo, na maioria, são mulheres. Levadas para lugares onde não podem ter acesso à familiares ou conhecidos, vivendo sob condições desumanas e são obrigadas a trabalhar incansavelmente, fazendo, por vezes, até 15 programas sexuais por dia.
- TRABALHO ESCRAVO: pessoas são aliciadas com promessas de emprego, bons salários e, na verdade, são submetidas a permanecerem em locais degradantes, trabalhos excessivos e são privadas de quaisquer direitos e liberdade.
- TRÁFICO DE ÓRGÃOS: pessoas também aliciadas com promessas de melhorias na vida, contudo são levadas objetivando o tráfico de seus órgãos.
- ADOÇÃO ILEGAL: pessoas que se organizam para adotar crianças, com o intuito de “moldá-las”, criá-las e direcioná-las para seus objetivos, podendo ser tanto o trabalho escravo, quanto tráfico de órgãos e/ou exploração sexual.
- SERVIDÃO POR DÍVIDA: pessoas que são levadas por falsas promessas, ficam privadas de qualquer contato com parentes ou amigos, obrigadas a trabalhar ou se prostituir a fim de que paguem pelas despesas que geraram com a locomoção e sobrevivência no local em que se encontram, todavia, essas despesas NUNCA são quitadas.
O combate ao tráfico de pessoas conta atualmente com o protocolo das Nações Unidas, definido na Convenção de Palermo, o qual foi consolidado como a primeira tentativa de combate a este crime, buscando a prevenção, repressão e punição. No Brasil existem ações governamentais que abrangem o Ministério das Relações Exteriores, Secretaria de Justiça, Ministério Público e o Governo do Distrito Federal.
Após as explicações quanto ao tema inicial, foi apresentado um documentário em sala – TRÁFICO HUMANO – DESPERTE PARA ESSA REALIDADE.
Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria
Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria
Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente
Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda a pobre inocência dessa gente
Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente
Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver uma cultura diferente
Finalmente arrisco dizer que todas saímos impactadas desta reunião.  
A realidade foi chocante, triste, frustrante, mas, ao mesmo tempo, gerou combustível para buscarmos e lutarmos pelas mudanças necessárias à erradicação desta realidade desumana que se propaga em nosso país e no mundo.

Elane Pires

segunda-feira, 14 de agosto de 2017


[15/07/2017]


No dia de hoje, começamos os trabalhos com um aquecimento em que cada mulher fez uma mímica sobre algo que gostava de fazer. Vimos de tudo: ler, dançar, jogar capoeira, cozinhar, cantar. Somos muitos diversas e talentosas. Após o aquecimento, recebemos duas convidadas (Joluzia Batista e Masra de Abreu) que se propuseram a falar sobre direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.


As palestrantes nos mostraram a necessidade de nós, mulheres, nos posicionarmos com intuito de termos domínio sobre nossos corpos e consequentemente sobre nossa sexualidade e vida reprodutiva. Desde os primeiros movimentos de mulheres reivindicando tais direitos, como o uso da pílula anticoncepcional, o direito ao aborto em caso de estupro e a separação entre religião e Estado, vimos que a luta é necessária, pois, sempre existem aqueles que querem retirar direitos já conquistados por nós.
Diante disso, falamos também sobre o conservadorismo e o fundamentalismo religioso presentes em nossa sociedade e como esses institutos trouxeram reflexos negativos ao âmbito familiar por meio da reprodução de discursos machistas e contrários aos direitos das mulheres, como aqueles que são contra o planejamento familiar, o uso da “pílula do dia seguinte” e o aborto de fetos anencéfalos, pois, acreditam que a mulher deve manter a gravidez em qualquer circunstância ou que o feto tenha inúmeros direitos.
Ainda, tratamos da necessidade de se manter a laicidade do Estado. Atualmente, política e religião tem se misturado o que gera a criação de leis por instituições muito conservadoras. Desse modo, são produzidas normas visando a diminuir, controlar e, até mesmo acabar com a autonomia das mulheres em relação aos seus próprios corpos.
Nesse contexto, durante o debate, discutimos a necessidade da humanização do parto.
Muitas mulheres até hoje sofrem muito nesse momento que deveria ser prazeroso e gratificante. Falta informação nos hospitais e empatia de muitos profissionais da saúde. Foi abordada também a dificuldade em se realizar procedimentos para impedir uma gravidez futura como a laqueadura ou ligadura de trompas.
Sendo assim, percebemos a importância de resistirmos frente a esses discursos que acabam por limitar direitos já conquistados pelas mulheres. Por meio de debates e rodas de conversa como essa de hoje é que movimentamos mais mulheres na luta diária pela manutenção e conquista de nossos direitos sexuais e reprodutivos.
Para encerrar o semestre, fizemos uma roda em que dissemos o que aprendemos com nosso projeto, foi muito satisfatório ouvir cada uma das mulheres e perceber nosso crescimento e empoderamento.


Luiza Moreira

[12° Encontro da Turma de Promotoras Legais Populares da Ceilândia. Tema do dia: Religiões e Espiritualidade]


[08/07/17]


Oficina espiritualidade
A oficina começou bombando, para nos aquecer no sábado de manhã nada melhor do que remexer o corpo ao som de uma música bem animada. Todas participaram da dança propondo um movimento para compor a coreografia, umas seguindo as propostas das outras.  
Depois de aquecidas, assistimos a uma parte do documentário Eu maior, o qual deixou um gostinho de quero mais, pois logo em seguida do pequeno trecho foi aberta a roda para debate. O vídeo foi bastante enriquecedor para instigar nossa conversa, trazendo reflexões sobre o sentido da existência, o que nos fortalece quando não encontramos respostas e os diferentes modos que cada uma tem de desenvolver sua espiritualidade.
Na segunda parte da oficina nos dividimos em grupos que manifestaram a tamanha diversidade de crenças presentes no nosso projeto, mulheres católicas, mulheres de religiões de matriz africana, mulheres evangélicas, mulheres espiritualistas, mulheres naturalistas, mulheres que ensejavam o autoconhecimento e ainda mulheres que não se identificavam com nenhum tipo de religião.  
Para esses grupos foi proposta a reflexão em comum acordo das mulheres integrantes de cada um deles sobre qual seria a essência de sua crença, ou defesa e um modo de defini-la. Nos reunimos nesses grupos diversos de acordo com a orientação a qual mais nos identificávamos. Nesses grupos trocamos ideias sobre o que seria de maior importância para destacar dentro das nossas crenças. As discussões foram muito fecundas e logo após a discussão cada grupo apresentou em uma fotografia teatral qual seria, segundo acordado entres as componentes, definido como o mais importante a depender da fé propagada. As muitas imagens formadas puderam reforçar a diversidade presente em nosso grupo e afirmar a possibilidade de convivência com crenças diversas conhecendo e aprendendo um pouco mais sobre cada uma delas e afirmando a importância para o fortalecimento do grupo de cultivarmos o respeito e abertura para o novo e diferente. Abaixo seguem as fotos.
Para reafirmar nossa união cada uma desejou no final da oficina algo bom para as outras conforme a sua crença. Foi lindo!!!!


Whitney


Quer saber mais? Se liga aí!
Documentário Eu Maior

quinta-feira, 13 de julho de 2017

[11° Encontro da Turma de Promotoras Legais Populares da Ceilândia. Tema do dia: Mulher negra e Solidão da Mulher Negra]


Aqui está a 11ª relatoria de nosso curso escrita por Thalita Najara que contou como foi de forma detalhada, confere aí!

[01/07/17]

A oficina de hoje foi uma continuação da anterior em que o tema do dia foi racismo, que para nós – mulheres negras – nunca sai de pauta. A oficina, assim, foi orientada por três Promotoras Legais Populares formadas em outras turmas: Dani Black, Camila e Íris.
Para começar e aquecer nossos corpos usamos da técnica teatral em que cada uma das mulheres tinha um comando escrito num papel em que colocamos na nossa testa. Sem saber o que tinha escrito no nosso próprio papelzinho fomos interagindo umas com as outras e a diversão foi total, pois onde já se viu produzir conhecimento sozinha e na chatice?
De forma, que passamos para a primeira dinâmica denominada Privilégio Branco. Assim, todas nós ficamos alinhadas em uma fila e conforme as perguntas eram feitas dávamos um passo para frente ou para trás. Ao final, observamos como ficamos dispostas em referência ao ponto inicial. Algumas de nós muito lá na frente e outras bem atrás. Conversamos sobre isso, isto é, privilégio da branquitude e a pergunta que ficou é “Você que está a alguns passos na frente irá continuar seguindo em frente sem se preocupar com sua companheira que está a alguns passos atrás?”     Na segunda dinâmica, fomos divididas em seis grupos nos quais cada grupo recebeu os mesmos cinco papéis em que estavam escritos algumas demandas dos feminismos. Devíamos colar no papel pardo, quais eram as demandas das mulheres negras, quais eram as demandas das mulheres brancas e quais eram as demandas compartilhadas entre ambas. As cinco demandas eram as seguintes: trabalhar fora; aborto seguro; casamento e divórcio; violência doméstica e Lei Maria da Penha; e liberdade sexual. Depois da discussão nos pequenos grupos, abrimos a grande roda e discutimos em conjunto como ficou o trabalho final.
De modo que, liberdade sexual engendrou o maior debate, pois discutiu-se o quanto constitui-se como incongruente essa demanda para as mulheres negras, em face da hipersexualização da mulher negra, do mito da democracia racial no Brasil, da miscigenação promovida pelo estupro às mulheres negras e de como a sociedade brasileira consigna-se como produto de um patriarcado racista.
Na segunda parte da oficina vimos trecho do filme Vênus Negra e seguiu-se de discussão em conjunto. Lembrou-se que foram às custas da violação do corpo do povo preto que os avanços da medicina ocidental foram realizados e que como no caso histórico de Saartjie Baartman, a protagonista do filme, desenvolveu-se a anestesia que é atualmente negada às mulheres negras no atendimento hospitalar. Ou ainda, que Hipócrates, considerado o pai da medicina, adquiriu todo o seu conhecimento no Egito – nordeste da África.
O filme Amistad também teve um trecho exibido na oficina e salientou-se que tanto homens quanto mulheres negras estavam no mesmo barco nessa estrutura racista de colonização que sequestrou nossos ancestrais por meio do tráfico de pessoas no período escravocrata. Nesse sentido, foram levantadas importantes contribuições do mulherismo africana.
Por sugestão da cursista Luiza assistimos o vídeo chamando “O perigo da história única” da escritora nigeriana Chimamanda Adichie que nos lembrou que é possível continuar na luta pelo fim da estrutura patriarcal racista.
Por fim, a facilitadora Camila leu um poema de grande força e nos reunimos em roda a fim de finalizar o dia. Fomos indagadas a pensar sobre tudo o que havíamos discutido e sintetizarmos em uma palavra o que levaríamos daquela oficina. Eu por mim mesma escolhi a palavra fé. Não conseguiria pensar em outra. A minha na minha ancestralidade e na resistência é fundada no trechinho que deixo da música de Mariene de Castro

Aprendi na senzala a tristeza da rima
Do chicote que estala e reduz à ruína
Vi fluir a maldade no peso da argola
Chorei a liberdade que estava em angola
É por isso que o samba me bole no peito
É por isso que a noite me faz tão feliz
É a força que vem da raiz

Thalita Najara



11º encontro das promotoras legais populares.



Quer saber mais? Se liga aí!

  1. https://www.youtube.com/watch?v=MuOE3IJZoZU - Jogo do Privilégio Branco
  2. https://youtu.be/3_P--6uis4Q - Filme Vênus negra⁠⁠⁠⁠
  3. https://youtu.be/qDovHZVdyVQ - O perigo de uma história única - Chimamanda Adichie
  4. https://youtu.be/4GPICBDb87M - Navio negreiro - Tráfico de africanos para as américas
  5. https://pensamentosmulheristas.wordpress.com/ - 10 tópicos sobre mulherismo africana (para escurecer o pensamento)


quarta-feira, 5 de julho de 2017

[10° Encontro da Turma de Promotoras Legais Populares da Ceilândia. Tema do dia: Racismo + mercado de trabalho]


Tivemos nossa décima oficina, dando continuidade ao foco na mulher negra e aqui está o relatório, feito por Larissa Santos, a respeito do que aconteceu!

[24/06]

Relatório do encontro ocorrido no curso das Promotoras Legais Populares, encontro do dia 24 de Julho.
​Antes de começarmos nossas atividades fizemos um aquecimento, praticamos a dinâmica do espelho, formamos duplas em que uma fazia o movimento e a outra imitava e depois isso se invertia.​Depois voltamos para nossos lugares e as facilitadoras nos dividiram em três grupos e entregaram uma folha que continha fotos de pesquisas feitas no google sobre duas perspectivas, por exemplo, “cabelos bonitos X cabelos feios”, “dread bonito X dread feio”, “turbante bonito X turbante feio”. Mostraram-nos as imagens referentes a cada termo pesquisado e deram um tempo para pensarmos sobre os resultados dessas pesquisas. Meu grupo ficou com as imagens sobre o cabelo bonito e feio, conseguimos perceber que nas imagens com cabelos denominados como bonitos parecia que era a mesma pessoa em todas as fotos: mulheres brancas, magras, com cabelo longo e liso ou com leves ondulações. Obviamente, nota-se a padronização exigente que qualifica essas características como “bonitas” e que são socialmente aceitas.
​Por outro lado, havia a pesquisa sobre o cabelo feio e de 10 fotos oito eram de pessoas negras com cabelos crespos e as outras duas eram pessoas brancas que tinham cortes de cabelos que fugiam do que é padronizado e qualificado como bonito. A partir dessas constatações feitas em grupo, puderam-se tirar várias críticas. Primeiro, que existe uma questão racial muito evidente entre o que é bonito e o que é feio, isso também repercute nas outras pesquisas independente da característica. O que é visto como mais bonito sempre é algo que está caracterizando uma pessoa branca.
​Em seguida, conseguimos observar que mesmo quando algo é aceito como bonito existe uma hierarquização sobre o que é “mais bonito”, por exemplo, atualmente os cabelos enrolados estão sendo mais aceito socialmente, mas existem estilos de cachos que são mais aceitos que outros e, ironicamente, os cachos mais soltos que se assemelham aos cachos lisos são os mais aceitos.
​Quando abrirmos as discussões sobre as percepções que cada grupo teve em relação às imagens, a roda toda passou a discutir bastante sobre a questão das pessoas se identificarem como negras ou brancas. Umas das instruções das facilitadoras foram para que pensássemos sobre qual das imagens a gente se identificava mais e muitas tiveram dificuldade.
​Foi pontuado na roda que essa dificuldade vem de uma contextualização histórica de uma miscigenação forçada que o Brasil teve durante sua colonização, negras e nativas eram estupradas pelos colonizadores brancos e a partir disso foi surgindo vários tons de pele, gerando a diversidade brasileira. Essa diversidade, para mim, se tornou uma identidade brasileira, mas isso causa certa confusão sobre se enquadrar em determinada categorização entre negros e brancos e isso é importante pelo fato de sabermos reconhecer os privilégios que pode possuir por ter determinada cor.
​Algumas mulheres deram a opinião de que um marcador importante na hora de refletir sobre essa identificação é perceber se você sofre preconceito devido a sua cor, reparar em quem sofre preconceito racial e quem não sofre, quem é excluído, quem já foi abordada pela polícia apenas por ser negra. Durante essa discussão uma mulher negra que participava da roda nos chamou atenção para o fato das mulheres negras quase não estarem dando opiniões, a fala estava se concentrando nas meninas brancas, mais um reflexo inconsciente dessa questão racial. Depois fomos para o lanche.
​Na segunda parte fomos novamente dividias em grupo e nos entregaram 3 palavras: “cor de pele” ,” cabelo ruim”, “doméstica”, “serviço de preto”, “inveja preta e inveja branca”. Voltamos a falar o quanto o racismo está enraizado na nossa cultura, nas expressões que usamos e salientamos para o quanto é necessário buscarmos reconhecer nossos privilégios e entendermos como o racismo funciona e suas consequências, o racismo mata muitas negras e negros.
​As mulheres negras da roda falaram sobre a questão da solidão da mulher negra, que está relacionado com a dificuldade de uma mulher negra se relacionar devido aos vários estereótipos que foram impostos e socialmente naturalizados sobre uma supersexualização. Para melhor dizer, é aquele pensamento ridículo que vários homens têm de que mulheres negras foram feitas para fazer sexo e não para casar ou terem um relacionamento estável.

Larissa Santos




Quer saber mais? Se liga aí!


  1. Artigo de Kimberlé Crenshaw. "A Interseccionalidade na Discriminação de Raça e Gênero". Fonte: Blog da disciplina Direito, Relações Raciais e Diáspora Africana. Link: https://drive.google.com/drive/folders/0B7WBTTitwx7jTU9TNkd6c09ZS0k
  2. Artigos de Beatriz Nascimento “É tempo de falarmos de nós mesmos”. Fonte: Blog da disciplina Direito, Relações Raciais e Diáspora Africana. Link: https://drive.google.com/drive/folders/0B7WBTTitwx7jTU9TNkd6c09ZS0k
  3. Mini-Doc da Neggata “Ah, Branco! Dá um tempo! Construindo espaços. Link: https://www.youtube.com/watch?v=CykGViSzDbk
  4. Música de Elza Soares “A carne”. Link: https://www.youtube.com/watch?v=Lkph6yK6rb4


Veja também a relatoria do nosso 9º encontro.


quarta-feira, 28 de junho de 2017

[9º Encontro da Turma de Promotoras Legais Populares da Ceilândia. Tema do dia: Assédio Sexual]


No dia 17 de Junho tivemos nosso nono encontro, o qual teve como tema o assédio sexual vivido diariamente pelas mulheres. A relatoria a seguir feita por Amanda de Carvalho mostra com maiores detalhes a forma que o assunto foi abordado e as reflexões deixadas para as cursistas neste sábado.


[17/06]



Relatoria referente ao encontro realizado dia 17 de junho de 2017, da qual trazia  o tema “Assédio” para ser discutido na oficina.
Após a chegada das cursistas  inicialmente foram formados pequenos grupos  entre as participantes e a partir daí foram distribuídas diferentes  letras de músicas para cada grupo. O intuito  dessa atividade era fazer com que cada membra do grupo lesse o conteúdo da letra das músicas e assim discutissem sobre o ponto de vista que  isso impactava na realidade.
As letras de músicas distribuídas foram:
• Lôra burra – Gabriel, O Pensador
• Levanta o copo – Aviões do  forró
• Se – Djavan
• Me lambe – Raimundos
• Garagem da vizinha -  Rio Negro e Solimões
Falta uma de funk*** (não lembro qual foi)
Em seguida foi feita uma roda para que todas pudessem compartilhar sobre o ponto de vista que havia sido discutido sobre a música respectiva de cada grupo. Sendo assim uma representante de cada grupo foi escolhida para  comentar sobre.
Logo que foi se discorrendo sobre a roda o que cada letra trazia, foi perceptível como a cultura do assédio, abuso,  falta de respeito, sexualização da figura feminina entre outros argumentos estão presentes e intrínsecos em nossa sociedade, no nosso dia a dia e na nossa pele.
Algumas letras causaram bastante impacto, o que deixou a discussão mais acalorada, já outras nem tanto.  E vale ressaltar que foram letras de músicas de variados estilos musicais e não se restringiu a apenas um tipo de estilo musical, ou seja, o hábito de colocar a mulher como apenas uma figura/ objeto sexual, ou que a menospreze pelo que ela é; parece ser tratado de forma natural e que dificilmente alguém vá parar analisar o que está sendo passado pelo que se está ouvindo independente do ritmo musical.
Houve a parada para o lanche, logo depois foi dado início a segunda atividade realizada neste dia.
Foi pedido para que as participantes levantassem de suas cadeiras e se juntassem no centro da sala e ficassem bem próximas umas das outras e que fechassem seus olhos, em seguida a mediadora desta atividade pediu para todas pensassem no que havia sido discutido  na primeira atividade e assim elas emitissem sons ou palavras que significasse uma reação ao assédio.
Feito isso as participantes que foram pronunciando as palavras foram sendo retiradas do pequeno círculo e enquanto isso as outras que ficaram em silêncio permaneceram no círculo. Após isso a mediadora  pediu para que as participantes que pronunciaram as palavras repetissem várias vezes em voz alta para que assim as participantes que mantiveram-se em silêncio se direcionassem ainda de olhos fechados para o som que elas se identificavam e a partir daí se formaram pequenos grupos.
Foi dado um tempo para que  os grupos conversassem sobre a escolha do som que seguiram após isso a mediadora  direcionou o que seria feito após  as palavras ditas anteriormente e também sobre o que foi conversado, foi distribuído aos grupos uma folha branca  no intuito de que os mesmos fizessem uma espécie de poema que seria construído por todas ali presentes. Cada uma escrevia um verso e dobrava a folha para que a próxima a escrever não lesse os versos anteriores. No final da oficina foi feita uma roda com todas em pé e cada  representante dos grupos leu para todas o poema construído “as cegas”. E a finalidade destes pequenos poemas foi  uma feliz  contribuição, pois todos ficaram muito bons.


Amanda D. De Carvalho


9º encontro das promotoras legais populares.

Veja também a relatoria do nosso 8º encontro.